sábado, 25 de abril de 2015

É permitido comungar mais de uma vez no mesmo dia?


Após a leitura, "curta" e "compartilhe", para ajudar na divulgação do texto.

Antes de tudo, vejamos quais são os cinco preceitos da Igreja:

1.    Participar na Missa, aos domingos e festas de guarda.

2.     Confessar os pecados ao menos uma vez cada ano.

3.     Comungar o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa.

4.     Guardar a abstinência e jejuar nos dias determinados pela Igreja.

5.    Contribuir para as necessidades materiais da Igreja, segundo as possibilidades.

Observando-se os “mandamentos da Igreja”, verifica-se que pouquíssimo  é exigido dos fieis. O católico somente estaria obrigado a comungar, caso não haja impedimento, uma vez por ano. Então, não há pecado algum em ir à Missa semanalmente e não receber a Eucaristia. Enquanto que, faltar à Missa dominical e nos dias de guarda é considerado pela Igreja pecado grave (quando há plena consciência e anuência livre ao erro).

Também, o fiel não é obrigado a frequentar mais que 1 Missa aos domingos (ou na noite do sábado precedente), e pode, por opção pessoal, comungar em apenas 1 Celebração Eucarística, caso decida por participar de várias celebrações durante o mesmo dia. Neste, comunga-se uma vez em espécie (pão e/ou vinho) e as outras vezes de forma “espiritual”.

O Código de Direito Canônico, no cânon 917 estabelece que:

Cân. 917 — Quem tiver recebido a santíssima Eucaristia pode voltar a recebê-la de novo no mesmo dia, mas somente dentro da celebração eucarística em que participe, salvo o prescrito no cân. 921, § 2.

O Cânon 921, § 2, trata de situação de “perigo de morte”, quando neste caso, mesmo que o fiel já tenha comungado na Missa, recomenda-se que comungue de novo. 

O Código de Direito Canônico nos ensina que é permitido comungar 2 vezes por dia, desde que, durante a participação da Missa. Uma 3ª vez, somente seria recomendada no caso de perigo de morte (Cânon 921, § 2).

Antes de promulgação do atual Código de Direito Canônico em 25.01.1983,  era restrito ao fiel comungar apenas 1 vez por dia.


Apenas o sacerdote é obrigado a receber a Santa Comunhão em cada Missa que celebra.




quarta-feira, 22 de abril de 2015

Abraão, o pai de três religiões: Shalom! Salamaleico! Paz!



Após a leitura, "curta" e "compartilhe", para ajudar na divulgação do texto.

Tenho um colega, que depois de uma longa, mas não enfadonha conversa, tornou-se meu amigo. Falamos sobre Jesus, e sobre a Bíblia. Eu sou católico e ele é evangélico. Em nenhum momento da conversa falamos de nossas diferenças, em nenhum momento da conversa tentamos atrair um ao outro para a igreja onde congregamos.

Durante todo o tempo só falamos daquilo que nos une. Sem ofensas. Sem proselitismo. E assim deveria ser sempre, como todas as pessoas de diferentes denominações religiosas.

No mundo todo, mais de oito em cada dez pessoas declaram pertencer a algum grupo religioso (84% da população mundial). Isso é resultado de um levantamento demográfico global em mais de 230 países e territórios realizado pelo Fórum do Centro de Pesquisas Pew sobre Religião e Vida Pública. Segundo esta pesquisa, no mundo, existem 2,2 bilhões de cristãos, 1,6 bilhões de muçulmanos, 1 bilhão de hindus, quase 500 milhões de budistas e 14 milhões de judeus (e, aproximadamente 460 milhões de pessoas praticam outras religiões).

Embora os judeus sejam menos de 1% da população mundial, junto com os cristãos e muçulmanos, compõem as três maiores religiões monoteístas do mundo, somando mais da metade da população mundial.

Interessante é que, tanto o cristianismo, islamismo e judaísmo têm o mesmo Patriarca: Abraão. Os judeus e também os cristãos descendem de Isaque, filho de Abraão. Os muçulmanos são descendentes de Ismael, também filho de Abraão.  

Outro dado interessante é que as pessoas que pertencem a estas três religiões, pelo menos nos ambientes de celebração, cumprimentam-se desejando “paz”. Os judeus dizem “Shalom”, os muçulmanos “salamaleico”.

Como dito, a maioria absoluta da população mundial possui uma mesma veia religiosa, tem o mesmo pai, e todos desejam a paz. Entretanto, qual é o motivo para que todos não vivam em harmonia?

Certamente que a maior limosidade religiosa paira sobre os muçulmanos e judeus, entre Palestinos e Israelitas. Os cristãos por várias partes do mundo também sofrem perseguições.

Católicos e protestantes têm muito mais semelhanças que diferenças, todos são cristãos. Ambos crêem em Deus Pai, em Jesus e no Espírito Santo.

Talvez seja a mais absurda das utopias, mas, gostaria que no mundo todo, as pessoas pudessem viver de forma digna, em absoluta paz, sem que ninguém fosse perseguido por causa de diferenças, sem que ninguém fosse incomodado por causa de sua fé.  Que um ser humano tratasse verdadeiramente o seu próximo como um irmão. Que mais pessoas, como eu e meu amigo protestante, pudessem dialogar em paz, e estreitar os laços de amizade. Afinal, viemos todos de um mesmo lugar, e quando terminar nossa peregrinação na Terra, também todos passaremos pela mesma experiência. Não existe maior igualdade possível entre os homens, do que no nascimento e na morte, então não há motivos para nos tratarmos com indiferença e desigualdade. Paz!


Jeandré C. Castelon


No jornal:
http://www.gazetatoledo.com.br/NOTICIA/15583/SHALOM_SALAMALEICO_PAZ#.VTjgPCFViko

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Em perfeita companhia


Após a leitura, "curta" e "compartilhe", para ajudar na divulgação do texto.

Numa noite dessas, minha esposa e eu lemos o trecho da Bíblia que descreve a criação da mulher (Gênesis 2,18-24). Não há, obviamente, como determinar se o relato da criação tenha sido literalmente da maneira como ali escrito. A Bíblia não é um livro comum de história como com os quais estudamos na escola, é um livro de religião. E o mais importante, é a mensagem e a forma como nosso coração reage quando é tocado pela transformadora Palavra.

O Texto Sagrado conta que primeiro Deus fez o homem e após todas as outras criaturas. Mas percebeu que o varão não encontrava companhia adequada, em meio a toda a criação. O homem foi tomado de um profundo sono, mandado por Deus, que, retirou-lhe uma costela, e a partir dela fez a mulher.

Quando o homem vislumbrou a mulher, sem sobra de dúvidas, ficou extremamente feliz, afinal era “osso de seus ossos e a carne de sua carne”. Ou seja, era semelhante a ele, embora repleta de inefáveis diferenças.

Homens e mulheres não são de forma alguma iguais. Eu não seria capaz de asseverar tamanho disparate. Quando na realidade são seres muito diferentes. Exceto perante a sociedade civil, quando devem fruir dos mesmos direitos, oportunidades e obrigações.

Sublime é saber que tudo que o homem não tem é suprido pela mulher, e da mesma forma a mulher se completa com o homem. Não falo só de distinções físicas, mas de toda uma perfeita gama de disparidades tão heterogêneas, que somente pela mão do Criador poderiam ter sido feitas.

No mesmo fragmento do texto, revela-se a instituição do casamento: “Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne.”

Assim, esses dois seres até então incompletos, após a união conjugal, suprem-se um ao outro, preenchendo as carências e debilidades da cada um (ou pelo menos assim deveria ser), pois agora unidos, são intensos e inexcedíveis.

Tenho certeza, se com minha esposa somos apenas um, a minha melhor parte é ela. E, quando terminamos a leitura daqueles parágrafos do Gênesis, agradeci a Deus, por ter-me dado tão irretocável companheira.       

Concluo parafraseando Matthew Henry (1662-1714), relevante escritor, que assim se referiu sobre a criação de Eva: "não foi feita a partir da cabeça do homem, para não ter domínio sobre ele, nem foi feita de seus pés, para que não fosse pisada por ele, mas, do seu lado, para ser de igual valor a ele, debaixo de seus braços, para ser protegida e perto de seu coração, para ser amada".


quarta-feira, 1 de abril de 2015

Menores infratores

Após a leitura, "curta" e "compartilhe", para ajudar na divulgação do texto.

A estatística contraria os argumentos lançados pelos defensores da diminuição da maioridade penal para 16 anos. Dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça revelam que os menores de 16 a 18 anos (faixa etária que seria atingida pela possível redução da maioridade penal) cometem menos de 1% dos crimes praticados no Brasil. Considerando-se apenas os crimes contra a vida, o percentual cai para 0,5%.

Os crimes mais praticados por menores são roubos e furtos. De acordo com informações do Conselho Nacional de Justiça, a maioria dos adolescentes, 47,5%, comete o primeiro crime entre os 15 e os 17 anos. E 9% começam ainda na infância, entre os 7 e os 11 anos de idade. O que mais chama a atenção é que 60% dos menores infratores não estudavam na época que cometeram o primeiro crime, e 75% usavam drogas. 

Pela análise dos dados, chega-se a conclusão de que o governo precisa investir mais em educação, cultura, esporte e lazer, para que as crianças tenham chance de um futuro melhor, livre da violência e principalmente livre das drogas, que escravizam e matam jovens e adultos.

Se a criança passasse mais tempo na escola, inclusive realizando atividades em contraturno, se tiver uma boa estrutura familiar (daí a importância fundamental do resgate de valores familiares), passará menos tempo na rua, e será diminuta a chance de ser vítima do assédio de criminosos, que usurpam sua infância, usando-as como “escudo” para o crime.

Também não se pode olvidar que o sistema penitenciário brasileiro está longe de ser modelo de reabilitação e restauração de pessoas. Pelo contrário, a reincidência criminal no Brasil é de 70%, uma das mais altas do mundo, segundo dados também do Conselho Nacional de Justiça.

Esse imbróglio poderia ser evitado, poderíamos ter menos jovens infratores e natural diminuição do número de criminosos adultos também. O povo brasileiro grita pedindo socorro. Clama por medidas políticas honestas e sensatas, para que o dinheiro público seja bem aplicado e atenda aos interesses e necessidades da nação. As pessoas precisam ter acesso pleno à educação, saúde e emprego. Infelizmente a violência também é mais uma trágica consequência dessa maldita chaga que toma conta do país: a corrupção.

 Jeandré C. Castelon


Dócil e útil criatura




O jumento é um animal que está presente em quase todo o planeta, exceto em lugares mais frios. É famoso por sua grande capacidade de resistência física. É de porte menor, quando comparado com o cavalo, mais baixo, menos imponente. É um animal dócil, inteligente e dotado de grande senso de sobrevivência. 

Animal muito utilizado para o transporte de cargas e para tração, mas que também pode transportar pessoas. Foi e ainda é muito utilizado no Brasil, principalmente pelo povo nordestino. No Nordeste é muito respeitado, ao ponto de Luiz Gonzaga render-lhe homenagens através da canção “Apologia ao Jumento” onde eleva o quadrúpede à condição de irmão: “O jumento é nosso irmão, quer queira, quer não.”

Na história do povo da Bíblia o jumento é várias vezes citado, seja no Antigo, como no Novo Testamento, certamente por sua importância no serviço às pessoas. A palavra jumento aparece 93 vezes em todo o Texto Sagrado, enquanto o diminutivo jumentinho, 14.

De todas essas vezes em que o nome do animal é mencionado, destaco dois episódios. O primeiro, quando Sansão apanhou uma queixada de jumento, e com ela feriu mil homens em batalha (Juízes 15, 15), pouco antes de apaixonar-se por Dalila, que foi a responsável por cortar seus cabelos e entregá-lo aos filisteus. O segundo, quando Jesus entrou triunfante em Jerusalém, conforme relatam os quatro Evangelhos, no Domingo antes de sua Paixão, Morte e Ressurreição. Nos nossos dias, celebramos a memória deste acontecimento na Festa do Domingo de Ramos.

O jumento é o animal símbolo da paz. Certamente se tivesse Jesus ingressado em Jerusalém montado num cavalo, animal utilizado em batalhas, o povo compreenderia como sinal da chegada de um Messias guerreiro, que com o uso da violência libertaria o povo judeu. Quando ao contrário, Jesus foi o servo sofredor, que sobre si tomou toda a nossa culpa (Isaias 53).

Lucas (19, 30-38) relata que sobre o jumentinho montado por Jesus foram colocados mantos, assim como por onde o jumento passava igualmente mantos foram lançados pelo caminho. O povo todo tomado de alegria, louvava a Deus e aclamava por todo o percurso. João (12, 13) acrescenta que a multidão acenava com ramos de palmas.

Era o jumento que caminhava coberto pelo manto. Foi ele que pisou no caminho feito com mantos e ramos (Marcos 11,8). Por onde passava o povo acenava com os galhos. Mas nada disso era para o dócil animal. Tudo era para Jesus.

Assim também nós, revestidos pela graça de Deus, caminhando sustentados por sua fidelidade, não devemos nos esquecer de agir como o jumentinho, que com a cabeça voltada para baixo (num gesto de humildade), transportou Jesus ao encontro de outras pessoas. Sem se apropriar da gloria e da honra que são de Cristo, foi útil ao Senhor. Que bom seria se cada cristão também fosse instrumento capaz de apresentar  Jesus aos seus irmãos.
   

Jeandré C. Castelon


quinta-feira, 26 de março de 2015

Educação, Ética e Família


Após a leitura, ajude na divulgação do texto, clicando em "curtir".

O Brasil precisa de pessoas comprometidas com a educação inclusiva e de qualidade, que debatam e apontem possíveis soluções para os desafios que dificultam a formação das crianças em futuros cidadãos, conscientes dos seus deveres e obrigações.

Inimaginável que um país possa caminhar bem, quando a família vai mal, quando não se tem uma educação de qualidade, quando não se observam princípios éticos. E sobre este último ponto destaco o nosso tão conhecido e muitas vezes aclamado método de se obter vantagens em detrimento aos demais: “o jeitinho brasileiro”.

Perdoem-me os contrários, mas o “jeitinho brasileiro” mancha nossa conduta cidadã. Cortar fila; aproveitar-se para conseguir vantagens por ser amigo ou parente de alguém que ocupa cargo importante; usar a carteirinha da faculdade (onde já se formou há muitos anos), para ingressar em eventos obtendo desconto na entrada; sair do restaurante sem pagar a conta; aplicar “golpes”; entre outros exemplos, são atitudes que infelizmente fazem parte da realidade do povo brasileiro. Chega-se ao cúmulo, já que atitudes assim fazem parte do nosso dia a dia, de muitas pessoas aceitarem a corrupção como algo normal e irreversível.

Aproveito para mencionar também as dificuldades que o professor está enfrentando na escolarização dos jovens. Não raras vezes, o educador é vitima do medo, já que não pode exigir o respeito que lhe é devido, ou cobrar uma atitude responsável do aluno, pois poderá colocar sua integridade física em risco. As crianças de forma geral, não estão sendo educadas em casa, e os pais vociferam ao professor, exigindo do já tão desonrado docente, que dê conta de resolver uma gama de problemas que foram ignorados pela família.

Quando a família vai mal, o reflexo é negativo em toda a sociedade. Por isso, a importância de falarmos sobre Educação, Ética e Família e buscarmos soluções possíveis de serem implantadas, beneficiando toda a nação.

Jeandré C. Castelon




Texto originalmente publicado como "Fórum: Educação,Ética e Família", adaptado para este Blog.


Texto publicado no Bolem on line - Pastoral Familiar - CNBB Regional Sul 2 - Ano VII - Abril-2015. Pág. 17

Nos Jornais:

terça-feira, 24 de março de 2015

Ideologia de gênero e a resolução número 12


Após a leitura, "curta" e "compartilhe", para ajudar na divulgação do texto.

A criança quando nasce não deve ser considerada do sexo masculino ou do sexo feminino. A escolha do sexo será feita posteriormente pelo indivíduo. Ou seja, cada um independente de sua identidade física pode declarar-se pertencente ao sexo oposto. Essa é a chamada identidade de gênero ou ideologia de gênero.
O indivíduo não poderia ser mais tratado como menino ou menina, assim como já acontece na Suécia e na Holanda, onde a definição sexual foi abolida das escolas, onde todos são chamados apenas como crianças, pois quando crescerem é que escolherão entre ser homem ou mulher.
Na Suécia os estudantes meninos não usam uniformes azuis, nem as meninas usam da cor rosa. Lá todos vestem a cor laranja. Também é comum encontrar meninos usando roupas de meninas e vice-versa. Há poucos dias assisti a um vídeo onde um garotinho num parque, jogava futebol de vestido.
As conseqüências destas medidas não foram boas para a Suécia em comparação aos outros países da Europa. Houve um aumento significativo no número de abortos, e também as suecas são as maiores vítimas de violência sexual, entre os países europeus (até porque lá, se um homem diz que é mulher pode freqüentar o banheiro feminino, o problema é quando ele decide voltar a ser homem).
No Brasil, a Presidência da República há poucos dias (12.03.15), por meio do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, vinculado à Secretaria de Direitos Humanos, publicou uma resolução, onde determina o uso de banheiros, vestiários e demais espaços segregados por gênero, quando houver, de acordo com a identidade de gênero de cada sujeito, em todas as instituições e redes de ensino. Caso haja distinções quanto ao uso de uniformes, deve haver a possibilidade do uso conforme a identidade de gênero de cada um. O menino que se declarar menina poderá usar uniforme feminino e freqüentar o banheiro das mulheres (e vice-versa).
A resolução determina ainda que a garantia do reconhecimento da identidade de gênero deve ser estendida a estudantes adolescentes, sem que seja obrigatória a autorização dos pais ou responsáveis. Bem como cada estudante poderá exigir ser tratado pelo seu nome social, independente do nome civil usado na emissão de documentos. Todas essas medidas, segundo o governo, são para combater a discriminação contra alunos transgêneros.
“Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher”. (Gênesis, 1,27).Todo ser humana é criado à imagem e semelhança de Deus, e merece ser respeitado e tratado com dignidade. Uma coisa é respeitar a pessoa, outra coisa bem diferente, é discordar ou concordar com aquilo que ela faz.
Confesso que estas regras muito me preocupam. Há um combate ferrenho contra o modelo de família tradicional, onde existe a presença da figura feminina e da masculina (mesmo que não diretamente através do pai e mãe, mas muitas vezes por meio de outros parentes, como tios e avôs). Será que estamos preparados para tudo isso? Será que tais medidas serão boas para as nossas crianças? Quais as conseqüências para as nossas famílias? Será que não poderia haver pessoas mal intencionadas aproveitando-se da situação?
Jeandré C. Castelon


Texto publicado na Revista Arquidiocesana Catedral. Edição 201. Ano XXV. Maio-Junho de 2015. Pág. 28.

No Jornal:

quarta-feira, 18 de março de 2015

A dignidade que não tem preço




É princípio Cristão que toda pessoa seja tratada com dignidade. A dignidade humana está fundamentada no fato de que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher.” (Genesis 1,27).

Em nossa sociedade secularizada, a dignidade do homem é medida pelo poder que possui. Pelo cargo que ocupa. Pela quantidade de dinheiro que tem.

Antes se adquiria determinados bens justamente pelo conforto de poder usufruir deles. Comprava-se um carro, por exemplo, só para poder ir de um lugar a outro, de forma ágil e confortável. Hoje a propaganda é direcionada a impulsionar as pessoas a comprarem coisas que não precisam para viver, fazendo-as acreditar que quanto mais possuírem, serão mais felizes e ocuparão lugares de maior destaque. Não basta ter um veículo, “é preciso que seja melhor e mais caro que o do vizinho”, e que de preferência “também lhe cause inveja”.

Do mesmo modo, infelizmente, as pessoas de forma geral, tendem a tratar melhor quem está bem vestido, quem aparenta ter dinheiro ou ocupa cargo importante. Esquece-se que o verdadeiro valor do ser humano não deve ser medido pelas exterioridades. Poucos são os que se dispõe a olhar no fundo dos olhos do seu semelhante para alcançar os valores que realmente são relevantes.

Essa falsa concepção de dignidade marginaliza e fere gravemente os mais pobres. Que não raras vezes acabam acreditando que são pessoas sem valor, inferiores, pelo simples fato de não terem acesso ao luxo e ao supérfluo.  Também muitos, dos menos abastados, acabam fazendo sacrifícios enormes, passando por dificuldades financeiras, só para terem o tênis da moda, ou o carro último tipo, que a propagando fez acreditar que quem puder ostentá-lo será mais feliz e respeitado. Sacrifícios vazios, para não se sentirem excluídos, para alcançarem o mesmo patamar dos demais.

Valorizar o ser humano pelo que realmente é importante, pelo que é, e não pelo que tem. Reconhecer sua dignidade simplesmente por ser filho de Deus. Em contrapartida, sentir-se digno sem a necessidade de exteriorizar riqueza e poder. São importantes desafios, autênticas metas de vida.

Não é fácil olhar para o rico e o pobre da mesma maneira. Não é fácil olhar para o mendigo e para o “doutor”, atribuindo-lhes o mesmo peso e a mesma medida. Assim como não é fácil ser medido e julgado por uma sociedade de aparências, voltada ao consumismo. Porém, não se pode esquecer que a autêntica nobreza não tem preço. E que todos precisam reconhecer a verdadeira dignidade que se tem como pessoa, pois cada um é à imagem de Deus.

Jeandré C. Castelon




Nos Jornais:

http://www.jhoje.com.br/Paginas/20150318/opiniao.pdf

http://www.gazetatoledo.com.br/NOTICIA/14459/A_DIGNIDADE_QUE_NAO_TEM_PRECO#.VQwUwI7F_Z9

segunda-feira, 9 de março de 2015

O mapa da fome




                                       Segundo recente relatório realizado pela ONU, houve um decréscimo de pessoas que passam fome no mundo. Contudo, o número de famintos ainda é muito alto, e preocupante. Este levantamento aponta que uma em cada nove pessoas no planeta passa fone, pelo menos 805 milhões de seres humanos, o que representa quatro vezes a população do Brasil.

Este número é ainda maior se isolada a estatística sob a África subsaariana (porção de terras localizada ao sul do Deserto do Saara – pejorativamente chamada de “África Negra”), onde o número de subnutridos é de 25% das pessoas, ou seja, uma em cada quatro. Por sua vez, o Continente Asiático, onde se concentra mais de 60% da população mundial, reúne dois terço dos indivíduos subnutridos do mundo.

No Haiti a situação é ainda mais degradante. Metade da população sofre de desnutrição crônica. Muitos ainda consomem uma espécie de bolacha feita de manteiga misturada ao barro (isso mesmo, eles comem terra), como única fonte de alimento. Os haitianos ainda tentam se recuperar do catastrófico terremoto que destruiu o país em 2010. Curioso é que a vizinha República Dominicana, situado na mesma ilha caribenha, é famosa por receber turistas do mundo inteiro, inclusive brasileiros, que se banqueteiam nos luxuosos resorts all inclusive, onde a comida além de extremamente farta e variada, é servida à vontade.

Tenho plena convicção de que a produção de alimentos no mundo é mais do que suficiente para garantir o sustento digno de todas as pessoas. Mas, a distribuição justa dos víveres esbarra na imensa rocha dos interesses econômicos. O alimento só chega às mesas de quem é capaz de garantir lucro. Da mesma forma o acesso à saúde é restrito às pessoas de maior poder aquisitivo.

No Brasil, também não é diferente, embora a mesma estatística apontar que houve diminuição no número de pessoas desnutridas, ainda muitos sofrem pela falta de alimento. Mesmo na região sul e sudeste, onde se concentra maior desenvolvimento social e econômico, milhares ainda não se alimentam de forma digna.

Certo que estamos diante de um grande problema, difícil de ser solucionado. Porém, se pudermos contribuir só um pouquinho, é possível diminuir o sofrimento daqueles que padecem pela falta de pão. Madre Teresa de Calcutá dizia que não se deve preocupar-se com números, que quem for capaz inicie ajudando uma pessoa por vez, começando com quem estiver mais próximo. Dizia também: “se você não puder alimentar cem pessoas, alimente pelo menos uma”.

Dar de comer a quem tem fome, quem sabe seja a maior das obras de caridade. O profeta Isaias anuncia: “se deres do teu pão ao faminto, se alimentares os pobres, tua luz levantar-se-á na escuridão, e tua noite resplandecerá como o dia pleno” (Is 58,10). Se puder ajudar, comece agora. Comece ofertando um quilo de alimento, ou um litro de leite, sem sobra de dúvidas, fará toda a diferença.

Jeandré C. Castelon



Nos Jornais:



terça-feira, 3 de março de 2015

Eu "não" sou Charlie Hebdo


Após a leitura, "curta" e "compartilhe", para ajudar na divulgação do texto.

Primeiro, destaco que sou contra qualquer tipo de violência. E, lamento muitíssimo a morte das pessoas atingidas pelo atentado contra o jornal francês “Charlie Hebdo”. Mas não posso identificar-me com um jornal que publica diversas imagens, ridicularizando, menosprezando e desprezando diversas religiões, como o Cristianismo, Judaísmo e Islamismo.

Sou Cristão, e portanto, na minha religião Jesus é Deus, com o Pai e o Espírito Santo. É sagrado!

Machuca-me muito ver charges de Jesus, Maria, do Papa e membros da Igreja, como se fossem promíscuos. Cito por exemplo, a charge em que Deus, Jesus e o Espírito Santo estavam tendo relação sexual. Ou então, quando ridicularizaram o nascimento de Jesus. Entre outras.

Reitero que o desrespeito e as ofensas também são dirigidos aos Judeus e Muçulmanos. 

Cumpre ressaltar que a mídia, normalmente não dá muita ênfase quando, Cristãos são baleados, degolados, crucificados, queimados vivos, lapidados, violentados ..., como infelizmente tem acontecido pelo mundo afora.

De janeiro a outubro de 2014, 4.344 Cristãos foram mortos, mais que o dobro das 2.123 vítimas havidas em 2013. Estima-se no mundo que mais de 100 milhões de Cristãos sofrerem perseguições.

A imprensa deve ser livre, e tem todo o direito de se manifestar, assim, como eu tenho o direito da minha liberdade religiosa, de poder ser Cristão sem ser ridicularizado, escarnecido.

O atentado deve ser condenado, assim como qualquer forma de violência deve ser combatida. Agora, não posso identificar-me (“eu sou”) com referido jornal.


Quero paz para viver a minha fé... quero paz para ser de Cristo!

Jeandré C. Castelon




Texto publicado na Revista Arquidiocesana Catedral. Edição 200. Ano XXV. Março-Abril de 2015. Pág. 15.

Comentários: