domingo, 26 de julho de 2015

Cuidar-se e evitar exageros





“Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.” (I Coríntios 6, 12)

Este versículo escrito por São Paulo aos Coríntios, no primeiro século da era cristã, resume muito bem o que é realmente ser livre. Poder fazer tudo o que se quer, sem prejudicar o próximo e nem a si mesmo. Até porque, embora autônomo no exercício dos desejos, ninguém fica imune às consequências dos seus atos.

Se o corpo é mal tratado, cedo ou tarde o organismo dará sinais de fragilidade e suplicará por socorro. Também a família e os amigos merecem cuidados. Estreitar laços é importante. Igualmente os excessos precisam ser evitados. É melhor pôr-se vigilante, enquanto há tempo.  

Os afazeres diários também merecem atenção. Não se deve exagerar na carga de trabalho, nem esquivar-se totalmente dele. De que adianta o labor exaustivo dia após dia, ano após ano, se o convívio familiar for prejudicado, se não houver amigos. De que adianta um bom emprego, uma pomposa posição social, se o lar estiver em ruínas. O trabalho é importante, de fato dignifica o homem, no entanto, não pode ser o único sentido da vida.

Existem os que de tanto trabalhar se esquecem de viver. Por outro lado, há também os que não fazem absolutamente nada, apenas vivem de sugar, como faz um parasita, os frutos do trabalho alheio. São Paulo em sua segunda carta aos Tessalonicenses exorta no seguinte: “... soubemos que entre vós há alguns desordeiros, vadios, que só se preocupam em intrometer-se em assuntos alheios. A esses indivíduos ordenamos e exortamos a que se dediquem tranqüilamente ao trabalho para merecerem ganhar o que comer. Vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem” (cap. 3, 11-13). É prejudicial estar em qualquer lado desses opostos extremos.

Preocupar-se com os outros é de suma importância, mas não devemos nos esquecer de nós mesmos. O cuidado pessoal, sem se entregar aos exageros também é uma forma de demonstrar amor pelas pessoas com quem nos importamos, já que uma vida equilibrada e saudável tende a ser mais duradoura, e assim é possível aumentar a quantidade de momentos felizes compartilhados ao lado de indivíduos imprescindíveis.

 Se você ama alguém, cuide de sua saúde, para que possa permanecer mais tempo com a pessoa amada. O desleixo, a falta de zelo com o corpo e com a mente, principalmente quando entregues aos vícios e à promiscuidade, encurtam a vida. Não seja escravo do trabalho ou totalmente avesso a ele. Mesmo que você não tenha ninguém, que viva absolutamente só, cuide-se mesmo assim, afinal é possível ser útil, ajudar pessoas, fazer a diferença na história daqueles que não possuem mais nada, mas que podem oferecer muito, acrescentar valores impagáveis e ajudar-nos a encontrar o sentido da vida.

Encontrar o equilíbrio é um desafio para o homem moderno, que vive submisso e preso a um sistema que esgota as forças, que suprime o precioso e cada vez mais escasso tempo, que cumula stress e priva momentos agradáveis. É preciso ser diligente na busca da felicidade, sendo prudente ao tomar decisões. Afinal de contas: “tudo me é permitido, mas nem tudo convém”.

Jeandré C. Castelon

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segunda-feira, 13 de julho de 2015

Barbáries




Um homem de 29 anos foi linchado por um grupo de pessoas, moradores do bairro denominado Jardim São Cristóvão em São Luiz do Maranhão. O nome dele era Cleidenilson. Era, porque ele está morto. Foi amarrado num poste por populares, e agredido até a morte, assim como faziam com os negros antes da abolição da escravatura quando da assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888. Açoitavam, e muitas vezes até o ponto de retirar a vida do escravo, visando entre outros objetivos, servir de exemplo. No mesmo episódio estava envolvido um menor de 16 anos, que teve melhor sorte, e apesar de também brutalmente agredido, sobreviveu à barbárie.

Cleidenilson e o citado menor foram sumariamente julgados e a macabra sentença foi executada à luz do dia, na presença de muitas testemunhas, pelas mãos de uma população raivosa e descontrolada. Segundo a polícia, os dois envolvidos teriam tentado assaltar um bar. Foram rendidos e amarrados. Cleidenilson preso a um poste, teve suas roupas arrancadas, e nu, suportou por algum tempo os socos, chutes, pedradas e garrafadas, até quando não mais aguentou e expirou.

O pai de Cleidenilson afirmou veementemente que seu filho não era ladrão. Digo, hipoteticamente, mesmo que fosse um ladrão, não merecia ser brutalmente assassinado.

Pergunto-me: o que vai acontecer com os autores de tão bárbaro crime? Talvez não aconteça nada. Talvez ninguém seja punido. Estamos no país da impunidade.

Quero deixar bem claro que, se o assalto fosse confirmado pela Justiça, os dois deveriam ser punidos com os rigores da Lei. Ninguém deve ser condenado, sem antes, submetido a um julgamento isento de ânimo e justo.

Recordo-me de outro linchamento, o da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, que era casada e tinha dois filhos. Ela foi agredida e morta por seus vizinhos no Guarujá no Estado de São Paulo, tudo a partir de um boato mentiroso divulgado pela internet, que afirmava que a dona de casa sequestrava crianças para utilizá-las em rituais de magia negra. Fabiane era inocente. Os seus agressores não são.

Assusta-me a ideia de que muitos passem a defender o linchamento como algo normal e aceitável, repetindo tamanha brutalidade em outras cidades. Que muitos pensem e digam que Cleidenilson teve o que merecia.

Ninguém pode caminhar bem tomando atitudes bárbaras. A violência empregada a ponto de tirar a vida de alguém não se legitima por nenhum argumento. O que aconteceu somente poderia ser justificado por um pensamento doentio, derivado de mentes transtornadas.

O que assalta deve ser julgado, condenado e pagar pelo seu crime. Da mesma forma aquele que ceifa a vida de alguém não merece ficar impune. Que a Justiça seja ampla e para todos.

Cleidenilson até poderia ter sido um ladrão, mas os que lhe tiraram a vida, o que são?

Não matar é um dos dez mandamentos que figuram no Livro do Êxodo (capítulo 20). Referido mandamento não deve ser somente observado por pessoas que professam fé em determinadas religiões, mas por toda pessoa civilizada que deseja conviver em paz.

Jeandré C. Castelon


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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Prepare-se!




Muitas vezes gostaríamos de alcançar os resultados pretendidos de forma instantânea, rápida, e de preferência sem muito esforço. Vivemos na era do imediatismo, tudo tem que ser para agora. Em todos os lugares queremos ser atendidos de forma rápida, como se fossemos os únicos seres existentes; a comida no restaurante não pode demorar sequer alguns poucos minutos; até mesmo quando usando a internet, a paciência logo se esgota quando o link tarda a abrir ou o download não é se realizada com a velocidade esperada.  Talvez lhe falte paciência para completar a leitura deste breve texto. Andamos com muita presa e não chegamos a lugar algum.

Não raras vezes o tempo que nos sobra não é bem aproveitado. Queremos cada vez mais tempo, para perdê-lo em atividades pouco proveitosas. Poucos têm a paciência necessária para prepararem-se para o futuro. Gastar um bom tempo em atividades edificantes: família, estudos, amigos, lazer, entre outras.

Para se chegar ao sucesso, cumprir nossos objetivos é importante um período de preparação. Na Bíblia, em diferentes momentos, antes de chegar-se a uma grade conclusão, antes do grande objetivo, os personagens tiveram um momento de preparação.

No texto bíblico, o número 40 representa determinado lapso de tempo suficiente para algo (tempo necessário para...). Durante o dilúvio, a chuva caiu por quarenta dias e quarenta noites; Moisés permaneceu com o Senhor, durante quarenta dias e quarenta noites, antes de receber os Dez Mandamentos; o profeta Elias caminhou por quarenta dias e quarenta noites, antes de chegar ao Monte Horeb, a montanha de Deus; quarenta anos o povo hebreu permaneceu no deserto até chegar à Terra Prometida; os ninivitas tiveram quarenta dias para se converterem a Deus, quando do anúncio proferido pelo profeta Jonas; Jesus, após o batismo, permaneceu por quarenta dias no deserto. Estes são apenas alguns exemplos. Não foi diferente com os apóstolos, e igualmente com São Paulo, todos passaram por um período de preparação. 

Não existem resultados imediatos para importantes objetivos. Não se chega a grandes metas sem esforço. Para tudo na vida, há um momento de preparação, seja em razão de uma promissora carreira profissional, seja para determinada atividade a ser realizada em comunidade, ou até mesmo para compartilhar a vida ao lado de outra pessoa, formando uma perfeita união conjugal (imprescindível é uma boa preparação para o matrimônio).

Então, não há alternativa, não existe outro caminho a percorrer, prepare-se! Estude como é preciso estudar, trabalhe como é preciso trabalhar, confie na providência de Deus como é preciso confiar, e espere. Paciência é virtude, não disse que seria fácil, porém, tenho plena convicção de que os resultados serão surpreendentes. Nada que valha realmente a pena se consegue sem esforço.

Jeandré C. Castelon

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quarta-feira, 1 de julho de 2015

A troca



A fé e o pensamento caminham juntos, é impossível crer sem pensar.
John Stott


Atualmente presenciamos um fenômeno bem palpável e muito presente no dia a dia da humanidade, a substituição. A imposição de uma suposta necessidade de substituir, de ter sempre o último modelo, subsistindo no elemento da descartabilidade.

Tudo se torna descartável, tudo pode ser substituído, a indústria impõe e reforça esse comportamento. Há divisões e departamentos nas organizações com um único objetivo de tornar obsoleto o recém-lançamento. Com ressalvas as reais inovações, empreender esforços em consertar tornou-se démodé, totalmente out.

Na esteira dessa cultura a prateleira religiosa é numerosa e a substituição está, infelizmente, virando regra. A troca de Deus pelos ídolos do poder, do dinheiro, do lucro, da felicidade, e a mais grave substituição, a troca de Deus pelo próprio homem, pelo seu ego e seu inestimável orgulho.

Quantos por poder, dinheiro e lucro espezinham pessoas e varrem suas dignidades da face da humanidade. Pode causar estranheza quando se fala que pessoas transformam em ídolo a própria felicidade, mas em detrimento dessa busca praticam atrocidades para alcançar o que entendem ser felicidade. Tem agora, a idolatria do corpo perfeito, a doentia busca de atingir o inatingível, usando academia e clínicas de estética e de cirurgia plástica como verdadeiros templos da insanidade.

Todavia a mais grave, ainda é a troca de Deus pelo próprio homem.

Joseph Ratzinger ilustra bem essa realidade exemplificando com a história de dois homens, o fariseu e o publicano, no evangelho de Lucas 18,9-14, é bom frisar que o texto sagrado primeiro fala e se dirige a sua época, ao povo ali e naquele momento, para depois falar ao futuro.

Dois modos distintos de se situar perante Deus e perante si mesmo. O fariseu não olha para Deus, mas apenas para si mesmo, se vangloriando de suas próprias virtudes, se orgulhando de si mesmo, não há nenhuma relação com Deus, pois ele por si mesmo faz tudo corretamente. Deus é, em última instância, dispensável, basta esse homem e apenas sua própria ação, apenas o seu próprio braço forte.

O publicano, por sua vez, olha para si a partir de Deus. O seu olhar é pelo prisma de Deus e a partir daí abre o olhar sobre si mesmo. Deste modo ele sabe que precisa D’ele, sabe que precisa da graça e misericórdia, e que diante dessa misericórdia ele aprenderá a ser ele mesmo misericordioso e assim se tornar semelhante a Deus, ainda que isso seja um horizonte muito distante.

O publicano precisa do Deus e, porque O conhece vive uma relação de ser agraciado, sempre precisará da oferta do perdão, aprendendo também a perdoar, sendo livre pela oferta do perdão.

Só esse Deus a quem Jesus de Nazaré chama de Pai mostra quem realmente nós somos, e a partir dessa descoberta, a completa aceitação de quem somos nesse Deus, e da exploração do nosso real potencial na Graça, pela ação do Espírito Santo. Até porque, como bem alerta Ed René Kivitz: “Quem não crê na ação do Espírito do Santo o Cristianismo não passa de uma filosofia de vida”.

Jesus liberta da religiosidade, da paralisação do moralismo e transporta para um contexto de uma relação de amor. Uma experiência pessoal, real e direta com Deus!

Por isso, prezados, alimente-se da Palavra e nutra esse relacionamento, estabeleça essa reconciliação com o único Deus, esse a quem Jesus chama Aba, Pai.


O oposto da fé não é incredulidade, mas idolatriaPapa Francisco


Texto escrito por: 
João Carlos Leme da Costa
jclemedacosta.adv@hotmail.com
Advogado


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quarta-feira, 24 de junho de 2015

A culpa é de quem?




Nunca é fácil admitir nossos erros. Assumirmos a responsabilidade por termos falhado. Pelo contrário, repetidas vezes atribuímos a culpa à outra pessoa. Aconteceu isso, mas se “fulano” tivesse feito diferente não teria acontecido. A culpa nunca é nossa, sempre é do outro.

Esquivar-se de nossos erros e fugir de nossas responsabilidades não é novidade. Adão e Eva também assim fizeram, como revela o terceiro capítulo do Livro do Gênesis. A serpente seduziu Eva, aguçou sua curiosidade, e pelo embuste e certamente muito mais pelo desejo particular, a “mãe dos viventes” provou do fruto da árvore proibida.  Adão por sua vez, sem hesitar, igualmente comeu do mesmo fruto. Os dois foram desobedientes, não observando preceito divino.

Após a transgressão o homem e a mulher foram tomados pela vergonha. É exatamente assim que nos sentimos quando pecamos, especialmente quando somos apanhados, não só por nossa própria consciência, mas pelo olhar de desapontamento e reprovação de um terceiro.

Imediatamente quando questionado sobre o que havia acontecido, o homem respondeu: “A mulher que pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto, e eu comi”. Foi a primeira lamentação feita pelo homem, até então, Adão não havia se queixado, como se Deus fosse culpado pelos erros cometidos pela criação. Adão não admitiu sua falta. Justificou-se dizendo que a responsabilidade era da mulher. Eva, da mesma forma, disse ter sido enganada, e acusou a serpente.

Nem o homem e nem a mulher tiveram coragem de assumir que falharam. Não reconheceram nem de forma parcial a própria culpa. Procuraram esquivar-se da responsabilidade pelo seu erro. Não foram capazes de admitir: a culpa foi minha!

É mais fácil culpar os outros sem precisar pedir desculpas. Assim não é necessário ficar com o orgulho ferido e admitir as falhas, limitações e imperfeições, inerentes de cada ser humano. Reconhecer os próprios erros e pedir perdão é um grande desafio.

Muitas feridas ficam abertas quando não há reconciliação, quando não se perdoa e não se é perdoado. O primeiro passo é reconhecer-se pecador: “Não consigo ser perfeito, perdoe-me, abraça-me, preciso do seu carinho e da sua compreensão para seguir em paz. Vou esforçar-me para tentar não repetir o mesmo erro”.

O pecado nos afasta de Deus, arranca-nos do paraíso, rouba nossa tranquilidade e as consequências são sempre penosas, seja para nós mesmos ou para quem vive a nossa volta. Deus é todo misericórdia, não devemos ter vergonha de confessar-Lhe nossos erros. Da mesma forma, cunhados à Sua imagem e semelhança, também aos nossos pares, devemos pedir desculpas quando falhamos.

Provavelmente iremos falhar muitas vezes. É preciso calma, a jornada da vida é longa. Reconhecer nossa culpa e pedir perdão é importante. Quando o caminho é percorrido ao lado de Deus e das pessoas que amamos, o jugo é menos pesado, e encontramos alívio diante das aflições.
  

 Jeandré C. Castelon

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No Jornal: Gazeta de Toledo

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Planos Municipais de Educação e a ideologia de gênero



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Em 2014, em Brasília, o Congresso não permitiu que a ideologia de gênero fosse implantada como meta, quando da votação do Plano Nacional de Educação - PNE. Em 2015 o tema novamente volta a ser objeto de discussão. Todos os municípios do Brasil, até o dia 24 de junho, devem aprovar seus Planos Municipais de Educação – PMEs, podendo incluir ou não a ideologia de gênero na educação infantil.

A ideologia de gênero, em resumo, prega que não existem diferenças naturais entre o masculino e feminino, entre homem e mulher. A criança deve ser educada de forma neutra, para depois escolher qual denominação sexual irá adotar. Inclusive há propostas para utilização de banheiros unissex, para meninos e meninas nas escolas e nas universidades.

Recentemente a Presidência da República, por meio da Comissão de Direitos Humanos, aprovou a Resolução nº 12, que estabelece que em todos os locais de ensino do país, a criança ou jovem tem o direito de usar o banheiro segundo sua opção íntima. Ou seja, um estudante do sexo masculino (bem intencionado ou não), poderá frequentar livremente o banheiro feminino, e vice-versa. Também poderá exigir ser chamado pelo “nome social” que vier a adotar.

A ideologia de gênero é extremamente prejudicial às nossas famílias. Relativiza de forma absurda a sexualidade humana, como se não houvesse qualquer diferença física, cromossômica, hormonal ou biológica entre seres humanos nascidos homens ou mulheres. O absurdo é tamanho, que há também os que defendem a pedofilia, chamando a relação íntima entre o adulto (de qualquer idade) com a criança (podendo ser de 12, 13, 14,... anos) de “amor entre gerações”.

Ser contrário a ideologia de gênero, em hipótese alguma é ser homofônico. Preservar a inocência infantil, em nada fere a opção sexual do individuo adulto, plenamente capaz de expressar suas vontades e ser responsável por suas escolhas. Todo ser humano é digno de ser tratado com respeito, independentemente de suas opções íntimas.

Há um ataque sem precedentes contra a família. Hoje em dia conta-se com a dissolução rápida e fácil do matrimônio, que desde 2010, só fez crescer as estatísticas de divórcios. Há Projetos de Lei para a aprovação do aborto, seja até a 12ª semana de gestação, seja a qualquer tempo (tudo pago pelo SUS, ou melhor, pago com o nosso dinheiro recolhido através dos impostos).

Certamente, se aprovada, a implantação da ideologia de gênero prejudicará de forma sem precedentes o desenvolvimento das crianças, e afetará negativamente toda a sociedade, pois, as mesmas crescerão sem poder contar com o modelo referencial do masculino ou do feminino.


“O futuro da humanidade passa pela família” (São João Paulo II). Se a família vai mal, o reflexo é sentido em todos os âmbitos sociais. Rogo a todos os que estão no poder, para que permitam que os meninos possam crescer e serem educados como meninos e que as meninas possam ser educadas e crescerem  como meninas, como tem sido a milhares de anos, desde os primórdios da humanidade. 

Jeandré C. Castelon

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Nos Jornais: O Paraná / Gazeta de Toledo

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Corpus Christi e o milagre de Lanciano



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Sessenta dias após o Domingo de Páscoa, na primeira quinta-feira após a exaltação ao mistério da Santíssima Trindade que acontece no domingo precedente, os católicos celebram a festa de “Corpus Christi”.

A Festa de Corpus Christi surgiu na Bélgica durante o século XIII. Pouco tempo depois já havia se espalhado para outras partes da Europa e logo se consolidou como festa litúrgica anual em honra à Sagrada Eucaristia, comemorada por toda a Igreja.

Durante a celebração do Corpus Christi, carregado pelo sacerdote, o Santíssimo Sacramento sai em procissão pelas ruas, que normalmente são enfeitadas pela comunidade (com tapetes confeccionados com diferentes tipos de materiais), seguido pelo povo que agradece a Deus pela instituição da Eucaristia, onde o próprio Jesus se faz presente.

Segundo o Catecismo da Igreja Católica (§1324), “A Eucaristia é fonte e cume de toda a vida cristã. Os restantes sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e obras de apostolado, estão vinculados com a sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Com efeito, na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, nossa Páscoa.”.

Ao longo dos séculos muitos foram os relatos de milagres eucarísticos, em diversos lugares do mundo. Sem dúvida, dentre eles, o mais conhecido e impressionante é o Milagre de Lanciano. A história narra que no século VIII, havia um monge da cidade de Lanciano (Itália) que não acreditava na presença real de Jesus na Eucaristia. Durante uma missa quando da consagração do pão e do vinho, a Hóstia consagrada transformou-se em carne e o Vinho consagrado em sangue.

Mesmo depois de aproximadamente 1.300 anos, a carne e o sangue conservam-se como se tivessem sido recolhidos no presente dia, com todas as características de tecidos humanos vivos. A carne pertence ao miocárdio (coração) e o sangue pertence ao grupo AB, que é comum entre os judeus.

Com o propósito de se verificar a autenticidade do referido milagre, em 1970, as relíquias foram submetidas à análise científica. As investigações foram feitas em laboratório, pelos professores Linoli e Bertelli, este último da Universidade de Siena. Em 4 de março de 1971, os cientistas apresentaram a seguinte conclusão: "A Carne é verdadeiramente carne. O Sangue é verdadeiro sangue. Um e outro são carne e sangue humanos. A carne e o sangue são do mesmo grupo sanguíneo (AB). A carne e o sangue são de uma pessoa viva. O diagrama deste sangue corresponde a de um sangue humano que tenha sido retirado de um corpo humano naquele dia mesmo. A Carne é constituída de tecido muscular do coração (miocárdio). A conservação destas relíquias, deixadas em estado natural durante séculos e expostas à ação de agentes físicos, atmosféricos e biológicos, permanece um fenômeno extraordinário". Cópia do documento conclusivo poderá ser acessada no seguinte endereço: http://goo.gl/ptzuxH (em italiano).

A conclusão da ciência reforça e confirma o que os cristãos, pela fé, já experimentavam, a presença viva de Jesus Cristo Eucarístico, cujo sacrifício é atualizado todos os dias, em todas as partes do mundo em cada uma das missas, e que em especial é celebrado no dia de Corpus Christi.

Jeandré C. Castelon
Milagre eucarístico de Lanciano

sexta-feira, 29 de maio de 2015

“Havia pensado que seria pior”



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Infelizmente o pessimismo tem tomado conta dos brasileiros. Quase que de forma unânime, as pessoas têm se queixado que o presente ano não anda fácil para ninguém. São escândalos de corrupção por todos os lados; o impasse irresolvível entre o governo e professores; aumento dos combustíveis, da energia elétrica, dos alimentos; diminuição da oferta de emprego; demissões.

É sempre verdade que durante períodos de crise, há quem lucre, por mera casualidade ou aproveitando-se do momento. Mas essa não é uma regra, pelo contrário é exceção. Diversos setores caminham claudicantes. A construção civil cada vez mais dá sinais de desaceleração. No comércio as vendas vêem despencando. Empresas reduzindo pela metade o número de seus empregados. O otimismo que outrora imperava entre o povo, estagnou-se nos últimos dias de 2014, quando do “pacotaço” de medidas impopulares impostas pelo governo.

Antes das eleições para presidente e governadores, observava-se ferrenho debate entre os que defendiam a situação frente aos que se manifestavam a favor da oposição. Passados alguns meses, a impopularidade do governo é tamanha que não se vê nas ruas cidadão que tenha a coragem de defender publicamente os atuais governantes.

Espero que o cenário mude, espero verdadeiramente que o país supere o mau momento e imponente se levante. Que as anteriores perspectivas de um futuro mais promissor, finalmente se consolidem. Mas para isso o Brasil precisa mudar. Cada um de nós tem o dever de fazer a sua parte, de lutar contra a corrupção, por menor que seja e em todos os setores da sociedade.

Nosso país precisa urgentemente ser tomado por uma avalanche de moralização. É óbvio que as mudanças deverão ocorrer de forma lenta, e provavelmente nunca se chegará a um grau de completa satisfação. Passou da hora do Brasil ser diferente, das pessoas serem diferentes. Não é possível substituir o povo que aqui está, por outro que eventualmente julguemos ser melhor. Entretanto, é perfeitamente possível que cada um, em seu íntimo, mude seus rumos, tornando-se irrepreensível modelo para os demais.

Até que as circunstancias mudem, mantenho a esperança, “porque, enquanto um homem permanece entre os vivos, há esperança” (Eclesiastes 9,4). Tenho falado em diversas conversas e ocasiões, que espero a chegada do próximo ano, e assim olhando para trás convicto dizer: “havia pensado que seria pior”.


Jeandré C. Castelon

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Nos Jornais: O Paraná / Gazeta de Toledo

domingo, 24 de maio de 2015

Que nenhuma ovelha se perca



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Lucas evangelista aponta as dificuldades e as tensões existentes, entre aos cristãos convertidos do judaísmo e os que provinham do paganismo.  Mostra que tanto o judeu convertido, quanto o estrangeiro que segue Jesus possuem igual dignidade. Também dá especial importância à mulher, figura sem relevância social na época. Destaca que Jesus veio para a salvação de todas as pessoas, mas que precisa dar mais atenção a quem está distante, que corre perigo, que está doente, ou seja, para quem precisa de socorro iminente, afim de que ninguém se perca. Embora a temática diga respeito ao Evangelho escrito por Lucas, bastante relevante citar passagem em Mateus, onde Jesus diz: "Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentesIde e aprendei o que significam estas palavras: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício (Os 6,6). Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores." (Mateus 9, 12-13).

O capítulo 15 do Evangelho segundo Lucas, inicia-se relatando o desejo dos publicanos e dos pecadores (pessoas "impuras”, segundo os fariseus), de ouvirem Jesus, de escutarem a Boa Nova. Ao fundo estão os fariseus e os escribas (que conheciam e cumpriam a Lei de Moisés, que se consideravam melhores que os outros, "puros”), criticam a atitude de Jesus que “recebe e come com pessoas de má-vida!” 

Nas três parábolas que seguem no mesmo capítulo (ovelha perdida, moeda perdia e a do filho pródigo), enfatiza-se a alegria de quem ansiava por encontrar o que estava perdido, por salvar quem estava em situação de vulnerabilidade (pessoas que não faziam parte de determinado grupo, que eram excluídas; atenção especial à mulher, que também é destinatária da Boa Nova do Reino de Deus, protagonista da parábola da moeda perdida; bem como o filho pródigo, que vive longe do Pai, que sofre na distância sem amparo e sem dignidade).

As três parábolas revelam que Jesus anuncia a chegada do Reino a todos, independentemente de classe social, do poder econômico, bem como do nível intelectual. Todos compartilham da mesma dignidade, são amados de igual forma pelo Pai, que não quer ver perdida nenhuma de suas “ovelhas”, que busca encontrar cada um daqueles que estão dispersas pelo mundo.

Para os fariseus e escribas (e também para os saduceus, como destaca Mateus), a recompensa não poderia ser dada àquele que está longe da sombra do Templo, àquele que desconhece a Lei ou não a cumpre incondicionalmente. Era difícil que a classe dominante compreendesse que o Bom Pastor, que é misericórdia, pretende a salvação de cada uma de suas ovelhas.

A sociedade judaica via como sinal de maldição a pobreza, a doença. Consideravam-se superiores aos estrangeiros, aos pagãos, que até então não compartilhavam a mesma religião. Consideravam-se salvos, abençoados por Deus. Enquanto os outros eram indignos do Reino.

Observa-se a atitude egoísta, rancorosa e até mesmo raivosa, de quem se julga superior. Não conseguem perceber que Deus perdoa, basta ao pecador arrependido voltar para os braços do Pai, que sempre o acolherá.

Obviamente que, quem já conhece a Deus, vive melhor, vive na graça, já está presente e compartilha das alegrias de uma verdadeira festa. Quem se arrepende e chega no minuto final, mesmo que receba a acolhida, teve por trás todo um percurso de vida mais difícil, carregado de sofrimentos e angústias, que poderiam desde o início terem sido amenizados pela compaixão de Cristo. Então, para quem já conhece o caminho da santidade, cumpre os mandamentos, já participa de alguma forma do Reino de Deus, que será plenamente revelado quando do encontro definitivo com o Pai.

Os fariseus e os escribas não conseguiam compreender que Deus deseja a salvação de toda a humanidade. Que eles já eram privilegiados, pois já “participavam da festa”, “que não estavam apartados do aprisco”, “que já tinham sido encontrados por Deus”. Precisavam apenas olhar para as pessoas que eram marginalizadas, "que estavam do lado de fora, que ainda não faziam parte da festa”, trazê-las para dentro, enxergá-las como seus semelhantes, como pares, como iguais.  

O Reino de Deus é destinado a todas as pessoas, inclusive àquelas que o Evangelho ainda precisa ser transmitido, revelado. Todos somos filhos do mesmo Deus, amados de igual forma, queridos e desejados por Ele. Não importa a condição em que estamos, se sujos e machucados pelo pecado, se perdidos no mundo, se distantes da casa do Pai. Deus quer a cada um de nós, perscruta nossos corações, vê além das exterioridades. Afinal, fomos todos criados à Sua imagem e semelhança. Tudo isso era difícil de ser entendido pelos fariseus e pelos escribas.


Jeandré C. Castelon 

terça-feira, 19 de maio de 2015

A súplica de Maria


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Tempo atrás, uma determinada senhora foi notícia nos jornais porque estava nua tomando banho numa praça.

Mesmo já passado algum tempo, gostaria de falar um pouco sobre essa mulher. O nome dela é Maria (igual, ao nome da mãe de Jesus, igual ao nome da pecadora arrependida, e também de tantas outras mulheres).

Uma vez a encontrei na Igreja perto daquela praça onde ela tomava banho. Eu havia entrado para fazer uma pequena oração. Cheguei meio sem saber o que dizer ao Senhor e me aproximei do Sacrário, quando de súbito comecei a ouvir uma mulher a recitar a oração do Pai-Nosso em voz alta. De vez em quando, uma frase era trocada por outra, de forma desconexa, mais ainda assim era o Pai-Nosso. Da mesma forma foi rezada uma Ave-Maria.

Quando olhei para trás, vi essa senhora de joelhos, orando. Ela começou pedindo perdão a Deus. Entre as frases que pronunciava, assim dizia: “cuida das minhas crianças”; “cuida da minha mãe, do meu pai, dos meus irmãos”; “obrigado pelo pão de cada dia”; “obrigado pelos remédios”; “Jesus pagou pelos nossos pecados na Cruz”; “desculpa por eu não saber rezar direito”; “Nossa Senhora Aparecida cuida de nós”.

Ela disse ainda, para Deus cuidar do seu corpo, que era templo do Espírito Santo. Ela rezou para Jesus e pediu a intercessão da Virgem Maria. Ela pedia para Deus enxugar suas lágrimas. Não obstante, em nenhum momento ela reclamou da vida, em nenhum momento ela se queixou. Pelo contrário, muito agradecia.

Havia descoberto que seu nome é Maria. Provavelmente é moradora de rua, e segundo informações, também se prostitui. Ela se alimentava algumas vezes numa fraternidade chamada “O Caminho”, onde irmãos Franciscanos servem diariamente de 60 a 70 refeições para pessoas carentes.

O nome dela é Maria. Poderia ter sido minha mãe, minha Irmã, minha amiga. E ela, naquele dia, ensinou-me a rezar. E ela, naquele dia, trouxe para mim a presença de Deus que a muito não sentia com tanta intensidade.

Tudo foi “se encaixando” para que eu escutasse a oração de Maria, para que eu a visse de perto, e soubesse seu nome, e para que ela me ensinasse uma importante lição.

Na Igreja me senti como o fariseu que se vangloriava diante de Deus. E Maria na pessoa do publicano, que “batia no peito”, que “nem ousava olhar para o céu” e reconhecia suas faltas, e que saiu do Templo justificado diante de Deus (Lucas 18, 9-14).

Naquele dia tudo foi “por acaso”. Por acaso entrei na igreja. Por acaso Maria depois de mim, também entrou e fez suas preces. Por acaso encontrei na rua um irmão franciscano da referida fraternidade. Por acaso ela passou próximo de nós, e assim soubemos o seu nome.

E depois daquele dia, não mais a vi, não a encontrei na Igreja de novo. Por onde ela anda? Que Deus te proteja Maria, e proteja também tantas outras pessoas que sofrem e precisam de amparo. Agradeço ao Senhor por ter colocado Maria no meu caminho.


Jeandré C. Castelon

Essa é a Maria:
Maria conversando com um irmão franciscano. Ao fundo tomando banho na praça.

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