terça-feira, 22 de setembro de 2015

Ágape: amor, caridade, benevolência





               A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus, assim apregoa o parágrafo 1822 do Catecismo da Igreja Católica. Segundo o mesmo Catecismo, parágrafo 1813, as virtudes teologais, são infundidas por Deus na alma dos fiéis, fundamentando, animando e caracterizando o agir moral do cristão. Há três virtudes teologias: fé, esperança e caridade.

Na I Carta de São Pedro (4,8), o apóstolo nos aconselha a prática da caridade: “Antes de tudo, mantende entre vós uma ardente caridade, porque a caridade cobre a multidão dos pecados”. Texto semelhante pode ser encontrado no capítulo 10, versículo 12, do Livro dos Provérbios.

São Paulo, quando escreve a I Carta aos coríntios (13, 1-13) utiliza o termo “ágape”, que traduzido do grego significa: amor, caridade, benevolência. Ágape é o amor afetivo, isento de conotação sexual, de segundas intenções, de malícia, de interesses pessoais. É a forma de amor mais inclusiva e abrangente possível. São Paulo, no referido texto, destaca que entre as virtudes teologais: fé, esperança e caridade; a última é superior às outras duas.

A Epístola de São Tiago, no capítulo 4, justifica a fé pelas obras. O autor é célebre ao afirmar que “a fé sem obras é morta”. Portanto, muitos são os exemplos bíblicos que aconselham a realização de obras de caridade.

No mundo, cerca de 1,3 bilhão de pessoas são católicas, e a Igreja a qual pertencem, segue dando exemplo, como a maior instituição caritativa do planeta. Segundo o “Anuário Estatístico da Igreja” publicado pela Agência Fides, a Igreja Católica administra no mundo 115.352 institutos beneficentes e assistenciais, sem contar que majoritariamente esses institutos se subdividem em inumeráveis sedes.

Presente em todos os continentes, a Igreja Católica mantém na Ásia: 1.076 hospitais; 3.400 dispensários, que são locais para tratamento de doentes com dificuldades econômicas, onde se oferece atendimento médico e medicamentos gratuitos; 330 leprosários; 1.685 asilos; 3.900 orfanatos; 2.960 jardins de infância.  Na África: 964 hospitais; 5.000 dispensários; 260 leprosários; 650 asilos; 800 orfanatos; 2.000 jardins de infância.  Na América: 1.900 hospitais; 5.400 dispensários; 50 leprosários; 3.700 asilos; 2.500 orfanatos; 4.200 jardins de infância. Na Oceania: 170 hospitais; 180 dispensários; 1 leprosário; 360 asilos; 60 orfanatos; 90 jardins de infância. Na Europa: 1.230 hospitais; 2.450 dispensários; 4 Leprosários; 7.970 asilos; 2.370 jardins de infância.

Não há dúvidas de que a Igreja Católica é exemplo para o mundo em matéria de caridade, na realização de obras que contribuem para com toda a raça humana, inclusive atendendo e prestando socorro a pessoas que não pertencem à mesma Igreja. É claro que muitos membros da Igreja se equivocam, são sujeitos falíveis, afinal são seres humanos, repletos de imperfeições, assim como qualquer pessoa, independentemente de pertencer ou não a uma denominação religiosas. Executa-se para os católicos, a infalibilidade do Papa em matéria de fé e moral, porque sobre tais temas, a manifestação do Pontífice é isenta de erro.

Acredito que, quando no dia do definitivo juízo, as boas obras que tenhamos praticado durante a vida darão testemunho a nosso favor. Contará de maneira positiva até mesmo o copo de água fresca dado a um pequenino, como fora dito por Jesus no evangelho de Mateus (10,42). Pois está escrito que as obras seguem os bem-aventurados que habitam com o Senhor, e descansam dos seus trabalhos (Ap. 14, 13).

Jeandré C. Castelon
Advogado e membro da Pastoral Familiar

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No Jornal: Gazeta de Toledo

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Perdoar o pecador é diferente de aprovar o pecado: o Papa Francisco e a questão do aborto



O dia 8 de dezembro de 2015, data em que se completa 50 anos de encerramento do Concílio Vaticano II, marca o início do jubileu extraordinário da misericórdia, proclamado pelo Papa Francisco. O Ano Santo, dedicado à misericórdia, inicia-se na Solenidade da Imaculada Conceição (8 de dezembro) e transcorrerá até o dia 20 de novembro de 2016.

O Papa Francisco estabeleceu no dia 1º de setembro 2015 diversas formas em que será possível obter indulgências durante o referido Ano Santo. Entre as novidades, o Papa concede a todos os sacerdotes a faculdade de absolver o pecado do aborto. Repito: a faculdade (possibilidade), não a obrigação.

Essa notícia passou a ser divulgada em diferentes meios de comunicação, de forma distorcida. Destaco alguns títulos de jornais de circulação nacional: “Papa pede que, durante Jubileu da Misericórdia, padres perdoem o aborto”; “Papa comandará perdão em massa por aborto”; “Papa pede a padres para perdoarem aborto durante o Jubileu”; “Papa autoriza padres a perdoarem mulheres que fizeram aborto”; entre outros.

Não é a primeira vez que, maldosamente ou não, uma notícia vinculada ao Papa Francisco é mal interpretada, como se a Igreja estivesse mudando sua doutrina em assuntos relacionados à vida e à família. O aborto está previsto como crime tipificado no Código de Direito Canônico (cânon 1398), onde quem o pratica “incorre em excomunhão latae sententiae”. Ou seja, a excomunhão é automática, sendo reservada a absolvição e a reinserção como membro da Igreja, em regra, somente ao Bispo.

No Ano Santo, o Papa Francisco apenas amplia a todos os padres a possibilidade de remover esta grave pena canônica. Cabendo destacar que os padres não estão obrigados a dar a absolvição, é uma faculdade. Também importante salientar que o Catecismo da Igreja Católica (CIC 1480), estabelece requisitos para se receber o Sacramento da Penitência (confissão), onde o fiel deve reconhecer que cometeu um pecado, estar arrependido, e cumprir a penitência estabelecida pelo confessor. Além disso, importante é o propósito pessoal de mudança de vida, renunciando ao pecado. Algumas pessoas que praticaram o aborto poderão não receber a absolvição, por exemplo, quando se constate a inexistência de arrependimento.
 
O Papa Francisco destacou que “perante a gravidade do pecado, Deus responde com a plenitude do perdão. A misericórdia será sempre maior do que qualquer pecado, e ninguém pode colocar um limite ao amor de Deus que perdoa.". Isso quer dizer que Deus acolhe o pecador arrependido, embora abomine o pecado. Perdoar o pecador é diferente de aprovar o pecado.

Quando o fiel recebe o perdão pelas faltas cometidas, apaga-se todas as manchas do passado. A vida segue com um novo recomeço, Deus concede uma nova oportunidade de se alcançar a santidade.

Portanto, a misericórdia divina não deve ser entendida como uma permissão tácita para a prática do pecado. Também o fato do Papa estender durante determinado período a possibilidade dos padres absolverem o penitente que praticou o aborto, expandindo e facilitando o acesso à confissão, não quer dizer que o aborto seja aceitável. Pelo contrário, a Igreja defende a fundamental e incondicional defesa pela vida, desde a concepção até a morte natural. Aborto continua sendo crime previsto tanto na legislação canônica, quanto na lei civil.

Jeandré C. Castelon

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Nos Jornais: Umuarama Ilustrado / Gazeta de Toledo

terça-feira, 25 de agosto de 2015

O casamento, os filhos e o cachorro




Infelizmente, digo com verdadeiro pesar, tenho recebido notícias de muitos casais jovens que, ou estão a ponto de uma separação ou já se separam. É triste, principalmente para as crianças, que normalmente ficam sob os cuidados da mãe e diminuem consideravelmente o contato com o pai. Certo que numa situação de separação dos pais, os filhos são os maiores prejudicados.

É bem verdade que existem os que ainda não tiveram filhos. Há aqueles que terão que disputar a guarda do cachorro, até porque, no Brasil, assim como em outros países (principalmente os mais ricos), nos lares, o número de cães já supera o número de crianças.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) coletados em 2013, mas somente processados e publicados em 2015, de cada cem famílias, 44 possuem cachorros e somente 36 têm crianças até doze anos de idade. Destaca-se que esta estatística diz respeito apenas aos cães, pois, se considerado os gatos e outros animais a diferença é ainda maior.

A diminuição dos índices de natalidade e o aumento da presença de animais de estimação já são comuns em muitos países, onde as mulheres em busca do sucesso profissional, entre outros fatores, preferem um número menor de filhos, ou até mesmo nenhum.  Outras mulheres, simplesmente temem destruir sua beleza física em razão da maternidade.

Acredito que os filhos, principalmente entre os casais mais jovens, não têm sido motivo suficiente para a manutenção do casamento. Mas é um sinal de que os valores familiares precisam ser resgatados. Não dá mais para viver acreditando que tudo é substituível ou pode ser descartado.

A ausência de filhos, por outro lado, talvez contribua para facilitar a dissolução da união conjugal. É mais fácil descartar apenas o companheiro sem precisar manter a dura tarefa (porém muito gratificante) de permanecer como responsável pela criação dos filhos.

A sociedade precisa de casais modelos, que inclusive gerem filhos, até para a manutenção da espécie humana. Estatísticas apontam que a taxa de natalidade no Brasil vem despencando a cada ano, o que preocupa inclusive os economistas, que calculam prejuízo no crescimento econômico.

A preservação dos casamentos é de extrema importância, não só para as famílias de modo particular, mas também para toda a sociedade. Casais bem resolvidos e felizes gerarão filhos confiantes e igualmente felizes, com melhores condições de superarem as adversidades. Então, para aqueles que ainda não se sintam verdadeiramente capazes de construírem uma família e lutarem a cada dia para a sua manutenção, é melhor que fiquem solteiros, pelo menos durante um período necessário até que atinjam o indispensável amadurecimento.

Seria maravilhoso se todos os casais passassem a consertar o que está roto, compreendendo que muitas coisas só precisam de algum pequeno reparo. Que não há necessidade de descarte ou de substituição. Que a família é para sempre. Que não se destrói uma família para começar outra.

Paciência e carinho são doses necessárias para a manutenção da relação. Também é imprescindível que cada cônjuge lute pela felicidade do outro, certo que assim, ambos serão felizes e diminutas as separações. E principalmente, que se aprimore o desejo mútuo de querer permanecer unido à pessoa amada, haja o que houver. Afinal, amor é decisão!

Jeandré C. Castelon
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Nos Jornais: Gazeta de Toledo / Jornal Hoje 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Família: vida e missão da igreja doméstica


O Papa Francisco, numa catequese sobe o matrimônio em abril de 2015, destacou que Jesus dá início aos seus milagres numa festa de casamento.  Jesus salva a festa! Desta forma Jesus nos ensina que a obra-prima da sociedade é a família: o homem e a mulher que se amam!  Essa é a obra-prima!

Hoje, que cada casal também convide Jesus para participar do seu matrimônio, e que quando surgirem os imprevistos, enfrentando qualquer problema, seja confiante como foi Nossa Senhora, quando disse aos serventes “fazei tudo o que Ele vos disser”. Maria, que é exemplo de fé, sempre confiou, com infinita certeza, que Jesus vem em socorro às dificuldades de cada casal. Quando deixamos Jesus participar da festa, bebemos do melhor vinho, que é incomparável. 

Na primeira Carta aos Coríntios São Paulo compara a Igreja com o corpo humano. Onde Jesus Cristo é a “cabeça”, portanto, é a parte principal. O corpo é a Igreja, onde cada membro, diferente um do outro é responsável por uma função específica. O corpo somos nós. O corpo só funciona bem, quando todos os membros também funcionam bem. Isso quer dizer que a participação de cada membro da comunidade é importante, independente da tarefa que realize.

Ainda, não existe corpo sem cabeça, assim como não existe Igreja, sem Jesus Cristo. A igreja somos todos nós, e mesmo que não nos demos conta a todo instante, Cristo está conosco.

Na Igreja também aprendemos valores que nos acompanharão por toda a vida. Na participação das catequeses, grupos de jovens, pastorais, e tantos outros movimentos, que nos ensinam a ser família, vivenciando experiências junto com outras famílias, que também passam a fazer parte da nossa história.

É importante destacar que a Igreja surgiu em comunidades, que embora pudessem estar inseridas dentro de grades cidades, inicia com pequenos grupos de pessoas, que se reuniam em suas casas, para a proclamação da palavra e para a partilha do pão, entre os que já fossem batizados. Em diversas passagens de suas cartas, São Paulo deixa claro que a Igreja começa dentro das casas. Ainda hoje, em locais onde cristãos são perseguidos (inclusive correndo risco de morte), reúnem-se escondidos dentro de suas casas, ou até mesmos dentro de buracos cavados na terra, mas ainda assim se reúnem.  

Portanto tudo começa dentro de casa. O lar deve ser uma verdadeira Igreja doméstica, que também em nossos dias, precisa ser resgatada. A Igreja doméstica pressupõe a existência de uma família, que mesmo não estando, por motivos diversos, constituída de forma ideal, precisa ser lugar de formação.

É importante que os pais, tios, avós, ou quem forem responsáveis, sejam os primeiros catequistas das crianças. Que caminhem sendo exemplos, mesmo com tantos defeitos, lutem para que cada dia seja melhor que o dia anterior. A caminhada é longa e deve ser constante, mas quando olhamos para trás, percebemos que, talvez distantes ainda daquilo que Deus quer para nós, já não somos mais como éramos antes.

As casas precisam ser lugar de oração, lugar de leitura da Palavra de Deus. Como disse o Papa Francisco: “A fé para ser sã e forte deve alimentar-se constantemente da Palavra de Deus.”.

Na família onde há oração, onde a Palavra de Deus se faz presente, existe paz, existe maior concórdia. E os problemas, quando chegarem serão enfrentados e superados de modo muito especial, pois somos amparados pela Misericórdia de Deus.

Que as crianças em cada lar possam presenciar os pais rezando juntos, ao invés de testemunharem brigas e discórdia.

Que cada lar, possa de fato ser uma verdadeira Igreja doméstica. Que a formação do cristão se inicie dentro de casa, para que quando chegue à Igreja, a formação seja apenas aperfeiçoada e complementada.

Essa responsabilidade cabe aos pais ou responsáveis, que precisam ensinar às crianças o caminho que eles devem seguir, pois assim está escrito do Livro de Provérbios (22, 6): “Ensina à criança o caminho que ela deve seguir; mesmo quando envelhecer, dele não se há de afastar.”.

Acredito que muitos já ouviram uma frase do saudoso São João Paulo II, que disse: “O futuro da humanidade passa pela família!”

Se tivermos uma boa formação que se inicie dentro da família, se de fato nossas casas foram verdadeiras Igrejas Domésticas, teremos melhores cidadãos. Certamente, surgirão muito mais jovens vocacionados ao sacerdócio ou à vida religiosa, bem como teremos melhores cidadãos, profissionais em todas as áreas, inclusive melhores políticos.

Lutemos pelas nossas famílias, independente da condição em que elas estejam! Sejamos cada um de nós fermento, que mesmo proporcionalmente pequenino comparado a todos os outros ingredientes, atinge toda a massa, fazendo crescer de maneira a modificar toda a estrutura. 


Que Deus abençoe a cada um de nós, que Deus abençoe as famílias!

Jeandré C. Castelon



No Jornal: Gazeta de Toledo


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O Jugo

Ser livre não é apenas livrar-se das correntes de alguém, mas viver de uma forma que valorize e reforce a liberdade dos outros.
Nelson Mandela

É sabido que os judeus são acostumados desde a tenra idade a estudar, aos 10 anos já tem decorado a Torá, os cincos primeiros livros da bíblia: Gênesis, Êxodo, Levíticos, Números e Deuteronômio, após essa primeira fase, o Rabino escolhe os que se mostram mais vocacionados, e então esses aprofundam o estudo, e aos catorze decoram o que conhecemos como o antigo testamento, a Bíblia Hebraica.

Em hebraico, a palavra Torá significa ensinamento, instrução. Existe a Torá oral e a Torá escrita, que contém histórias, lições fundamentais e 613 mitzvot[1], além de narrar à história do povo judeu.

Ed René Kivitz em sua série Talmidim, reflexões diárias, disponível no You Tube, série essa que depois virou um livro, explica que esses meninos da segunda fase, nos tempos de Jesus, eram chamados Talmidim, ou seja, seguidores, discípulos, aprendizes do Rabino.

Cada Rabino tem sua interpretação, uma visão, uma compreensão, um entendimento da Torá, dos livros históricos, de sabedoria e todos os profetas, essa interpretação da Torá oral e escrita, isso é chamado, o Jugo do Rabino.

Então veio Jesus. Ora vem Jesus!!!

Inaugurando a proclamação de sua mensagem, o seu ministério, primeiro em um ato extraordinário, ao receber o batismo das águas, também recebe o batismo do amor.

Assim que Jesus foi batizado, saiu da água. Naquele momento o céu se abriu, e ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousando sobre ele. Então uma voz dos céus disse:"Este é o meu Filho amado, em quem me agrado".
Mateus 3.16,17

Jesus de Nazaré vai ao deserto para ser tentado, após refutar todas as não tão óbvias sugestões, ordena a retirada do Maligno, e os anjos vem e o servem. Mateus 4.10,11

O Nazareno começa a anunciar sua mensagem e escolhe então os seus Talmidim[2], os 12, em uma franca referência as 12 tribos.  Agora, porém o Rabino é Jesus e o seu jugo é outro, tem autoridade messiânica, é o jugo da liberdade.

Uma liberdade pelo amor¸ essa liberdade que nos revela nossa verdadeira identidade, a de ser amado pelo Pai, esse mesmo amor derramado por Jesus, não se trata de sermos merecedores ou não, mas de ser agraciados, o dom imerecido, através da ida de Jesus para a Cruz e nas suas próprias palavras: “...eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste." João 17.23

O que antes era um jugo insuportável e demasiadamente pesado, com a Nova Aliança, tornou-se leve e suave.

Aqui merece uma ressalva, esse jugo de liberdade, não se trata de uma liberdade com cinismo, mas com responsabilidade, ser transformado por esse amor, renovados em nosso querer, como bem ensina, Paulo, esse gênio da humanidade: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transforme-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Carta aos Cristãos em Roma 12.2


Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.
Jesus de Nazaré


João Carlos Leme da Costa
jclemedacosta.adv@hotmail.com
Talmid de Jesus
Junho de 2015




[1] mitzvot: plural de mitzvá, mandamentos divinos
[2] Talmidim: plural, Talmid: singular




segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Semana Nacional da Família e a participação do leigo na Igreja



A Semana Nacional da Família é celebrada entre os dias 09 e 15 de agosto, em todo o Brasil. A Igreja Católica com a ajuda dos fieis leigos, em cada uma de suas paróquias espalhadas por todo o território nacional promove palestras, encontros e outras atividades de formação, contando com a participação de toda a comunidade. São abordados diferentes temas em cada dia de encontro, mas sempre com o objetivo de fortalecer a família, que é a principal célula da sociedade.

Bastante relevante é destacar que a Igreja clama a participação dos leigos em todas as atividades da Igreja. Desde o Concílio Vaticano II (1962-1965), em muitos documentos a Igreja vem destacando a fundamental importância do envolvimento da comunidade em assuntos que por muito tempo cabiam apenas à autoridade eclesial. Obviamente se mantém a hierarquia dos membros do clero, representada pelos diáconos, presbíteros (padres) e bispos, sujeitos à autoridade máxima do Papa, bispo de Roma.

Aproxima-se também a etapa final do sínodo da família, que se realiza no Vaticano, com a convocação pelo Papa Francisco da XIV Assembleia Geral que terá como tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. 

Dom Bruno Forte, que é secretário especial do sínodo, declarou que a ajuda dos leigos tem sido importante, não só pelos testemunhos dos casais, mas também dos especialistas e convidados. Exorta os leigos a serem verdadeiros protagonistas.

A Igreja, que é a mãe, quer ouvir seus filhos. Milhares de cristãos, espalhados por todo o mundo, foram convidados a responder um questionário com perguntas atinentes à família, que após foram enviados ao Vaticano, para análise.

A Igreja não quer caminhar sozinha. Pelo contrário, deseja que cada fiel seja exemplo de conduta cristã e auxilie no trabalho missionário.

Certamente, durante as celebrações que acontecem em razão da Semana Nacional da Família, os participantes notarão a presença dos leigos, que junto com a Igreja se dispõem a contribuir para o fortalecimento da família, bem como contribuir para com o resgate de valores que devem nortear toda a sociedade.

A família é base da sociedade e o lugar onde as pessoas aprendem pela primeira vez os valores que os guiarão durante toda a vida.”. São João Paulo II



Jeandré C. Castelon



No Jornal: Gazeta de Toledo

domingo, 26 de julho de 2015

Cuidar-se e evitar exageros





“Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.” (I Coríntios 6, 12)

Este versículo escrito por São Paulo aos Coríntios, no primeiro século da era cristã, resume muito bem o que é realmente ser livre. Poder fazer tudo o que se quer, sem prejudicar o próximo e nem a si mesmo. Até porque, embora autônomo no exercício dos desejos, ninguém fica imune às consequências dos seus atos.

Se o corpo é mal tratado, cedo ou tarde o organismo dará sinais de fragilidade e suplicará por socorro. Também a família e os amigos merecem cuidados. Estreitar laços é importante. Igualmente os excessos precisam ser evitados. É melhor pôr-se vigilante, enquanto há tempo.  

Os afazeres diários também merecem atenção. Não se deve exagerar na carga de trabalho, nem esquivar-se totalmente dele. De que adianta o labor exaustivo dia após dia, ano após ano, se o convívio familiar for prejudicado, se não houver amigos. De que adianta um bom emprego, uma pomposa posição social, se o lar estiver em ruínas. O trabalho é importante, de fato dignifica o homem, no entanto, não pode ser o único sentido da vida.

Existem os que de tanto trabalhar se esquecem de viver. Por outro lado, há também os que não fazem absolutamente nada, apenas vivem de sugar, como faz um parasita, os frutos do trabalho alheio. São Paulo em sua segunda carta aos Tessalonicenses exorta no seguinte: “... soubemos que entre vós há alguns desordeiros, vadios, que só se preocupam em intrometer-se em assuntos alheios. A esses indivíduos ordenamos e exortamos a que se dediquem tranqüilamente ao trabalho para merecerem ganhar o que comer. Vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem” (cap. 3, 11-13). É prejudicial estar em qualquer lado desses opostos extremos.

Preocupar-se com os outros é de suma importância, mas não devemos nos esquecer de nós mesmos. O cuidado pessoal, sem se entregar aos exageros também é uma forma de demonstrar amor pelas pessoas com quem nos importamos, já que uma vida equilibrada e saudável tende a ser mais duradoura, e assim é possível aumentar a quantidade de momentos felizes compartilhados ao lado de indivíduos imprescindíveis.

 Se você ama alguém, cuide de sua saúde, para que possa permanecer mais tempo com a pessoa amada. O desleixo, a falta de zelo com o corpo e com a mente, principalmente quando entregues aos vícios e à promiscuidade, encurtam a vida. Não seja escravo do trabalho ou totalmente avesso a ele. Mesmo que você não tenha ninguém, que viva absolutamente só, cuide-se mesmo assim, afinal é possível ser útil, ajudar pessoas, fazer a diferença na história daqueles que não possuem mais nada, mas que podem oferecer muito, acrescentar valores impagáveis e ajudar-nos a encontrar o sentido da vida.

Encontrar o equilíbrio é um desafio para o homem moderno, que vive submisso e preso a um sistema que esgota as forças, que suprime o precioso e cada vez mais escasso tempo, que cumula stress e priva momentos agradáveis. É preciso ser diligente na busca da felicidade, sendo prudente ao tomar decisões. Afinal de contas: “tudo me é permitido, mas nem tudo convém”.

Jeandré C. Castelon

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Nos Jornais: Gazeta de Toledo / O Paraná / Umuarama Ilustrado

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Barbáries




Um homem de 29 anos foi linchado por um grupo de pessoas, moradores do bairro denominado Jardim São Cristóvão em São Luiz do Maranhão. O nome dele era Cleidenilson. Era, porque ele está morto. Foi amarrado num poste por populares, e agredido até a morte, assim como faziam com os negros antes da abolição da escravatura quando da assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888. Açoitavam, e muitas vezes até o ponto de retirar a vida do escravo, visando entre outros objetivos, servir de exemplo. No mesmo episódio estava envolvido um menor de 16 anos, que teve melhor sorte, e apesar de também brutalmente agredido, sobreviveu à barbárie.

Cleidenilson e o citado menor foram sumariamente julgados e a macabra sentença foi executada à luz do dia, na presença de muitas testemunhas, pelas mãos de uma população raivosa e descontrolada. Segundo a polícia, os dois envolvidos teriam tentado assaltar um bar. Foram rendidos e amarrados. Cleidenilson preso a um poste, teve suas roupas arrancadas, e nu, suportou por algum tempo os socos, chutes, pedradas e garrafadas, até quando não mais aguentou e expirou.

O pai de Cleidenilson afirmou veementemente que seu filho não era ladrão. Digo, hipoteticamente, mesmo que fosse um ladrão, não merecia ser brutalmente assassinado.

Pergunto-me: o que vai acontecer com os autores de tão bárbaro crime? Talvez não aconteça nada. Talvez ninguém seja punido. Estamos no país da impunidade.

Quero deixar bem claro que, se o assalto fosse confirmado pela Justiça, os dois deveriam ser punidos com os rigores da Lei. Ninguém deve ser condenado, sem antes, submetido a um julgamento isento de ânimo e justo.

Recordo-me de outro linchamento, o da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, que era casada e tinha dois filhos. Ela foi agredida e morta por seus vizinhos no Guarujá no Estado de São Paulo, tudo a partir de um boato mentiroso divulgado pela internet, que afirmava que a dona de casa sequestrava crianças para utilizá-las em rituais de magia negra. Fabiane era inocente. Os seus agressores não são.

Assusta-me a ideia de que muitos passem a defender o linchamento como algo normal e aceitável, repetindo tamanha brutalidade em outras cidades. Que muitos pensem e digam que Cleidenilson teve o que merecia.

Ninguém pode caminhar bem tomando atitudes bárbaras. A violência empregada a ponto de tirar a vida de alguém não se legitima por nenhum argumento. O que aconteceu somente poderia ser justificado por um pensamento doentio, derivado de mentes transtornadas.

O que assalta deve ser julgado, condenado e pagar pelo seu crime. Da mesma forma aquele que ceifa a vida de alguém não merece ficar impune. Que a Justiça seja ampla e para todos.

Cleidenilson até poderia ter sido um ladrão, mas os que lhe tiraram a vida, o que são?

Não matar é um dos dez mandamentos que figuram no Livro do Êxodo (capítulo 20). Referido mandamento não deve ser somente observado por pessoas que professam fé em determinadas religiões, mas por toda pessoa civilizada que deseja conviver em paz.

Jeandré C. Castelon


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Nos Jornais: Gazeta de Toledo / Umuarama Ilustrado / O Paraná

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Prepare-se!




Muitas vezes gostaríamos de alcançar os resultados pretendidos de forma instantânea, rápida, e de preferência sem muito esforço. Vivemos na era do imediatismo, tudo tem que ser para agora. Em todos os lugares queremos ser atendidos de forma rápida, como se fossemos os únicos seres existentes; a comida no restaurante não pode demorar sequer alguns poucos minutos; até mesmo quando usando a internet, a paciência logo se esgota quando o link tarda a abrir ou o download não é se realizada com a velocidade esperada.  Talvez lhe falte paciência para completar a leitura deste breve texto. Andamos com muita presa e não chegamos a lugar algum.

Não raras vezes o tempo que nos sobra não é bem aproveitado. Queremos cada vez mais tempo, para perdê-lo em atividades pouco proveitosas. Poucos têm a paciência necessária para prepararem-se para o futuro. Gastar um bom tempo em atividades edificantes: família, estudos, amigos, lazer, entre outras.

Para se chegar ao sucesso, cumprir nossos objetivos é importante um período de preparação. Na Bíblia, em diferentes momentos, antes de chegar-se a uma grade conclusão, antes do grande objetivo, os personagens tiveram um momento de preparação.

No texto bíblico, o número 40 representa determinado lapso de tempo suficiente para algo (tempo necessário para...). Durante o dilúvio, a chuva caiu por quarenta dias e quarenta noites; Moisés permaneceu com o Senhor, durante quarenta dias e quarenta noites, antes de receber os Dez Mandamentos; o profeta Elias caminhou por quarenta dias e quarenta noites, antes de chegar ao Monte Horeb, a montanha de Deus; quarenta anos o povo hebreu permaneceu no deserto até chegar à Terra Prometida; os ninivitas tiveram quarenta dias para se converterem a Deus, quando do anúncio proferido pelo profeta Jonas; Jesus, após o batismo, permaneceu por quarenta dias no deserto. Estes são apenas alguns exemplos. Não foi diferente com os apóstolos, e igualmente com São Paulo, todos passaram por um período de preparação. 

Não existem resultados imediatos para importantes objetivos. Não se chega a grandes metas sem esforço. Para tudo na vida, há um momento de preparação, seja em razão de uma promissora carreira profissional, seja para determinada atividade a ser realizada em comunidade, ou até mesmo para compartilhar a vida ao lado de outra pessoa, formando uma perfeita união conjugal (imprescindível é uma boa preparação para o matrimônio).

Então, não há alternativa, não existe outro caminho a percorrer, prepare-se! Estude como é preciso estudar, trabalhe como é preciso trabalhar, confie na providência de Deus como é preciso confiar, e espere. Paciência é virtude, não disse que seria fácil, porém, tenho plena convicção de que os resultados serão surpreendentes. Nada que valha realmente a pena se consegue sem esforço.

Jeandré C. Castelon

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Nos Jornais: Jornal Hoje /  Jornal O Paraná / Gazeta de Toledo

quarta-feira, 1 de julho de 2015

A troca



A fé e o pensamento caminham juntos, é impossível crer sem pensar.
John Stott


Atualmente presenciamos um fenômeno bem palpável e muito presente no dia a dia da humanidade, a substituição. A imposição de uma suposta necessidade de substituir, de ter sempre o último modelo, subsistindo no elemento da descartabilidade.

Tudo se torna descartável, tudo pode ser substituído, a indústria impõe e reforça esse comportamento. Há divisões e departamentos nas organizações com um único objetivo de tornar obsoleto o recém-lançamento. Com ressalvas as reais inovações, empreender esforços em consertar tornou-se démodé, totalmente out.

Na esteira dessa cultura a prateleira religiosa é numerosa e a substituição está, infelizmente, virando regra. A troca de Deus pelos ídolos do poder, do dinheiro, do lucro, da felicidade, e a mais grave substituição, a troca de Deus pelo próprio homem, pelo seu ego e seu inestimável orgulho.

Quantos por poder, dinheiro e lucro espezinham pessoas e varrem suas dignidades da face da humanidade. Pode causar estranheza quando se fala que pessoas transformam em ídolo a própria felicidade, mas em detrimento dessa busca praticam atrocidades para alcançar o que entendem ser felicidade. Tem agora, a idolatria do corpo perfeito, a doentia busca de atingir o inatingível, usando academia e clínicas de estética e de cirurgia plástica como verdadeiros templos da insanidade.

Todavia a mais grave, ainda é a troca de Deus pelo próprio homem.

Joseph Ratzinger ilustra bem essa realidade exemplificando com a história de dois homens, o fariseu e o publicano, no evangelho de Lucas 18,9-14, é bom frisar que o texto sagrado primeiro fala e se dirige a sua época, ao povo ali e naquele momento, para depois falar ao futuro.

Dois modos distintos de se situar perante Deus e perante si mesmo. O fariseu não olha para Deus, mas apenas para si mesmo, se vangloriando de suas próprias virtudes, se orgulhando de si mesmo, não há nenhuma relação com Deus, pois ele por si mesmo faz tudo corretamente. Deus é, em última instância, dispensável, basta esse homem e apenas sua própria ação, apenas o seu próprio braço forte.

O publicano, por sua vez, olha para si a partir de Deus. O seu olhar é pelo prisma de Deus e a partir daí abre o olhar sobre si mesmo. Deste modo ele sabe que precisa D’ele, sabe que precisa da graça e misericórdia, e que diante dessa misericórdia ele aprenderá a ser ele mesmo misericordioso e assim se tornar semelhante a Deus, ainda que isso seja um horizonte muito distante.

O publicano precisa do Deus e, porque O conhece vive uma relação de ser agraciado, sempre precisará da oferta do perdão, aprendendo também a perdoar, sendo livre pela oferta do perdão.

Só esse Deus a quem Jesus de Nazaré chama de Pai mostra quem realmente nós somos, e a partir dessa descoberta, a completa aceitação de quem somos nesse Deus, e da exploração do nosso real potencial na Graça, pela ação do Espírito Santo. Até porque, como bem alerta Ed René Kivitz: “Quem não crê na ação do Espírito do Santo o Cristianismo não passa de uma filosofia de vida”.

Jesus liberta da religiosidade, da paralisação do moralismo e transporta para um contexto de uma relação de amor. Uma experiência pessoal, real e direta com Deus!

Por isso, prezados, alimente-se da Palavra e nutra esse relacionamento, estabeleça essa reconciliação com o único Deus, esse a quem Jesus chama Aba, Pai.


O oposto da fé não é incredulidade, mas idolatriaPapa Francisco


Texto escrito por: 
João Carlos Leme da Costa
jclemedacosta.adv@hotmail.com
Advogado


Imagem: http://migre.me/qzeyT

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