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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Namorar pode ser para sempre




O namoro é um tempo de amadurecimento, indispensável para a preparação da vida matrimonial. As pessoas podem e devem namorar bastante antes de tomarem uma decisão que influenciará o seu futuro: o casamento. Nosso casamento foi celebrado há alguns anos, no dia 11 de junho, data que antecede o dia dos namorados.

Casamento é para sempre, ou seja, "até que a morte os separe" (Gn 2,24; Rm 7, 1-3; Mt 19,6). Casamento é Sacramento, sinal visível da graça invisível de Deus. É um meio de santificação e de salvação para os cônjuges, mesmo que um deles não creia. São Paulo ensina que: “... o marido que não tem a fé é santificado por sua mulher; assim como a mulher que não tem a fé é santificada pelo marido que recebeu a fé. ...” (I Cor, 7, 14).

Infelizmente existem casais que não aproveitam de maneira saldável esta época tão especial de preparação. É período de experiência, para saber se de fato os noivos serão capazes de se suportarem, com mútuo apoio e sustentação, fiéis um ao outro, amando-se e respeitando-se, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todo os dias de suas vidas. Namoro pode ser desfeito, casamento não.

Vale lembrar que a indissolubilidade, a unidade, e a abertura à fecundidade, são elementos essenciais do casamento. Sobre à fecundidade o Papa Francisco escreveu que: “...o Criador tornou participantes da obra da sua criação o homem e a mulher, e ao mesmo tempo, fê-los instrumentos do seu amor, confiando à sua responsabilidade o futuro da humanidade através da transmissão da vida humana” (Amoris Laetitia, 81).

Importante destacar que o casamento não está fadado à monotonia, pelo contrário. Muitas das características do namoro precisam ser mantidas durante toda a vida conjugal: o carinho, o afeto, o cuidado com a aparência, as brincadeiras, os sorrisos, a alegria, etc. O casal que além de unido pelo sacramento do matrimônio, mas que nunca deixa de namorar, certamente é mais feliz.

Neste 11 de junho completamos 14 anos, 7 meses e 1 dia de namoro, e celebramos nosso décimo primeiro ano de casamento.

Jeandré C. Castelon
Advogado e membro da Pastoral Familiar


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A alegria prolonga os dias



Quando ainda era estudante no segundo grau, hoje ensino médio, minha professora de história, que lamentavelmente não me recordo o nome, ensinou-me que na época da escravidão no Brasil (1530-1888), era comum os escravos morrerem de “banzo”.

A morte era a última e mais grave consequência causada pelo terrível processo psicológico sofrido pelos escravos, transportados como mercadoria dentro do porão dos navios, de um continente a outro em condições degradantes, e os que sobreviviam à torturante viagem, não encontravam melhor sorte quando forçosamente desembarcavam na nova pátria. No início o banzo se caracterizava por forte excitação, seguido de ímpetos de destruição, e depois de uma nostalgia e tristeza profundas, podendo culminar com a morte.

Embora eu não seja capaz de afirmar com absoluta certeza, possivelmente esses foram os primeiros casos de morte causadas por intensa tristeza de que temos registro aqui no Brasil.

A tristeza encurta nossos dias, enquanto a alegria os prolonga. Essa máxima faz parte do saber humano desde muito antes da Era Cristã. No Livro do Eclesiástico (30, 22-25), escrito aproximadamente 200 anos antes do nascimento de Jesus, encontra-se importante recomendação, que alerta sobre os perigos causados pelo sentimento de tristeza e enaltece a alegria: “Não entregues tua alma à tristeza, não atormentes a ti mesmo em teus pensamentos. A alegria do coração é a vida do homem, e um inesgotável tesouro de santidade. A alegria do homem torna mais longa a sua vida. Tem compaixão de tua alma, torna-te agradável a Deus, e sê firme; concentra teu coração na santidade, e afasta a tristeza para longe de ti, pois a tristeza matou a muitos, e não há nela utilidade alguma.”

São Paulo quando escreve aos Tessalonicenses (5, 16-18) exorta à alegria. Pede que todos estejam sempre alegres e permaneçam em oração. Pede também que haja o que houver, sejamos sempre agradecidos a Deus. A alegria deve nortear a vida do cristão, mesmo que situações adversas tornem isso mais difícil. É claro que em alguns momentos da vida passaremos por circunstâncias de grande aflição, de angustia, de amargura, ou seja, momentos carregados de intenso sofrimento, situações que precisarão ser enfrentadas, suportadas e principalmente superadas. Faz parte da vida combater o bom combate, dia após dia, dando um passo de cada vez.

Acredito que até mesmo para ser feliz seja indispensável algum esforço, que deverá ser demandado durante toda a peregrinação terrena em busca da verdadeira alegria. Atualmente quantas pessoas sofrem com a depressão, que em casos extremos assim como o banzo, também pode levar à morte. Na vida há muitos obstáculos para a felicidade, mas nenhum deles é instransponível. Seguramente o que mais atrapalha é quando a pessoa condiciona sua alegria àquilo que ela não tem. A solução para superar a tristeza é encontrar a justa medida, e ser alegre com aquilo que se tem, na circunstância em que cada um se encontre, sem que isso signifique abandonar os sonhos e o anseio por melhores condições de vida.

Por maior que seja a dificuldade pela qual você possa estar passando, não desanime, com o tempo toda ferida se cicatriza, busque a alegria, não entregue sua vida à tristeza, seja feliz, você e sua família merecem.

Jeandré C. Castelon

Imagem: http://migre.me/rJNV5
No Jornal: Jornal O Paraná, Gazeta de Toledo

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