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sexta-feira, 2 de março de 2018

O que Paulo escreveu sobre si mesmo?



Sou Israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. (Rm 11,1)
  



«Faço-vos saber, irmãos, que o Evangelho por mim anunciado, não o conheci à maneira humana; pois eu não o recebi nem aprendi de homem algum, mas por uma revelação de Jesus Cristo. Ouvistes falar do meu procedimento outrora no judaísmo: com que excesso perseguia a igreja de Deus e procurava devastá-la; e no judaísmo ultrapassava a muitos dos compatriotas da minha idade, tão zeloso eu era das tradições dos meus pais.
Mas, quando aprouve a Deus – que me escolheu desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça – revelar o seu Filho em mim, para que o anuncie como Evangelho entre os gentios, não fui logo consultar criatura humana alguma, nem subi a Jerusalém para ir ter com os que se tornaram Apóstolos antes de mim. Parti, sim, para a Arábia e voltei outra vez a Damasco.
A seguir, passados três anos, subi a Jerusalém, para conhecer a Cefas, e fiquei com ele durante quinze dias. Mas não vi nenhum outro Apóstolo, a não ser Tiago, o irmão do Senhor. O que vos escrevo, digo-o diante de Deus: não estou a mentir.
Seguidamente, fui para as regiões da Síria e da Cilícia. Mas não era pessoalmente conhecido das igrejas de Cristo que estão na Judeia. Apenas tinham ouvido dizer: «Aquele que nos perseguia outrora, anuncia agora, como Evangelho, a fé que então devastava.» E, por causa de mim, glorificavam a Deus» (Gl 1,11-23).



«São hebreus? Também eu. São israelitas? Também eu. São descendentes de Abraão? Também eu. São ministros de Cristo? – Falo a delirar – eu ainda mais: muito mais pelos trabalhos, muito mais pelas prisões, imensamente mais pelos açoites, muitas vezes em perigo de morte.
Cinco vezes recebi dos Judeus os quarenta açoites menos um. Três vezes fui flagelado com vergastadas, uma vez apedrejado, três vezes naufraguei, e passei uma noite e um dia no alto mar. Viagens a pé sem conta, perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte dos meus irmãos de raça, perigos da parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos da parte dos falsos irmãos! Trabalhos e duras fadigas, muitas noites sem dormir, fome e sede, frequentes jejuns, frio e nudez!
Além de outras coisas, a minha preocupação quotidiana, a solicitude por todas as igrejas! Quem é fraco, sem que eu o seja também? Quem tropeça, sem que eu me sinta queimar de dor? Se é mesmo preciso gloriar-se, é da minha fraqueza que me gloriarei. O Deus e Pai do Senhor Jesus, que é bendito para sempre, sabe que não minto» (2 Cor 11,22-31).

Imagem: http://www.a12.com/source/files/originals/paulo.jpg


domingo, 26 de julho de 2015

Cuidar-se e evitar exageros





“Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.” (I Coríntios 6, 12)

Este versículo escrito por São Paulo aos Coríntios, no primeiro século da era cristã, resume muito bem o que é realmente ser livre. Poder fazer tudo o que se quer, sem prejudicar o próximo e nem a si mesmo. Até porque, embora autônomo no exercício dos desejos, ninguém fica imune às consequências dos seus atos.

Se o corpo é mal tratado, cedo ou tarde o organismo dará sinais de fragilidade e suplicará por socorro. Também a família e os amigos merecem cuidados. Estreitar laços é importante. Igualmente os excessos precisam ser evitados. É melhor pôr-se vigilante, enquanto há tempo.  

Os afazeres diários também merecem atenção. Não se deve exagerar na carga de trabalho, nem esquivar-se totalmente dele. De que adianta o labor exaustivo dia após dia, ano após ano, se o convívio familiar for prejudicado, se não houver amigos. De que adianta um bom emprego, uma pomposa posição social, se o lar estiver em ruínas. O trabalho é importante, de fato dignifica o homem, no entanto, não pode ser o único sentido da vida.

Existem os que de tanto trabalhar se esquecem de viver. Por outro lado, há também os que não fazem absolutamente nada, apenas vivem de sugar, como faz um parasita, os frutos do trabalho alheio. São Paulo em sua segunda carta aos Tessalonicenses exorta no seguinte: “... soubemos que entre vós há alguns desordeiros, vadios, que só se preocupam em intrometer-se em assuntos alheios. A esses indivíduos ordenamos e exortamos a que se dediquem tranqüilamente ao trabalho para merecerem ganhar o que comer. Vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem” (cap. 3, 11-13). É prejudicial estar em qualquer lado desses opostos extremos.

Preocupar-se com os outros é de suma importância, mas não devemos nos esquecer de nós mesmos. O cuidado pessoal, sem se entregar aos exageros também é uma forma de demonstrar amor pelas pessoas com quem nos importamos, já que uma vida equilibrada e saudável tende a ser mais duradoura, e assim é possível aumentar a quantidade de momentos felizes compartilhados ao lado de indivíduos imprescindíveis.

 Se você ama alguém, cuide de sua saúde, para que possa permanecer mais tempo com a pessoa amada. O desleixo, a falta de zelo com o corpo e com a mente, principalmente quando entregues aos vícios e à promiscuidade, encurtam a vida. Não seja escravo do trabalho ou totalmente avesso a ele. Mesmo que você não tenha ninguém, que viva absolutamente só, cuide-se mesmo assim, afinal é possível ser útil, ajudar pessoas, fazer a diferença na história daqueles que não possuem mais nada, mas que podem oferecer muito, acrescentar valores impagáveis e ajudar-nos a encontrar o sentido da vida.

Encontrar o equilíbrio é um desafio para o homem moderno, que vive submisso e preso a um sistema que esgota as forças, que suprime o precioso e cada vez mais escasso tempo, que cumula stress e priva momentos agradáveis. É preciso ser diligente na busca da felicidade, sendo prudente ao tomar decisões. Afinal de contas: “tudo me é permitido, mas nem tudo convém”.

Jeandré C. Castelon

Imagem: http://migre.me/qVCvS

Nos Jornais: Gazeta de Toledo / O Paraná / Umuarama Ilustrado

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