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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Tu és Pedro




Pedro e seu irmão estavam pescando quando foram avistados por Jesus. Lançavam suas redes mas acabaram sendo fisgados: “vinde após mim e vos farei pescadores de homens”, disse-lhes Jesus. Corajosamente atenderam ao chamado e o seguiram.

Foi Pedro que avistando Jesus caminhar sobre as águas pediu para ir junto a ele. Jesus respondeu: “Vem”. Então, Pedro saiu da barca e caminhou ao seu encontro. Porém, ao primeiro sopro do vento, teve medo e começou a afundar, clamando por socorro. Prontamente Jesus estendeu sua mão e o segurou, impedindo que afundasse. “Homem de pouca fé, por que duvidardes?”, questionou-lhe Jesus.

Pedro foi o primeiro a reconhecer que Jesus é o Cristo. Jesus declarou: “tú és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Mas Pedro, logo em seguida foi severamente advertido pelo Senhor, ao ponto de ser chamado de “satanás”, pois pensava como os homens e não entendia naquele momento os desígnios de Deus.

Em outro momento, Pedro teve dúvidas e arguiu Jesus: “eis que deixamos tudo para te seguir. Que haverá então para nós?”.

Pedro, após trabalhar a noite toda sem nada pescar, por obediência às palavras de Jesus, lançou novamente as redes e apanharam peixes em grandíssima quantidade, a ponto de a rede começar a se romper. “Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou: Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador”. Pedro sabia que Jesus era o Messias e reconhecia-se indigno de estar na presença de Deus. Jesus o consolou, dizendo que não deveria ter medo e que doravante seria “pescador de homes”.

Após o discurso sobre o “Pão da Vida” (João 6), Pedro permaneceu com Jesus, embora muitos dos discípulos o terem abandonado, pois sabia que não havia outro lugar para ir, porque somente o divino mestre tem palavras de vida eterna.

Foi Pedro que armado com uma espada, decepou a orelha do servo do sumo sacerdote. No mesmo capítulo (João 18), amedrontado, Pedro negou Jesus três vezes antes que o galo cantasse.

Em resumo: Pedro declarou que era pecador; teve dúvidas; foi violento ao ferir um homem; precisou ser severamente advertido por Jesus; ao primeiro vento, teve medo e começou a afundar; negou Jesus três vezes. Pedro fez tudo isso e muito mais. Pedro era humano, tinha defeitos e qualidades, assim como todos nós! Mesmo tendo feito tudo isso, foi o primeiro a reconhecer a divindade de Cristo e a segui-lo; foi eleito pescador de homens; sobre ele Jesus edificou a sua Igreja; Pedro, ao contrário de muitos discípulos, sabia que somente Jesus é o caminho para a vida eterna; Pedro foi o primeiro Papa; canonizado, é reconhecidamente santo!

De tal modo são os homens que aderem ao chamado de Cristo, muitas vezes sentem medo, são fracos, vacilam, as vezes não conseguem seguir irrepreensivelmente os ensinamentos do mestre, são humanos, são falhos, assim como você e eu, assim como foi Pedro. Pedro fez tudo o que fez, coisas boas e outras nem tanto, mas nunca deixou de trilhar os caminhos de Jesus, consumindo sua vida em prol da mensagem evangélica, a ponto de ser martirizado, crucificado de cabeça para baixo, porque não se considerava digno de morrer da mesma forma que seu redentor.

Jeandré C. Castelon
Advogado, pós-graduado em Cultura Teológica e membro da Pastoral Familiar



terça-feira, 17 de novembro de 2015

O ROSÁRIO



  O Pai-Nosso e também a Saudação Angélica estão entre as primeiras manifestações de devoção dos fiéis cristãos. Desde os primeiros séculos de nossa Era são rezadas a oração que Cristo nos ensinou, bem como a saudação do Arcanjo Gabriel e a saudação de Santa Isabel, que juntas compõe a primeira parte da Ave-Maria.

Os monges, por volta do ano 800, recitavam todos os dias os 150 salmos do Saltério (Livro dos Salmos). Mas as pessoas da comunidade, com pouca ou nenhuma instrução, não sabiam ler. Um dos monges teve a ideia de ensinar ao povo o Pai-Nosso, que era repetido por 150 vezes, substituindo aos Salmos. Após, ensinou-os a Ave-Maria. Por diferentes motivos, era mais fácil memorizar as orações do que aprender a ler.

Assim nasceu, através dos monges, o Rosário, o “Saltério de Nossa Senhora”, a “Bíblia dos pobres”, com 150 Ave-Marias.

Somente em 1214 é que o rosário passou a ter forma e método como rezamos atualmente. Ele foi dado à Igreja por São Domingos de Gusmão (1170-1221), que segundo a tradição, recebeu das mãos de Nossa Senhora numa aparição particular, como meio de combater pecados e heresias, mas principalmente para mudar o mundo.

Segundo São Luís Maria Grignion de Monfort (1673 - 1716), foi São Domingos quem dividiu a vida de Nosso Senhor e de Nossa Senhora em 15 mistérios que lembram os fatos mais importantes da vida, paixão, morte e gloria de Jesus Cristo, tendo Maria como coadjuvante.

O rosário teve o formato definitivo estabelecido pelo Papa Pio V, no século XVI, que incluiu a meditação sobre os mistérios: gozosos, dolorosos e gloriosos. Em 16 de outubro de 2002 o Papa João Paulo II propôs a inclusão de uma nova categoria de mistérios: os luminosos; que se referem aos aspectos da vida pública de Jesus.

O rosário aparece em múltiplos momentos da vida da Igreja.

No afresco do Juízo Final, pintado por Michelangelo na Capela Sistina do Vaticano, duas almas aparecem sendo puxadas para o céu por um rosário. São as almas de um africano e de um asiático, mostrando a universalidade missionária da oração.

Em 12 de outubro de 1717, foi retirada do rio Paraíba uma imagem de Nossa Senhora com um rosário no pescoço. Três humildes pescadores a encontraram em Guaratinguetá, São Paulo. Nossa Senhora da Conceição Aparecida, foi reconhecida em 1929, Rainha e Padroeira do Brasil.

O Papa João Paulo II dizia que o rosário era a sua oração predileta: “Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade."

O Papa Bento XVI assim exortou: “Rezai o terço todo os dias! Deixai a Virgem Mãe possuir o vosso coração: confia-lhe tudo o que sois, tudo o que tendes! E Deus será tudo em todos...”

O Papa Francisco, em sua mensagem aos jovens na Lituânia, em junho de 2013, ensina que: “No rosário nós dirigimo-nos à Virgem Maria para que nos guie ruma a uma união cada vez mais íntima com o seu Filho Jesus, para nos conformarmos com Ele, para termos os seus sentimentos e para agirmos como Ele.”

A oração do rosário, grande coroa de rosas, agrada a Deus. Se assim não fosse, não seria rezado pelos Papas. Se assim não fosse, não haveria tantos milagres e graças alcançadas. Reze o terço! Você não estará sozinho nesta devoção!

Jeandré C. Castelon

Advogado e membro da Pastoral Familiar




Imagem: http://migre.me/s8NCz


Imagem: http://migre.me/s8NGP
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No Jornal: Gazeta de Toledo

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