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sábado, 13 de julho de 2024

Oração do Serviço à Vida (Oração do Nascituro)

 

Nós vos louvamos, Senhor Deus da Vida.
Bendito sejais, porque nos criaste por amor.
Vossas mãos nos moldaram desde o ventre materno.
Nós vos agradecemos pelos nossos pais, e todas as pessoas que cuidam da vida desde o seu início, até o fim.
Em Vós somos, vivemos e existimos.
Abençoai todos que zelam pela vida humana e a promovem.
Abençoai as gestantes e todos os profissionais da saúde.
Dai às pessoas e às famílias o pão de cada dia, à luz da fé e do amor fraterno.
Nossa Senhora Aparecida, intercedei por nossos nascituros, nossas crianças, nossos jovens, nossos adultos e nossos idosos, para que tenham vida plena em Jesus, que ofereceu sua vida em favor de todos.
Amém!








quarta-feira, 1 de julho de 2015

A troca



A fé e o pensamento caminham juntos, é impossível crer sem pensar.
John Stott


Atualmente presenciamos um fenômeno bem palpável e muito presente no dia a dia da humanidade, a substituição. A imposição de uma suposta necessidade de substituir, de ter sempre o último modelo, subsistindo no elemento da descartabilidade.

Tudo se torna descartável, tudo pode ser substituído, a indústria impõe e reforça esse comportamento. Há divisões e departamentos nas organizações com um único objetivo de tornar obsoleto o recém-lançamento. Com ressalvas as reais inovações, empreender esforços em consertar tornou-se démodé, totalmente out.

Na esteira dessa cultura a prateleira religiosa é numerosa e a substituição está, infelizmente, virando regra. A troca de Deus pelos ídolos do poder, do dinheiro, do lucro, da felicidade, e a mais grave substituição, a troca de Deus pelo próprio homem, pelo seu ego e seu inestimável orgulho.

Quantos por poder, dinheiro e lucro espezinham pessoas e varrem suas dignidades da face da humanidade. Pode causar estranheza quando se fala que pessoas transformam em ídolo a própria felicidade, mas em detrimento dessa busca praticam atrocidades para alcançar o que entendem ser felicidade. Tem agora, a idolatria do corpo perfeito, a doentia busca de atingir o inatingível, usando academia e clínicas de estética e de cirurgia plástica como verdadeiros templos da insanidade.

Todavia a mais grave, ainda é a troca de Deus pelo próprio homem.

Joseph Ratzinger ilustra bem essa realidade exemplificando com a história de dois homens, o fariseu e o publicano, no evangelho de Lucas 18,9-14, é bom frisar que o texto sagrado primeiro fala e se dirige a sua época, ao povo ali e naquele momento, para depois falar ao futuro.

Dois modos distintos de se situar perante Deus e perante si mesmo. O fariseu não olha para Deus, mas apenas para si mesmo, se vangloriando de suas próprias virtudes, se orgulhando de si mesmo, não há nenhuma relação com Deus, pois ele por si mesmo faz tudo corretamente. Deus é, em última instância, dispensável, basta esse homem e apenas sua própria ação, apenas o seu próprio braço forte.

O publicano, por sua vez, olha para si a partir de Deus. O seu olhar é pelo prisma de Deus e a partir daí abre o olhar sobre si mesmo. Deste modo ele sabe que precisa D’ele, sabe que precisa da graça e misericórdia, e que diante dessa misericórdia ele aprenderá a ser ele mesmo misericordioso e assim se tornar semelhante a Deus, ainda que isso seja um horizonte muito distante.

O publicano precisa do Deus e, porque O conhece vive uma relação de ser agraciado, sempre precisará da oferta do perdão, aprendendo também a perdoar, sendo livre pela oferta do perdão.

Só esse Deus a quem Jesus de Nazaré chama de Pai mostra quem realmente nós somos, e a partir dessa descoberta, a completa aceitação de quem somos nesse Deus, e da exploração do nosso real potencial na Graça, pela ação do Espírito Santo. Até porque, como bem alerta Ed René Kivitz: “Quem não crê na ação do Espírito do Santo o Cristianismo não passa de uma filosofia de vida”.

Jesus liberta da religiosidade, da paralisação do moralismo e transporta para um contexto de uma relação de amor. Uma experiência pessoal, real e direta com Deus!

Por isso, prezados, alimente-se da Palavra e nutra esse relacionamento, estabeleça essa reconciliação com o único Deus, esse a quem Jesus chama Aba, Pai.


O oposto da fé não é incredulidade, mas idolatriaPapa Francisco


Texto escrito por: 
João Carlos Leme da Costa
jclemedacosta.adv@hotmail.com
Advogado


Imagem: http://migre.me/qzeyT

domingo, 24 de maio de 2015

Que nenhuma ovelha se perca



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Lucas evangelista aponta as dificuldades e as tensões existentes, entre aos cristãos convertidos do judaísmo e os que provinham do paganismo.  Mostra que tanto o judeu convertido, quanto o estrangeiro que segue Jesus possuem igual dignidade. Também dá especial importância à mulher, figura sem relevância social na época. Destaca que Jesus veio para a salvação de todas as pessoas, mas que precisa dar mais atenção a quem está distante, que corre perigo, que está doente, ou seja, para quem precisa de socorro iminente, afim de que ninguém se perca. Embora a temática diga respeito ao Evangelho escrito por Lucas, bastante relevante citar passagem em Mateus, onde Jesus diz: "Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentesIde e aprendei o que significam estas palavras: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício (Os 6,6). Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores." (Mateus 9, 12-13).

O capítulo 15 do Evangelho segundo Lucas, inicia-se relatando o desejo dos publicanos e dos pecadores (pessoas "impuras”, segundo os fariseus), de ouvirem Jesus, de escutarem a Boa Nova. Ao fundo estão os fariseus e os escribas (que conheciam e cumpriam a Lei de Moisés, que se consideravam melhores que os outros, "puros”), criticam a atitude de Jesus que “recebe e come com pessoas de má-vida!” 

Nas três parábolas que seguem no mesmo capítulo (ovelha perdida, moeda perdia e a do filho pródigo), enfatiza-se a alegria de quem ansiava por encontrar o que estava perdido, por salvar quem estava em situação de vulnerabilidade (pessoas que não faziam parte de determinado grupo, que eram excluídas; atenção especial à mulher, que também é destinatária da Boa Nova do Reino de Deus, protagonista da parábola da moeda perdida; bem como o filho pródigo, que vive longe do Pai, que sofre na distância sem amparo e sem dignidade).

As três parábolas revelam que Jesus anuncia a chegada do Reino a todos, independentemente de classe social, do poder econômico, bem como do nível intelectual. Todos compartilham da mesma dignidade, são amados de igual forma pelo Pai, que não quer ver perdida nenhuma de suas “ovelhas”, que busca encontrar cada um daqueles que estão dispersas pelo mundo.

Para os fariseus e escribas (e também para os saduceus, como destaca Mateus), a recompensa não poderia ser dada àquele que está longe da sombra do Templo, àquele que desconhece a Lei ou não a cumpre incondicionalmente. Era difícil que a classe dominante compreendesse que o Bom Pastor, que é misericórdia, pretende a salvação de cada uma de suas ovelhas.

A sociedade judaica via como sinal de maldição a pobreza, a doença. Consideravam-se superiores aos estrangeiros, aos pagãos, que até então não compartilhavam a mesma religião. Consideravam-se salvos, abençoados por Deus. Enquanto os outros eram indignos do Reino.

Observa-se a atitude egoísta, rancorosa e até mesmo raivosa, de quem se julga superior. Não conseguem perceber que Deus perdoa, basta ao pecador arrependido voltar para os braços do Pai, que sempre o acolherá.

Obviamente que, quem já conhece a Deus, vive melhor, vive na graça, já está presente e compartilha das alegrias de uma verdadeira festa. Quem se arrepende e chega no minuto final, mesmo que receba a acolhida, teve por trás todo um percurso de vida mais difícil, carregado de sofrimentos e angústias, que poderiam desde o início terem sido amenizados pela compaixão de Cristo. Então, para quem já conhece o caminho da santidade, cumpre os mandamentos, já participa de alguma forma do Reino de Deus, que será plenamente revelado quando do encontro definitivo com o Pai.

Os fariseus e os escribas não conseguiam compreender que Deus deseja a salvação de toda a humanidade. Que eles já eram privilegiados, pois já “participavam da festa”, “que não estavam apartados do aprisco”, “que já tinham sido encontrados por Deus”. Precisavam apenas olhar para as pessoas que eram marginalizadas, "que estavam do lado de fora, que ainda não faziam parte da festa”, trazê-las para dentro, enxergá-las como seus semelhantes, como pares, como iguais.  

O Reino de Deus é destinado a todas as pessoas, inclusive àquelas que o Evangelho ainda precisa ser transmitido, revelado. Todos somos filhos do mesmo Deus, amados de igual forma, queridos e desejados por Ele. Não importa a condição em que estamos, se sujos e machucados pelo pecado, se perdidos no mundo, se distantes da casa do Pai. Deus quer a cada um de nós, perscruta nossos corações, vê além das exterioridades. Afinal, fomos todos criados à Sua imagem e semelhança. Tudo isso era difícil de ser entendido pelos fariseus e pelos escribas.


Jeandré C. Castelon 

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