segunda-feira, 9 de maio de 2016

Pentecostes: O Nascimento da Igreja Missionária


“Consumada a obra que o Pai confiou ao Filho para cumprir na terra, no dia de Pentecostes foi enviado o Espírito Santo para que santificasse continuamente a Igreja. Foi então que a Igreja foi publicamente manifestada diante duma grande multidão e teve o seu início a difusão do Evangelho entre os gentios, por meio da pregação. Porque é convocação de todos os homens à salvação, a Igreja é, por sua própria natureza, missionária, enviada por Cristo a todas as nações, para de todas fazer discípulos. ” (CIC - §767)


No dia de Pentecostes a Santíssima Trindade revelou-Se plenamente. O Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, foi derramado sobre Maria e os apóstolos reunidos no cenáculo de Jerusalém. É o começo do período apostólico. A Igreja Cristã inicia sua trajetória missionária de caráter mundial, no dia de Pentecostes, cinquenta dias após a ressurreição de Jesus, e dez dias depois de sua ascensão ao céu.

O livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 2, conta-nos que: “Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. (...) Pedro lhes respondeu: Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. ”

No Batismo recebemos o Espírito Santo, confirmado de forma mais profunda pelo Sacramento da Crisma. Deus, insondável criador de toda as coisas, também sopra o Santo Espírito quando e onde quer.

A tradição nos leva a crer que os apóstolos estavam reunidos no mesmo local da Última Ceia, onde Jesus instituiu a Eucaristia. Maria e os apóstolos estavam na casa de Marcos, autor de um dos quatro Evangelhos. Estavam em casa, estavam em família.


No cômodo superior de uma casa, reunidos no Cenáculo (ampla sala de jantar), como uma única família, surgia a Igreja, missionária pela efusão do Espírito Santo. Desde o início, pelo exemplo de Jesus Cristo, é desígnio de Deus que a Igreja esteja em movimento, que vá ao encontro das pessoas, que se propague a boa nova do Evangelho por toda a parte.


Jesus não permanecia estático, percorria a Galileia e outras regiões da Palestina, deslocava-se até mesmo para além-fronteiras. A obra missionária do Reino foi transmitida para os apóstolos, depois para os discípulos, e desde então, propagada pelo mundo.


Todo batizado é discípulo missionário, convidado a ser sal da terra e luz do mundo, convidado a fazer a diferença. Mas, para isso, como fizeram os primeiros cristãos, é necessário sair do conforto de nossas casas e ir ao encontro das pessoas que precisam de amparo. Muitas vezes não é necessário ir longe, o necessitado pode estar ao nosso lado, pode ser o nosso vizinho.


O Papa Francisco após retornar da viagem ao México, no dia 23 de fevereiro de 2016, comentando a liturgia do dia, destacou que “o Cristianismo é a religião do fazer, não do dizer”. Ou seja, é preciso ser cristão na prática, realizar boas obras, ser útil à comunidade, sem nunca deixar é claro, de acudir a própria família.


Jeandré C. Castelon
Advogado e membro da Pastoral Familiar







terça-feira, 26 de abril de 2016

O que todo o católico deveria saber



Artigos da fé católica: 


1. Crer em Deus Pai todo-poderoso.

2. E em Jesus Cristo, seu Filho único, Nosso Senhor.

3. Jesus Cristo foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria.

4. Jesus Cristo padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado.

5. Jesus Cristo desceu aos Infernos, ressuscitou dos mortos no terceiro dia.

6. Jesus subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai, todo-poderoso.

7. Donde virá julgar os vivos e os mortos.

8. Creio no Espírito Santo.

9. Creio na Igreja Católica.

10. Creio no perdão dos pecados.

11. Creio na ressurreição da carne.

12. Creio na Vida eterna. 



Os Dez Mandamentos? 


1. Amar a Deus sobre todas as coisas.

2. Não pronunciarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão.

3. Lembra-te de guardar o Dia do Senhor.

4. Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá.

5. Não matarás.

6. Não pecarás contra a castidade.

7. Não roubarás.

8. Não apresentarás um falso testemunho contra teu próximo.

9. Não desejarás a mulher do próximo.

10. Não cobiçarás as coisas alheias. 


Para ajudar a memorização dos dez mandamentos:

1°) AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS 

2°) NÃO TOMAR SEU SANTO NOME EM VÃO 
3°) GUARDAR DOMINGOS E FESTAS DE GUARDA 
4°) HONRAR PAI E MÃE 
5°) NÃO MATAR 
6°) NÃO PECAR CONTRA A CASTIDADE 
7°) NÃO ROUBAR 
8°) NÃO LEVANTAR FALSO TESTEMUNHO 
9°) NÃO DESEJAR A MULHER DO PRÓXIMO 
l0°) NÃO COBIÇAR AS COISAS ALHEIAS



Os Cinco Mandamentos da Igreja?


1. Participar da Missa inteira nos domingos e em outras festas de guarda .

2. Confessar-se ao menos uma vez por ano.

3. Receber o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa da Ressurreição.

4. Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja.

5. Ajudar a igreja em suas necessidades. 



Quais são os dias santos de guarda? 


1. Todos os domingos do ano. 

2. Dia 1º de janeiro, festividade de Santa Maria, Mãe de Deus.

3. Festividade do Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi), celebrada na quinta-feira depois do Domingo da Santíssima Trindade.

4. Dia 8 de dezembro, festividade da Imaculada Conceição da Virgem Maria.

5. Dia 25 de dezembro, Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. 


Observação: há outros dias santos de guarda, contudo, coincidem com o Domingo.



Quais são os sete Sacramentos? 


- Batismo (Mt 28,19)

- Confirmação ou Crisma (At 8,17)

- Eucaristia (Mt 26,26)

- Penitência (Jo 20,23)

- Unção dos Enfermos (Tg 5,14)

- Ordem (Lc 22,19)

- Matrimônio (Mt 19,6)



Quais são as três virtudes teologais? 


Fé 

- Esperança 

- Caridade

(1 Cor 13, 13 e cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 1813) 



Quais são os Sete Dons do Espírito Santo? -


- Sabedoria

- Inteligência

- Conselho

- Fortaleza

- Ciência

- Piedade

- Temor de Deus

(Cfr. IS 11, 2-3 e Catecismo da Igreja Católica, n.1813)





terça-feira, 12 de abril de 2016

Amoris Laetitia: “A alegria do amor”



A Exortação Apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia, publicada em 08.04.16, fala sobre o amor na família, sem introduzir modificações na doutrina da Igreja Católica, tanto com relação ao matrimônio quanto com relação à instituição familiar.

O próprio Papa destacou que, “nem todas as discussões doutrinais, morais ou pastorais devem ser resolvidas através de intervenções magisteriais”, embora houvesse um grande debate nos meios de comunicação ou em publicações, estendendo-se “desde o desejo desenfreado por mudar tudo sem suficiente reflexão ou fundamentação até à atitude que pretende resolver tudo através da aplicação de normas gerais ou deduzindo conclusões excessivas de algumas reflexões teológicas”, reiterou o Pontífice.

A Exortação inicia com sete parágrafos introdutórios, seguidos de nove capítulos e termina com uma oração à Sagrada Família. No total são 325 parágrafos que abordam diferentes temas: Palavra de Deus – ensinamentos bíblicos; situação atual da família; doutrina da Igreja; dois capítulos centrais falam de amor familiar; caminhos pastorais; misericórdia; discernimento pastoral em relação as dificuldades familiares; e, espiritualidade familiar. 

A partir da Bíblia o Papa tece comentários sobre a figura do homem e da mulher, criados por Deus, à sua imagem, unidos numa só carne, capazes de gerar vida. Esta comunhão de pessoas reflete, a imagem da união entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A Bíblia fala de família do início ao fim, desde Adão e Eva, até as núpcias da Esposa e do Cordeiro (Ap. 21, 2.9). O Salmo 127(128), 1-6, canta a alegria de uma família que constrói sua casa sobre a rocha, embora haja muitas que estão firmadas sobre a areia, sendo justamente estas últimas, carentes de um olhar mais misericordioso.

Embora o Papa enalteça o amor familiar, apontando atitudes concretas que ajudam a fortalecer e estreitar laços, unidos a um crescimento espiritual pautado na reflexão dos textos bíblicos, na oração e na Eucaristia, Francisco não deixou de citar uma série de desafios a serem enfrentados pelas famílias: o enfraquecimento da fé e de práticas religiosas; violência; fenômenos migratórios; cultura do provisório; individualismo exagerado; negação ideológica da diferença entre os sexos; mentalidade anti-natalidade; dependência toxicológica, entre outros.

A Exortação Amoris Laetitia é uma grande catequese bíblica, teológica e social, que ressalta a importância do matrimônio e da família. O Papa também destaca que, embora exista uma crise, verifica-se que o desejo pela família permanece vivo, principalmente entre os jovens, e isso é motivo de grande alegria.   

Francisco conclui a Exortação de forma revigorante, encorajando as famílias a viverem a experiência do verdadeiro amor, a superarem percalços e seguirem em frente: “Nenhuma família é uma realidade perfeita e confeccionada duma vez para sempre, mas requer um progressivo amadurecimento da sua capacidade de amar. (…). Todos somos chamados a manter viva a tensão para algo mais além de nós mesmos e dos nossos limites, e cada família deve viver neste estímulo constante. Avancemos, famílias; continuemos a caminhar! (…). Não percamos a esperança por causa dos nossos limites, mas também não renunciemos a procurar a plenitude de amor e comunhão que nos foi prometida”.

Jeandré C. Castelon
Advogado, estudante de teologia e membro da Pastoral Familiar



quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Você sabe o que é: alienação parental?




Alienação parental

Embora o vocábulo possa ser novidade para muitos, a legislação brasileira o contempla desde agosto de 2010, quando da publicação da Lei nº 12.318, que em vigor desde então, dispõe sobre a alienação parental.

Segundo o Instituto Brasileiro de Direito de Família, a alienação parental é uma forma de abuso psicológico que, se caracteriza por um conjunto de práticas efetivadas por um genitor (na maior parte dos casos), denominado alienador, capazes de transformar a consciência de seus filhos, com a intenção de impedir, dificultar ou destruir seus vínculos com o outro genitor, denominado alienado, sem que existam motivos reais que justifiquem essa condição.

A interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente também pode ser promovida pelos avós ou por aqueles que tenham a criança ou adolescente sob a sua guarda. Igual é o resultado: promover o repudio pelo genitor alienado ou prejudicar o vínculo afetivo com o mesmo. O alienador pode levar a criança a sofrer uma completa aversão em relação ao alienado.  

É importante destacar que a alienação parental, prática reprovável e insensível, restringe-se às situações onde um dos genitores é injustamente atacado e impedido de ter contato com os filhos. De forma alguma se pretende acobertar pessoas violentas que podem colocar em risco a integridade física da criança ou da pessoa que detêm sua guarda. Independentemente do resultado negativo da relação havida entre os pais, a criança não merece ser privada do amor e do carinho advindos da parte que, desafortunadamente, não vive mais sob o mesmo teto.

Os homens, maioria absoluta entre as vítimas da alienação parental, comumente vêm sendo privados de conviver com os filhos. Muitas vezes a mãe, magoada com o término da relação, em abominável atitude, vinga-se do ex-cônjuge privando-o do contato com o filho. Não raras vezes há mudança de domicílio, sem notícias do paradeiro. Mesmo em menor número, mulheres também são vitimadas.

Repudio a exposição de qualquer indivíduo a toda espécie de risco à sua segurança. Quando me refiro ao sujeito alienado, vítima da alienação parental, sensibilizo-me com a triste situação de bons pais e de boas mães que desejam estar com os filhos e sofrem por não poderem brincar, abraçar e vê-los crescer. De bons homens e de boas mulheres que ficam durante meses impossibilitados de terem contato com seus filhos, por mero capricho do alienador.  

Os prejuízos psicológicos ocasionados pela alienação são contundentes, e poderão ser irreparáveis. A lei 12.318/10 exemplifica diversas formas de alienação parental, dentre elas: realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade; dificultar contato de criança ou adolescente com genitor; dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar; apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente;  mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós. 

O art. 3º da citada Lei alerta que “a prática de ato de alienação parental fere direito fundamental da criança ou do adolescente de convivência familiar saudável, prejudica a realização de afeto nas relações com genitor e com o grupo familiar, constitui abuso moral contra a criança ou o adolescente e descumprimento dos deveres inerentes à autoridade parental ou decorrentes de tutela ou guarda”. 

O alienado deve procurar auxílio junto à Vara de Família e Sucessões na Comarca de sua cidade e junto ao Conselho Tutelar. A alienação parental poderá ser constatada através de perícia psicológica ou biopsicossocial, requerida pelo juiz, que poderá tomar medidas desfavoráveis ao alienador, tais como, a determinação de acompanhamento psicológico, pagamento de multa, ou até mesmo perda da guarda.

Privar o filho do contato com um dos genitores sem justo motivo, por repulsiva vingança, é medida das mais cruéis e egoístas. Não é apenas o alienado que é atingido. A criança é extremamente prejudicada, quando impedida de receber todo o amor que transborda dos corações, tanto da mãe quanto do pai.

Jeandré C. Castelon
Advogado e membro da Pastoral Familiar


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No Jornal: Gazeta de Toledo

terça-feira, 17 de novembro de 2015

O ROSÁRIO



  O Pai-Nosso e também a Saudação Angélica estão entre as primeiras manifestações de devoção dos fiéis cristãos. Desde os primeiros séculos de nossa Era são rezadas a oração que Cristo nos ensinou, bem como a saudação do Arcanjo Gabriel e a saudação de Santa Isabel, que juntas compõe a primeira parte da Ave-Maria.

Os monges, por volta do ano 800, recitavam todos os dias os 150 salmos do Saltério (Livro dos Salmos). Mas as pessoas da comunidade, com pouca ou nenhuma instrução, não sabiam ler. Um dos monges teve a ideia de ensinar ao povo o Pai-Nosso, que era repetido por 150 vezes, substituindo aos Salmos. Após, ensinou-os a Ave-Maria. Por diferentes motivos, era mais fácil memorizar as orações do que aprender a ler.

Assim nasceu, através dos monges, o Rosário, o “Saltério de Nossa Senhora”, a “Bíblia dos pobres”, com 150 Ave-Marias.

Somente em 1214 é que o rosário passou a ter forma e método como rezamos atualmente. Ele foi dado à Igreja por São Domingos de Gusmão (1170-1221), que segundo a tradição, recebeu das mãos de Nossa Senhora numa aparição particular, como meio de combater pecados e heresias, mas principalmente para mudar o mundo.

Segundo São Luís Maria Grignion de Monfort (1673 - 1716), foi São Domingos quem dividiu a vida de Nosso Senhor e de Nossa Senhora em 15 mistérios que lembram os fatos mais importantes da vida, paixão, morte e gloria de Jesus Cristo, tendo Maria como coadjuvante.

O rosário teve o formato definitivo estabelecido pelo Papa Pio V, no século XVI, que incluiu a meditação sobre os mistérios: gozosos, dolorosos e gloriosos. Em 16 de outubro de 2002 o Papa João Paulo II propôs a inclusão de uma nova categoria de mistérios: os luminosos; que se referem aos aspectos da vida pública de Jesus.

O rosário aparece em múltiplos momentos da vida da Igreja.

No afresco do Juízo Final, pintado por Michelangelo na Capela Sistina do Vaticano, duas almas aparecem sendo puxadas para o céu por um rosário. São as almas de um africano e de um asiático, mostrando a universalidade missionária da oração.

Em 12 de outubro de 1717, foi retirada do rio Paraíba uma imagem de Nossa Senhora com um rosário no pescoço. Três humildes pescadores a encontraram em Guaratinguetá, São Paulo. Nossa Senhora da Conceição Aparecida, foi reconhecida em 1929, Rainha e Padroeira do Brasil.

O Papa João Paulo II dizia que o rosário era a sua oração predileta: “Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade."

O Papa Bento XVI assim exortou: “Rezai o terço todo os dias! Deixai a Virgem Mãe possuir o vosso coração: confia-lhe tudo o que sois, tudo o que tendes! E Deus será tudo em todos...”

O Papa Francisco, em sua mensagem aos jovens na Lituânia, em junho de 2013, ensina que: “No rosário nós dirigimo-nos à Virgem Maria para que nos guie ruma a uma união cada vez mais íntima com o seu Filho Jesus, para nos conformarmos com Ele, para termos os seus sentimentos e para agirmos como Ele.”

A oração do rosário, grande coroa de rosas, agrada a Deus. Se assim não fosse, não seria rezado pelos Papas. Se assim não fosse, não haveria tantos milagres e graças alcançadas. Reze o terço! Você não estará sozinho nesta devoção!

Jeandré C. Castelon

Advogado e membro da Pastoral Familiar




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No Jornal: Gazeta de Toledo

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Meu corpo, minhas regras





Esse é o slogan da mais nova campanha abortista encabeçada por atores de fama nacional que atuam em telenovelas produzidas por uma grande emissora de TV. A um ou dois anos atrás a mesma emissora e outros atores, talvez não tão famosos assim, lançaram uma campanha a favor da legalização do aborto, alegando ser o tema tabu e que o “aborto seguro” (quando só o bebê morre) seria questão de saúde pública, visando proteger as mulheres. Mentira! O SUS enfrenta muitas dificuldades para oferecer o mínimo necessário para atender as necessidades dos cidadãos brasileiros. Legalizar o aborto significa retirar dinheiro da saúde pública que poderia ser investido em novos hospitais, maternidades, aumento do número de médicos, entre outras melhorias, e empregá-lo a favor de mulheres que decidirem por interromper a gravidez.

A campanha “meu corpo, minhas regras” também ofende os cristãos, pois ridiculariza a Bíblia e debocha de Maria, mãe de Jesus. Com certeza eles não sabem que mais de 86% da população brasileira se denomina cristã, segundo dados do IBGE. E como cristãos, não só por uma questão de fé, mas também por princípios morais, defendem a vida desde a concepção até a morte natural.

Assassinar bebês só porque a mãe e o pai não se preveniram das consequências advindas de uma relação íntima não é nem de longe a melhor atitude. Matar um embrião, um feto, ou um bebê, agir com essa frieza só porque ele ainda não fala, porque ainda não é capaz de se defender, é um grande absurdo.

Nota-se no mundo uma cultura de morte. Em alguns países a eutanásia ou o suicídio assistido é permitido. Um número ainda maior de nações permite o aborto em qualquer situação, bastando o livre desejo da mulher interromper a gestação.

Confesso que fiquei muito triste e preocupado com a referida campanha, e pelo que constatei pela internet a maioria das pessoas também não gostou. O vídeo de divulgação foi reprovado pela maioria esmagadora de pessoas que o assistiram, que ao final da exibição clicaram em “não curti”.

Imaginem, o dinheiro dos cidadãos brasileiros, sufocados com cada vez mais impostos, sendo usado para deliberadamente financiar o aborto. Não se deve esquecer a quantidade de pessoas que esperaram por um ou dois anos até chegar a vez de serem submetidos a uma cirurgia eletiva. Os abortos, se legalizados, precisariam ser realizados com a máxima prontidão, pois em nove meses a criança nasceria, e assim há a iminente necessidade de eliminá-la o mais rápido possível.

Ser mãe, poder gerar uma vida, é um dom maravilhoso reservado exclusivamente às mulheres. Conheço tantas famílias que lutam tanto para poder ter um filho biológico e não conseguem. Conheço também tantas mulheres que vitimadas por um aborto espontâneo, sofrem por longos anos, lamentando a interrupção involuntária da gestação.

Todos os seres vivos possuem dois instintos naturais básicos, que são eles: a alimentação e a reprodução. Interromper uma gestação de forma inadvertida não é só uma atitude cruel e desumana, afinal, uma vida é ceifada, é uma atitude que afeta negativamente toda a espécie humana, podendo até, acredito eu, colocar em risco sua existência.

Jeandré C. Castelon

Advogado e Membro da Pastoral Familiar


Imgaem: http://migre.me/s1LGC


Nos Jornais: Gazeta de Toledo / Umuarama Ilustrado / O Paraná (10.11.15)


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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Boa Morte?



De origem grega, a palavra eutanásia, em sentido literal significa “boa morte” ou “morte sem dor”.  Mas será mesmo?

A eutanásia, é definida como o procedimento pelo qual uma pessoa em estado terminal, ou portadora de doença incurável que esteja em sofrimento constante, seja auxiliada a morrer rapidamente e sem dor. No Brasil a legislação tipifica a conduta como crime de homicídio.

No mundo pelo menos cinco países permitem a eutanásia. A Holanda foi a pioneira e desde 2002 pessoas com total consciência, portadoras de doenças incuráveis e que padecem com dores consideradas insuportáveis, podem solicitar ajuda para interromper a própria vida. Logo depois, no mesmo ano, a Bélgica inovou e permitiu também que pessoas saudáveis pudessem deixar registrado o desejo de morrer, para o caso de que eventual doença as deixassem inconscientes.

Na Suíça e na Alemanha a eutanásia é proibida, contudo, o suicídio assistido é permitido, ou seja, a pessoa deve livremente realizar os procedimentos para sua morte sem ajuda direta de terceiro. A Suíça possui uma legislação ainda mais liberal que da Alemanha, permitindo que entidades orientem e ofereçam estrutura para a realização do mórbido procedimento, tornando o país famoso no mundo pelo “turismo da morte”. Pessoas de diversas nacionalidades viajam para a Suíça com o fim último de ceifarem a própria vida. Obviamente que o processo é oneroso e os pacientes desembolsam altas somas para poderem ter acesso ao procedimento fúnebre.

Em alguns estados Norte-americanos a eutanásia, quando possível a manifestação da vontade particular, é permitida.

Também não é raro nos depararmos com muitos casos de pessoas que recorrem à Justiça pleiteando o direito de desligarem os aparelhos que mantêm vivo um ente da família. Muitas vezes a solicitação é atendida. Nestes casos, acredito que não se trata mais do direito de morrer, mas sim, do direito de matar.

Inúmeras são as situações de pessoas que padecem de mal incurável e mesmo que em casos extremos, imóveis e prisioneiras dentro do corpo atrofiado e inerte, conseguem manifestar o desejo de viver, mesmo que somente através de pequenos movimentos do globo ocular. É comum a pessoa estar consciente, com a inteligência totalmente preservada. Há casos em que nenhum tipo de manifestação física seja possível. Imagine a sensação horrenda que alguém possa sentir quando escuta uma pessoa querida decidir que é chegada a hora de morrer sem poder fazer nada a respeito. Importante destacar que, pela fé e esperança, virtudes presentes na maioria dos seres humanos, em alguns casos, pacientes que estavam com os dias contados despertam e recobram a vida.

É relevante mencionar ainda, que na Alemanha nazista a eutanásia, mesmo em casos sem a anuência do paciente, foi responsável pela morte de milhares de pessoas consideradas incuravelmente doentes, bastando para tanto um exame médico neste sentido. Nessa época pessoas idosas, deficientes físicos e doentes mentais eram arrancadas de suas famílias e assassinadas. Essas pessoas eram consideradas improdutivas, não poderiam trabalhar e contribuir para o Regime. Defendia-se o dever de exterminar aqueles cujas vidas eram consideradas "indignas de serem vividas”.

Na realidade, as pessoas doentes ou com alguma deficiência precisam ser respeitadas e merecem tratamento digno. Devem ser amparadas para que possam ter uma vida com a qualidade tão normal quanto for possível.

Acredito que todo o esforço em defesa da vida humana deva ser empregado, desde a concepção até a morte natural. A vida é uma dádiva. Permitir a eutanásia ou o suicídio assistido é extremamente nocivo e perigoso, não só porque fere o direito natural à vida, mas também porque é impossível atestar a idoneidade moral de um carrasco.

Jeandré C. Castelon
Advogado e membro da Pastoral Família


Imagem: http://migre.me/rSC6V

Nos Jornais: Umuarama Ilustrado / Gazeta de Toledo / Jornal o Paraná

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A alegria prolonga os dias



Quando ainda era estudante no segundo grau, hoje ensino médio, minha professora de história, que lamentavelmente não me recordo o nome, ensinou-me que na época da escravidão no Brasil (1530-1888), era comum os escravos morrerem de “banzo”.

A morte era a última e mais grave consequência causada pelo terrível processo psicológico sofrido pelos escravos, transportados como mercadoria dentro do porão dos navios, de um continente a outro em condições degradantes, e os que sobreviviam à torturante viagem, não encontravam melhor sorte quando forçosamente desembarcavam na nova pátria. No início o banzo se caracterizava por forte excitação, seguido de ímpetos de destruição, e depois de uma nostalgia e tristeza profundas, podendo culminar com a morte.

Embora eu não seja capaz de afirmar com absoluta certeza, possivelmente esses foram os primeiros casos de morte causadas por intensa tristeza de que temos registro aqui no Brasil.

A tristeza encurta nossos dias, enquanto a alegria os prolonga. Essa máxima faz parte do saber humano desde muito antes da Era Cristã. No Livro do Eclesiástico (30, 22-25), escrito aproximadamente 200 anos antes do nascimento de Jesus, encontra-se importante recomendação, que alerta sobre os perigos causados pelo sentimento de tristeza e enaltece a alegria: “Não entregues tua alma à tristeza, não atormentes a ti mesmo em teus pensamentos. A alegria do coração é a vida do homem, e um inesgotável tesouro de santidade. A alegria do homem torna mais longa a sua vida. Tem compaixão de tua alma, torna-te agradável a Deus, e sê firme; concentra teu coração na santidade, e afasta a tristeza para longe de ti, pois a tristeza matou a muitos, e não há nela utilidade alguma.”

São Paulo quando escreve aos Tessalonicenses (5, 16-18) exorta à alegria. Pede que todos estejam sempre alegres e permaneçam em oração. Pede também que haja o que houver, sejamos sempre agradecidos a Deus. A alegria deve nortear a vida do cristão, mesmo que situações adversas tornem isso mais difícil. É claro que em alguns momentos da vida passaremos por circunstâncias de grande aflição, de angustia, de amargura, ou seja, momentos carregados de intenso sofrimento, situações que precisarão ser enfrentadas, suportadas e principalmente superadas. Faz parte da vida combater o bom combate, dia após dia, dando um passo de cada vez.

Acredito que até mesmo para ser feliz seja indispensável algum esforço, que deverá ser demandado durante toda a peregrinação terrena em busca da verdadeira alegria. Atualmente quantas pessoas sofrem com a depressão, que em casos extremos assim como o banzo, também pode levar à morte. Na vida há muitos obstáculos para a felicidade, mas nenhum deles é instransponível. Seguramente o que mais atrapalha é quando a pessoa condiciona sua alegria àquilo que ela não tem. A solução para superar a tristeza é encontrar a justa medida, e ser alegre com aquilo que se tem, na circunstância em que cada um se encontre, sem que isso signifique abandonar os sonhos e o anseio por melhores condições de vida.

Por maior que seja a dificuldade pela qual você possa estar passando, não desanime, com o tempo toda ferida se cicatriza, busque a alegria, não entregue sua vida à tristeza, seja feliz, você e sua família merecem.

Jeandré C. Castelon

Imagem: http://migre.me/rJNV5
No Jornal: Jornal O Paraná, Gazeta de Toledo

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A importância do protagonismo do leigo na vida da Igreja




“[...] os leigos, dado que são participantes do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, têm um papel próprio a desempenhar na missão do inteiro Povo de Deus, na Igreja e no mundo. Exercem, com efeito, apostolado com a sua ação para evangelizar e santificar os homens e para impregnar e aperfeiçoar a ordem temporal com o espírito do Evangelho; deste modo, a sua atividade nesta ordem dá claro testemunho de Cristo e contribui para a salvação dos homens. E sendo próprio do estado dos leigos viver no meio do mundo e das ocupações seculares, eles são chamados por Deus para, cheios de fervor cristão, exercerem como fermento o seu apostolado no meio do mundo.” (Decreto Apostolicam Actuositatem, 2).

O leigo, fiel de Cristo, ou simplesmente cristão, não consagrado a vida sacerdotal ou religiosa, divide com o clero, papel fundamental de semear o Evangelho por todo o mundo. O leigo, inserido em cada um dos setores da sociedade, é desafiado a ser luz do mundo e sal da terra em todos os locais onde estiver, não só dentro do seio da Igreja.

Todo cristão desempenha papel de extrema relevância e importância. Assim, surgem por consequência grandes responsabilidades. Ideologias particulares e mundanas precisam ser deixadas de lado, em defesa da vida, da verdade e do bem comum.

Para lidar com as adversidades e desafios que por certo encontrará do decorrer da longa caminhada na estrada trilhada por Jesus Cristo, é necessário que o leigo construa sua casa sobre a rocha, como revela o Evangelho de Mateus (7, 24-27):

“Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha. Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela caiu e grande foi a sua ruína.”

É Deus a rocha da salvação (Salmo 94, 1), e para melhor estar ligado a ele, aplicando-se cada vez mais no exercício das virtudes da fé, esperança e caridade, faz-se necessária a oração diária e leitura da Bíblia. Espiritualmente alimentado e forte, o fiel de Cristo suportará com ânimo renovado os percalços que inevitavelmente encontrará ao longo do caminho. 

Acredito que, primeiro, o protagonismo do leigo deve começar dentro de sua casa. Quando um lar é verdadeira Igreja Doméstica, espaço de fé e oração, as dificuldades para o fiel cristão ser Igreja fora dos ambientes eclesial e doméstico são suavizadas.

Todo batizado precisa ser de fato, sal da terra e luz das nações. Guiado pelo Espírito Santo, o leigo precisa contribuir para a evangelização, principalmente através de um frutuoso testemunho de vida.

Há distinção entre o sacerdócio ministerial recebido pelo Sacramento da Ordem, reservado aos Presbíteros e Bispos, e o sacerdócio comum do leigo, múnus recebido pelo Batismo. Entretanto, mesmo que cada um exerça diferentes funções, todos os membros da Igreja fazem parte de um só corpo: Jesus Cristo. É de extrema importância que o leigo “sinta-se Igreja” e contribua para a salvação de todo o povo de Deus.


Jeandré C. Castelon

Imagem: http://migre.me/rEtoM
No Jornal: Gazeta de Toledo

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