segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O Jugo

Ser livre não é apenas livrar-se das correntes de alguém, mas viver de uma forma que valorize e reforce a liberdade dos outros.
Nelson Mandela

É sabido que os judeus são acostumados desde a tenra idade a estudar, aos 10 anos já tem decorado a Torá, os cincos primeiros livros da bíblia: Gênesis, Êxodo, Levíticos, Números e Deuteronômio, após essa primeira fase, o Rabino escolhe os que se mostram mais vocacionados, e então esses aprofundam o estudo, e aos catorze decoram o que conhecemos como o antigo testamento, a Bíblia Hebraica.

Em hebraico, a palavra Torá significa ensinamento, instrução. Existe a Torá oral e a Torá escrita, que contém histórias, lições fundamentais e 613 mitzvot[1], além de narrar à história do povo judeu.

Ed René Kivitz em sua série Talmidim, reflexões diárias, disponível no You Tube, série essa que depois virou um livro, explica que esses meninos da segunda fase, nos tempos de Jesus, eram chamados Talmidim, ou seja, seguidores, discípulos, aprendizes do Rabino.

Cada Rabino tem sua interpretação, uma visão, uma compreensão, um entendimento da Torá, dos livros históricos, de sabedoria e todos os profetas, essa interpretação da Torá oral e escrita, isso é chamado, o Jugo do Rabino.

Então veio Jesus. Ora vem Jesus!!!

Inaugurando a proclamação de sua mensagem, o seu ministério, primeiro em um ato extraordinário, ao receber o batismo das águas, também recebe o batismo do amor.

Assim que Jesus foi batizado, saiu da água. Naquele momento o céu se abriu, e ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousando sobre ele. Então uma voz dos céus disse:"Este é o meu Filho amado, em quem me agrado".
Mateus 3.16,17

Jesus de Nazaré vai ao deserto para ser tentado, após refutar todas as não tão óbvias sugestões, ordena a retirada do Maligno, e os anjos vem e o servem. Mateus 4.10,11

O Nazareno começa a anunciar sua mensagem e escolhe então os seus Talmidim[2], os 12, em uma franca referência as 12 tribos.  Agora, porém o Rabino é Jesus e o seu jugo é outro, tem autoridade messiânica, é o jugo da liberdade.

Uma liberdade pelo amor¸ essa liberdade que nos revela nossa verdadeira identidade, a de ser amado pelo Pai, esse mesmo amor derramado por Jesus, não se trata de sermos merecedores ou não, mas de ser agraciados, o dom imerecido, através da ida de Jesus para a Cruz e nas suas próprias palavras: “...eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste." João 17.23

O que antes era um jugo insuportável e demasiadamente pesado, com a Nova Aliança, tornou-se leve e suave.

Aqui merece uma ressalva, esse jugo de liberdade, não se trata de uma liberdade com cinismo, mas com responsabilidade, ser transformado por esse amor, renovados em nosso querer, como bem ensina, Paulo, esse gênio da humanidade: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transforme-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Carta aos Cristãos em Roma 12.2


Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.
Jesus de Nazaré


João Carlos Leme da Costa
jclemedacosta.adv@hotmail.com
Talmid de Jesus
Junho de 2015




[1] mitzvot: plural de mitzvá, mandamentos divinos
[2] Talmidim: plural, Talmid: singular




segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Semana Nacional da Família e a participação do leigo na Igreja



A Semana Nacional da Família é celebrada entre os dias 09 e 15 de agosto, em todo o Brasil. A Igreja Católica com a ajuda dos fieis leigos, em cada uma de suas paróquias espalhadas por todo o território nacional promove palestras, encontros e outras atividades de formação, contando com a participação de toda a comunidade. São abordados diferentes temas em cada dia de encontro, mas sempre com o objetivo de fortalecer a família, que é a principal célula da sociedade.

Bastante relevante é destacar que a Igreja clama a participação dos leigos em todas as atividades da Igreja. Desde o Concílio Vaticano II (1962-1965), em muitos documentos a Igreja vem destacando a fundamental importância do envolvimento da comunidade em assuntos que por muito tempo cabiam apenas à autoridade eclesial. Obviamente se mantém a hierarquia dos membros do clero, representada pelos diáconos, presbíteros (padres) e bispos, sujeitos à autoridade máxima do Papa, bispo de Roma.

Aproxima-se também a etapa final do sínodo da família, que se realiza no Vaticano, com a convocação pelo Papa Francisco da XIV Assembleia Geral que terá como tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. 

Dom Bruno Forte, que é secretário especial do sínodo, declarou que a ajuda dos leigos tem sido importante, não só pelos testemunhos dos casais, mas também dos especialistas e convidados. Exorta os leigos a serem verdadeiros protagonistas.

A Igreja, que é a mãe, quer ouvir seus filhos. Milhares de cristãos, espalhados por todo o mundo, foram convidados a responder um questionário com perguntas atinentes à família, que após foram enviados ao Vaticano, para análise.

A Igreja não quer caminhar sozinha. Pelo contrário, deseja que cada fiel seja exemplo de conduta cristã e auxilie no trabalho missionário.

Certamente, durante as celebrações que acontecem em razão da Semana Nacional da Família, os participantes notarão a presença dos leigos, que junto com a Igreja se dispõem a contribuir para o fortalecimento da família, bem como contribuir para com o resgate de valores que devem nortear toda a sociedade.

A família é base da sociedade e o lugar onde as pessoas aprendem pela primeira vez os valores que os guiarão durante toda a vida.”. São João Paulo II



Jeandré C. Castelon



No Jornal: Gazeta de Toledo

domingo, 26 de julho de 2015

Cuidar-se e evitar exageros





“Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.” (I Coríntios 6, 12)

Este versículo escrito por São Paulo aos Coríntios, no primeiro século da era cristã, resume muito bem o que é realmente ser livre. Poder fazer tudo o que se quer, sem prejudicar o próximo e nem a si mesmo. Até porque, embora autônomo no exercício dos desejos, ninguém fica imune às consequências dos seus atos.

Se o corpo é mal tratado, cedo ou tarde o organismo dará sinais de fragilidade e suplicará por socorro. Também a família e os amigos merecem cuidados. Estreitar laços é importante. Igualmente os excessos precisam ser evitados. É melhor pôr-se vigilante, enquanto há tempo.  

Os afazeres diários também merecem atenção. Não se deve exagerar na carga de trabalho, nem esquivar-se totalmente dele. De que adianta o labor exaustivo dia após dia, ano após ano, se o convívio familiar for prejudicado, se não houver amigos. De que adianta um bom emprego, uma pomposa posição social, se o lar estiver em ruínas. O trabalho é importante, de fato dignifica o homem, no entanto, não pode ser o único sentido da vida.

Existem os que de tanto trabalhar se esquecem de viver. Por outro lado, há também os que não fazem absolutamente nada, apenas vivem de sugar, como faz um parasita, os frutos do trabalho alheio. São Paulo em sua segunda carta aos Tessalonicenses exorta no seguinte: “... soubemos que entre vós há alguns desordeiros, vadios, que só se preocupam em intrometer-se em assuntos alheios. A esses indivíduos ordenamos e exortamos a que se dediquem tranqüilamente ao trabalho para merecerem ganhar o que comer. Vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem” (cap. 3, 11-13). É prejudicial estar em qualquer lado desses opostos extremos.

Preocupar-se com os outros é de suma importância, mas não devemos nos esquecer de nós mesmos. O cuidado pessoal, sem se entregar aos exageros também é uma forma de demonstrar amor pelas pessoas com quem nos importamos, já que uma vida equilibrada e saudável tende a ser mais duradoura, e assim é possível aumentar a quantidade de momentos felizes compartilhados ao lado de indivíduos imprescindíveis.

 Se você ama alguém, cuide de sua saúde, para que possa permanecer mais tempo com a pessoa amada. O desleixo, a falta de zelo com o corpo e com a mente, principalmente quando entregues aos vícios e à promiscuidade, encurtam a vida. Não seja escravo do trabalho ou totalmente avesso a ele. Mesmo que você não tenha ninguém, que viva absolutamente só, cuide-se mesmo assim, afinal é possível ser útil, ajudar pessoas, fazer a diferença na história daqueles que não possuem mais nada, mas que podem oferecer muito, acrescentar valores impagáveis e ajudar-nos a encontrar o sentido da vida.

Encontrar o equilíbrio é um desafio para o homem moderno, que vive submisso e preso a um sistema que esgota as forças, que suprime o precioso e cada vez mais escasso tempo, que cumula stress e priva momentos agradáveis. É preciso ser diligente na busca da felicidade, sendo prudente ao tomar decisões. Afinal de contas: “tudo me é permitido, mas nem tudo convém”.

Jeandré C. Castelon

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segunda-feira, 13 de julho de 2015

Barbáries




Um homem de 29 anos foi linchado por um grupo de pessoas, moradores do bairro denominado Jardim São Cristóvão em São Luiz do Maranhão. O nome dele era Cleidenilson. Era, porque ele está morto. Foi amarrado num poste por populares, e agredido até a morte, assim como faziam com os negros antes da abolição da escravatura quando da assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888. Açoitavam, e muitas vezes até o ponto de retirar a vida do escravo, visando entre outros objetivos, servir de exemplo. No mesmo episódio estava envolvido um menor de 16 anos, que teve melhor sorte, e apesar de também brutalmente agredido, sobreviveu à barbárie.

Cleidenilson e o citado menor foram sumariamente julgados e a macabra sentença foi executada à luz do dia, na presença de muitas testemunhas, pelas mãos de uma população raivosa e descontrolada. Segundo a polícia, os dois envolvidos teriam tentado assaltar um bar. Foram rendidos e amarrados. Cleidenilson preso a um poste, teve suas roupas arrancadas, e nu, suportou por algum tempo os socos, chutes, pedradas e garrafadas, até quando não mais aguentou e expirou.

O pai de Cleidenilson afirmou veementemente que seu filho não era ladrão. Digo, hipoteticamente, mesmo que fosse um ladrão, não merecia ser brutalmente assassinado.

Pergunto-me: o que vai acontecer com os autores de tão bárbaro crime? Talvez não aconteça nada. Talvez ninguém seja punido. Estamos no país da impunidade.

Quero deixar bem claro que, se o assalto fosse confirmado pela Justiça, os dois deveriam ser punidos com os rigores da Lei. Ninguém deve ser condenado, sem antes, submetido a um julgamento isento de ânimo e justo.

Recordo-me de outro linchamento, o da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, que era casada e tinha dois filhos. Ela foi agredida e morta por seus vizinhos no Guarujá no Estado de São Paulo, tudo a partir de um boato mentiroso divulgado pela internet, que afirmava que a dona de casa sequestrava crianças para utilizá-las em rituais de magia negra. Fabiane era inocente. Os seus agressores não são.

Assusta-me a ideia de que muitos passem a defender o linchamento como algo normal e aceitável, repetindo tamanha brutalidade em outras cidades. Que muitos pensem e digam que Cleidenilson teve o que merecia.

Ninguém pode caminhar bem tomando atitudes bárbaras. A violência empregada a ponto de tirar a vida de alguém não se legitima por nenhum argumento. O que aconteceu somente poderia ser justificado por um pensamento doentio, derivado de mentes transtornadas.

O que assalta deve ser julgado, condenado e pagar pelo seu crime. Da mesma forma aquele que ceifa a vida de alguém não merece ficar impune. Que a Justiça seja ampla e para todos.

Cleidenilson até poderia ter sido um ladrão, mas os que lhe tiraram a vida, o que são?

Não matar é um dos dez mandamentos que figuram no Livro do Êxodo (capítulo 20). Referido mandamento não deve ser somente observado por pessoas que professam fé em determinadas religiões, mas por toda pessoa civilizada que deseja conviver em paz.

Jeandré C. Castelon


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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Prepare-se!




Muitas vezes gostaríamos de alcançar os resultados pretendidos de forma instantânea, rápida, e de preferência sem muito esforço. Vivemos na era do imediatismo, tudo tem que ser para agora. Em todos os lugares queremos ser atendidos de forma rápida, como se fossemos os únicos seres existentes; a comida no restaurante não pode demorar sequer alguns poucos minutos; até mesmo quando usando a internet, a paciência logo se esgota quando o link tarda a abrir ou o download não é se realizada com a velocidade esperada.  Talvez lhe falte paciência para completar a leitura deste breve texto. Andamos com muita presa e não chegamos a lugar algum.

Não raras vezes o tempo que nos sobra não é bem aproveitado. Queremos cada vez mais tempo, para perdê-lo em atividades pouco proveitosas. Poucos têm a paciência necessária para prepararem-se para o futuro. Gastar um bom tempo em atividades edificantes: família, estudos, amigos, lazer, entre outras.

Para se chegar ao sucesso, cumprir nossos objetivos é importante um período de preparação. Na Bíblia, em diferentes momentos, antes de chegar-se a uma grade conclusão, antes do grande objetivo, os personagens tiveram um momento de preparação.

No texto bíblico, o número 40 representa determinado lapso de tempo suficiente para algo (tempo necessário para...). Durante o dilúvio, a chuva caiu por quarenta dias e quarenta noites; Moisés permaneceu com o Senhor, durante quarenta dias e quarenta noites, antes de receber os Dez Mandamentos; o profeta Elias caminhou por quarenta dias e quarenta noites, antes de chegar ao Monte Horeb, a montanha de Deus; quarenta anos o povo hebreu permaneceu no deserto até chegar à Terra Prometida; os ninivitas tiveram quarenta dias para se converterem a Deus, quando do anúncio proferido pelo profeta Jonas; Jesus, após o batismo, permaneceu por quarenta dias no deserto. Estes são apenas alguns exemplos. Não foi diferente com os apóstolos, e igualmente com São Paulo, todos passaram por um período de preparação. 

Não existem resultados imediatos para importantes objetivos. Não se chega a grandes metas sem esforço. Para tudo na vida, há um momento de preparação, seja em razão de uma promissora carreira profissional, seja para determinada atividade a ser realizada em comunidade, ou até mesmo para compartilhar a vida ao lado de outra pessoa, formando uma perfeita união conjugal (imprescindível é uma boa preparação para o matrimônio).

Então, não há alternativa, não existe outro caminho a percorrer, prepare-se! Estude como é preciso estudar, trabalhe como é preciso trabalhar, confie na providência de Deus como é preciso confiar, e espere. Paciência é virtude, não disse que seria fácil, porém, tenho plena convicção de que os resultados serão surpreendentes. Nada que valha realmente a pena se consegue sem esforço.

Jeandré C. Castelon

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quarta-feira, 1 de julho de 2015

A troca



A fé e o pensamento caminham juntos, é impossível crer sem pensar.
John Stott


Atualmente presenciamos um fenômeno bem palpável e muito presente no dia a dia da humanidade, a substituição. A imposição de uma suposta necessidade de substituir, de ter sempre o último modelo, subsistindo no elemento da descartabilidade.

Tudo se torna descartável, tudo pode ser substituído, a indústria impõe e reforça esse comportamento. Há divisões e departamentos nas organizações com um único objetivo de tornar obsoleto o recém-lançamento. Com ressalvas as reais inovações, empreender esforços em consertar tornou-se démodé, totalmente out.

Na esteira dessa cultura a prateleira religiosa é numerosa e a substituição está, infelizmente, virando regra. A troca de Deus pelos ídolos do poder, do dinheiro, do lucro, da felicidade, e a mais grave substituição, a troca de Deus pelo próprio homem, pelo seu ego e seu inestimável orgulho.

Quantos por poder, dinheiro e lucro espezinham pessoas e varrem suas dignidades da face da humanidade. Pode causar estranheza quando se fala que pessoas transformam em ídolo a própria felicidade, mas em detrimento dessa busca praticam atrocidades para alcançar o que entendem ser felicidade. Tem agora, a idolatria do corpo perfeito, a doentia busca de atingir o inatingível, usando academia e clínicas de estética e de cirurgia plástica como verdadeiros templos da insanidade.

Todavia a mais grave, ainda é a troca de Deus pelo próprio homem.

Joseph Ratzinger ilustra bem essa realidade exemplificando com a história de dois homens, o fariseu e o publicano, no evangelho de Lucas 18,9-14, é bom frisar que o texto sagrado primeiro fala e se dirige a sua época, ao povo ali e naquele momento, para depois falar ao futuro.

Dois modos distintos de se situar perante Deus e perante si mesmo. O fariseu não olha para Deus, mas apenas para si mesmo, se vangloriando de suas próprias virtudes, se orgulhando de si mesmo, não há nenhuma relação com Deus, pois ele por si mesmo faz tudo corretamente. Deus é, em última instância, dispensável, basta esse homem e apenas sua própria ação, apenas o seu próprio braço forte.

O publicano, por sua vez, olha para si a partir de Deus. O seu olhar é pelo prisma de Deus e a partir daí abre o olhar sobre si mesmo. Deste modo ele sabe que precisa D’ele, sabe que precisa da graça e misericórdia, e que diante dessa misericórdia ele aprenderá a ser ele mesmo misericordioso e assim se tornar semelhante a Deus, ainda que isso seja um horizonte muito distante.

O publicano precisa do Deus e, porque O conhece vive uma relação de ser agraciado, sempre precisará da oferta do perdão, aprendendo também a perdoar, sendo livre pela oferta do perdão.

Só esse Deus a quem Jesus de Nazaré chama de Pai mostra quem realmente nós somos, e a partir dessa descoberta, a completa aceitação de quem somos nesse Deus, e da exploração do nosso real potencial na Graça, pela ação do Espírito Santo. Até porque, como bem alerta Ed René Kivitz: “Quem não crê na ação do Espírito do Santo o Cristianismo não passa de uma filosofia de vida”.

Jesus liberta da religiosidade, da paralisação do moralismo e transporta para um contexto de uma relação de amor. Uma experiência pessoal, real e direta com Deus!

Por isso, prezados, alimente-se da Palavra e nutra esse relacionamento, estabeleça essa reconciliação com o único Deus, esse a quem Jesus chama Aba, Pai.


O oposto da fé não é incredulidade, mas idolatriaPapa Francisco


Texto escrito por: 
João Carlos Leme da Costa
jclemedacosta.adv@hotmail.com
Advogado


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quarta-feira, 24 de junho de 2015

A culpa é de quem?




Nunca é fácil admitir nossos erros. Assumirmos a responsabilidade por termos falhado. Pelo contrário, repetidas vezes atribuímos a culpa à outra pessoa. Aconteceu isso, mas se “fulano” tivesse feito diferente não teria acontecido. A culpa nunca é nossa, sempre é do outro.

Esquivar-se de nossos erros e fugir de nossas responsabilidades não é novidade. Adão e Eva também assim fizeram, como revela o terceiro capítulo do Livro do Gênesis. A serpente seduziu Eva, aguçou sua curiosidade, e pelo embuste e certamente muito mais pelo desejo particular, a “mãe dos viventes” provou do fruto da árvore proibida.  Adão por sua vez, sem hesitar, igualmente comeu do mesmo fruto. Os dois foram desobedientes, não observando preceito divino.

Após a transgressão o homem e a mulher foram tomados pela vergonha. É exatamente assim que nos sentimos quando pecamos, especialmente quando somos apanhados, não só por nossa própria consciência, mas pelo olhar de desapontamento e reprovação de um terceiro.

Imediatamente quando questionado sobre o que havia acontecido, o homem respondeu: “A mulher que pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto, e eu comi”. Foi a primeira lamentação feita pelo homem, até então, Adão não havia se queixado, como se Deus fosse culpado pelos erros cometidos pela criação. Adão não admitiu sua falta. Justificou-se dizendo que a responsabilidade era da mulher. Eva, da mesma forma, disse ter sido enganada, e acusou a serpente.

Nem o homem e nem a mulher tiveram coragem de assumir que falharam. Não reconheceram nem de forma parcial a própria culpa. Procuraram esquivar-se da responsabilidade pelo seu erro. Não foram capazes de admitir: a culpa foi minha!

É mais fácil culpar os outros sem precisar pedir desculpas. Assim não é necessário ficar com o orgulho ferido e admitir as falhas, limitações e imperfeições, inerentes de cada ser humano. Reconhecer os próprios erros e pedir perdão é um grande desafio.

Muitas feridas ficam abertas quando não há reconciliação, quando não se perdoa e não se é perdoado. O primeiro passo é reconhecer-se pecador: “Não consigo ser perfeito, perdoe-me, abraça-me, preciso do seu carinho e da sua compreensão para seguir em paz. Vou esforçar-me para tentar não repetir o mesmo erro”.

O pecado nos afasta de Deus, arranca-nos do paraíso, rouba nossa tranquilidade e as consequências são sempre penosas, seja para nós mesmos ou para quem vive a nossa volta. Deus é todo misericórdia, não devemos ter vergonha de confessar-Lhe nossos erros. Da mesma forma, cunhados à Sua imagem e semelhança, também aos nossos pares, devemos pedir desculpas quando falhamos.

Provavelmente iremos falhar muitas vezes. É preciso calma, a jornada da vida é longa. Reconhecer nossa culpa e pedir perdão é importante. Quando o caminho é percorrido ao lado de Deus e das pessoas que amamos, o jugo é menos pesado, e encontramos alívio diante das aflições.
  

 Jeandré C. Castelon

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No Jornal: Gazeta de Toledo

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Planos Municipais de Educação e a ideologia de gênero



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Em 2014, em Brasília, o Congresso não permitiu que a ideologia de gênero fosse implantada como meta, quando da votação do Plano Nacional de Educação - PNE. Em 2015 o tema novamente volta a ser objeto de discussão. Todos os municípios do Brasil, até o dia 24 de junho, devem aprovar seus Planos Municipais de Educação – PMEs, podendo incluir ou não a ideologia de gênero na educação infantil.

A ideologia de gênero, em resumo, prega que não existem diferenças naturais entre o masculino e feminino, entre homem e mulher. A criança deve ser educada de forma neutra, para depois escolher qual denominação sexual irá adotar. Inclusive há propostas para utilização de banheiros unissex, para meninos e meninas nas escolas e nas universidades.

Recentemente a Presidência da República, por meio da Comissão de Direitos Humanos, aprovou a Resolução nº 12, que estabelece que em todos os locais de ensino do país, a criança ou jovem tem o direito de usar o banheiro segundo sua opção íntima. Ou seja, um estudante do sexo masculino (bem intencionado ou não), poderá frequentar livremente o banheiro feminino, e vice-versa. Também poderá exigir ser chamado pelo “nome social” que vier a adotar.

A ideologia de gênero é extremamente prejudicial às nossas famílias. Relativiza de forma absurda a sexualidade humana, como se não houvesse qualquer diferença física, cromossômica, hormonal ou biológica entre seres humanos nascidos homens ou mulheres. O absurdo é tamanho, que há também os que defendem a pedofilia, chamando a relação íntima entre o adulto (de qualquer idade) com a criança (podendo ser de 12, 13, 14,... anos) de “amor entre gerações”.

Ser contrário a ideologia de gênero, em hipótese alguma é ser homofônico. Preservar a inocência infantil, em nada fere a opção sexual do individuo adulto, plenamente capaz de expressar suas vontades e ser responsável por suas escolhas. Todo ser humano é digno de ser tratado com respeito, independentemente de suas opções íntimas.

Há um ataque sem precedentes contra a família. Hoje em dia conta-se com a dissolução rápida e fácil do matrimônio, que desde 2010, só fez crescer as estatísticas de divórcios. Há Projetos de Lei para a aprovação do aborto, seja até a 12ª semana de gestação, seja a qualquer tempo (tudo pago pelo SUS, ou melhor, pago com o nosso dinheiro recolhido através dos impostos).

Certamente, se aprovada, a implantação da ideologia de gênero prejudicará de forma sem precedentes o desenvolvimento das crianças, e afetará negativamente toda a sociedade, pois, as mesmas crescerão sem poder contar com o modelo referencial do masculino ou do feminino.


“O futuro da humanidade passa pela família” (São João Paulo II). Se a família vai mal, o reflexo é sentido em todos os âmbitos sociais. Rogo a todos os que estão no poder, para que permitam que os meninos possam crescer e serem educados como meninos e que as meninas possam ser educadas e crescerem  como meninas, como tem sido a milhares de anos, desde os primórdios da humanidade. 

Jeandré C. Castelon

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Nos Jornais: O Paraná / Gazeta de Toledo

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Corpus Christi e o milagre de Lanciano



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Sessenta dias após o Domingo de Páscoa, na primeira quinta-feira após a exaltação ao mistério da Santíssima Trindade que acontece no domingo precedente, os católicos celebram a festa de “Corpus Christi”.

A Festa de Corpus Christi surgiu na Bélgica durante o século XIII. Pouco tempo depois já havia se espalhado para outras partes da Europa e logo se consolidou como festa litúrgica anual em honra à Sagrada Eucaristia, comemorada por toda a Igreja.

Durante a celebração do Corpus Christi, carregado pelo sacerdote, o Santíssimo Sacramento sai em procissão pelas ruas, que normalmente são enfeitadas pela comunidade (com tapetes confeccionados com diferentes tipos de materiais), seguido pelo povo que agradece a Deus pela instituição da Eucaristia, onde o próprio Jesus se faz presente.

Segundo o Catecismo da Igreja Católica (§1324), “A Eucaristia é fonte e cume de toda a vida cristã. Os restantes sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e obras de apostolado, estão vinculados com a sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Com efeito, na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, nossa Páscoa.”.

Ao longo dos séculos muitos foram os relatos de milagres eucarísticos, em diversos lugares do mundo. Sem dúvida, dentre eles, o mais conhecido e impressionante é o Milagre de Lanciano. A história narra que no século VIII, havia um monge da cidade de Lanciano (Itália) que não acreditava na presença real de Jesus na Eucaristia. Durante uma missa quando da consagração do pão e do vinho, a Hóstia consagrada transformou-se em carne e o Vinho consagrado em sangue.

Mesmo depois de aproximadamente 1.300 anos, a carne e o sangue conservam-se como se tivessem sido recolhidos no presente dia, com todas as características de tecidos humanos vivos. A carne pertence ao miocárdio (coração) e o sangue pertence ao grupo AB, que é comum entre os judeus.

Com o propósito de se verificar a autenticidade do referido milagre, em 1970, as relíquias foram submetidas à análise científica. As investigações foram feitas em laboratório, pelos professores Linoli e Bertelli, este último da Universidade de Siena. Em 4 de março de 1971, os cientistas apresentaram a seguinte conclusão: "A Carne é verdadeiramente carne. O Sangue é verdadeiro sangue. Um e outro são carne e sangue humanos. A carne e o sangue são do mesmo grupo sanguíneo (AB). A carne e o sangue são de uma pessoa viva. O diagrama deste sangue corresponde a de um sangue humano que tenha sido retirado de um corpo humano naquele dia mesmo. A Carne é constituída de tecido muscular do coração (miocárdio). A conservação destas relíquias, deixadas em estado natural durante séculos e expostas à ação de agentes físicos, atmosféricos e biológicos, permanece um fenômeno extraordinário". Cópia do documento conclusivo poderá ser acessada no seguinte endereço: http://goo.gl/ptzuxH (em italiano).

A conclusão da ciência reforça e confirma o que os cristãos, pela fé, já experimentavam, a presença viva de Jesus Cristo Eucarístico, cujo sacrifício é atualizado todos os dias, em todas as partes do mundo em cada uma das missas, e que em especial é celebrado no dia de Corpus Christi.

Jeandré C. Castelon
Milagre eucarístico de Lanciano

sexta-feira, 29 de maio de 2015

“Havia pensado que seria pior”



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Infelizmente o pessimismo tem tomado conta dos brasileiros. Quase que de forma unânime, as pessoas têm se queixado que o presente ano não anda fácil para ninguém. São escândalos de corrupção por todos os lados; o impasse irresolvível entre o governo e professores; aumento dos combustíveis, da energia elétrica, dos alimentos; diminuição da oferta de emprego; demissões.

É sempre verdade que durante períodos de crise, há quem lucre, por mera casualidade ou aproveitando-se do momento. Mas essa não é uma regra, pelo contrário é exceção. Diversos setores caminham claudicantes. A construção civil cada vez mais dá sinais de desaceleração. No comércio as vendas vêem despencando. Empresas reduzindo pela metade o número de seus empregados. O otimismo que outrora imperava entre o povo, estagnou-se nos últimos dias de 2014, quando do “pacotaço” de medidas impopulares impostas pelo governo.

Antes das eleições para presidente e governadores, observava-se ferrenho debate entre os que defendiam a situação frente aos que se manifestavam a favor da oposição. Passados alguns meses, a impopularidade do governo é tamanha que não se vê nas ruas cidadão que tenha a coragem de defender publicamente os atuais governantes.

Espero que o cenário mude, espero verdadeiramente que o país supere o mau momento e imponente se levante. Que as anteriores perspectivas de um futuro mais promissor, finalmente se consolidem. Mas para isso o Brasil precisa mudar. Cada um de nós tem o dever de fazer a sua parte, de lutar contra a corrupção, por menor que seja e em todos os setores da sociedade.

Nosso país precisa urgentemente ser tomado por uma avalanche de moralização. É óbvio que as mudanças deverão ocorrer de forma lenta, e provavelmente nunca se chegará a um grau de completa satisfação. Passou da hora do Brasil ser diferente, das pessoas serem diferentes. Não é possível substituir o povo que aqui está, por outro que eventualmente julguemos ser melhor. Entretanto, é perfeitamente possível que cada um, em seu íntimo, mude seus rumos, tornando-se irrepreensível modelo para os demais.

Até que as circunstancias mudem, mantenho a esperança, “porque, enquanto um homem permanece entre os vivos, há esperança” (Eclesiastes 9,4). Tenho falado em diversas conversas e ocasiões, que espero a chegada do próximo ano, e assim olhando para trás convicto dizer: “havia pensado que seria pior”.


Jeandré C. Castelon

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Nos Jornais: O Paraná / Gazeta de Toledo

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