segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Mês da Bíblia 2020 - Setembro mês da Bíblia

 

A Bíblia aparece cheia de famílias, gerações, histórias de amor e de crises familiares, desde as primeiras páginas onde entra em cena a família de Adão e Eva, como seu peso de violência, mas também com a força da vida que continua (cf. Gn 4), até às últimas páginas onde aparecem as núpcias da Esposa e do Cordeiro (cf. Ap21, 2.9)”... é assim que o Papa Francisco inicia o Capítulo Primeiro, que é todo dedicado às Sagradas Escrituras, da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, sobre a “Alegria do Amor”.

 

Setembro é o mês em que a Igreja celebra a Palavra de Deus: é o mês da Bíblia. E em 2020 o livro especialmente escolhido para estudo é o livro do Deuteronômio, com o lema “Abre tua mão para teu irmão” (Dt 15,11).

 

Segundo o Frei e ilustríssimo teólogo Carlos Mesters as passagens constantes no Livro do Deuteronômio são citadas 200 vezes no Novo Testamento, é, a toda evidência, o livro veterotestamentário mais mencionado na Bíblia pelos hagiógrafos neotestamentários.

 

De fato, há passagem bíblicas mais edificantes que outras, há textos que são mais prazerosos de serem lidos do que outros, de todos os modos relacionar-se com a Palavra de Deus é fundamental para o cristão.

 

A Bíblia relata os acontecimentos que vão desde o surgimento da humanidade (de forma catequética),  percorre o caminho dos patriarcas (Abraão, Isaac e Jacó), passa pelo período das tribos, dos juízes, pelos reinados de Saul, Davi e Salomão, pela divisão do reino (Reino do Norte: Israel – Reino do Sul: Judá), pelas deportações, primeiro do Reino do Norte para a Assíria e depois do Reino do Sul para a Babilônia; conta-nos ainda sobre o retorno do povo à terra prometida, sobre a  reconstrução do Templo e dos muros da cidade de Jerusalém, bem como fala da vida e glória de Jesus Cristo, e do desenvolvimento das primeiras comunidades cristãs. Os livros sapienciais são importantes para a reflexão e o fortalecimento da fé (Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e Eclesiástico).

 

Concluo trazendo a lume um pequeno trecho inspirador contido no parágrafo 25 da Constituição Dogmática Dei Verbum, que trata da Revelação Divina, onde diz: ... Debrucem-se, pois, gostosamente sobre o texto sagrado, quer através da sagrada Liturgia, rica de palavras divinas, quer pela leitura espiritual, quer por outros meios que se vão espalhando tão louvavelmente por toda a parte, com a aprovação e estímulo dos pastores da Igreja. Lembrem-se, porém, que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada de oração para que seja possível o diálogo entre Deus e o homem; porque “a Ele falamos, quando rezamos, a Ele ouvimos, quando lemos os divinos oráculos” (Santo Agostinho).


Jeandré C. Castelon

Advogado, teólogo e membro da Pastoral Familiar.

 

 


 

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Lições sobre a eleição de Matias


(que ocupou o lugar que era de Judas Iscariotes dentro do grupo dos 12 Apóstolos)


Texto Bíblico: Atos do Apóstolos 1, 21-26

Convém que destes homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, a começar do batismo de João até o dia em que do nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco testemunha de sua Ressurreição. Propuseram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome Justo, e Matias.

E oraram nestes termos: Ó Senhor, que conheces os corações de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste para tomar neste ministério e apostolado o lugar de Judas que se transviou, para ir para o seu próprio lugar.

Deitaram sorte e caiu a sorte em Matias, que foi incorporado aos onze apóstolos.

 

 Lições:

A assembleia escolheu dois dentre outros bons homens (sob a luz do Espírito Santo), e depois oraram a Deus pedindo auxílio para tomarem a melhor decisão. A escolha definitiva veio pela sorte (acredito que a “sorte” foi lançada porque qualquer um dos dois desempenharia um excelente trabalho – e mesmo que José “o Justo” não tenha sido o escolhido, creio que ele não abandonou sua missão junto à Igreja, pelo contrário, continuou ao serviço do Reino de Deus).

 

Nem sempre seremos escolhidos para os cargos de maior prestígio, mais isso não nos impede de realizar as obras de Deus, de sermos justos, de sermos bons cristãos. Deus te abençoe. Um grande abraço.


Jeandré C. Castelon - advogado e teólogo




sábado, 13 de junho de 2020

A Bíblia: pequeno relato histórico


A Bíblia é um conjunto de muitos livros escritos durante vários séculos. Foi João Crisóstomo, no século IV d.C, quem usou pela primeira vez a palavra Bíblia para se referir às Sagradas Escrituras.

 

A Bíblia relata os acontecimentos que vão desde o surgimento da humanidade, passa pelos patriarcas (Abraão, Isaac e Jacó), pelas tribos, pelo período dos juízes, pelos reinados de Saul, Davi e Salomão, pela divisão do reino (Reino do Norte: Israel – Reino do Sul: Judá), pelas deportações, primeiro do Reino do Norte para a Assíria e depois do Reino do Sul para a Babilônia; nos conta ainda sobre o retorno do povo à terra prometida, sobre a  reconstrução do Templo e dos muros da cidade de Jerusalém, bem como fala da vida e gloria de Jesus Cristo, e segue até a perseguição dos primeiros cristãos. São mais de 2000 anos de história. Os livros sapienciais são importantes para a reflexão e o fortalecimento da fé (Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e Eclesiástico).

 

É o livro mais vendido no mundo, já foi traduzido para mais de 1685 idiomas. Foi escrita originalmente em hebraico e grego (pequenos trechos em aramaico). Entre o final do século IV, início no século V d.C. a Bíblia foi traduzida para o latim. As primeiras traduções para línguas modernas somente ocorreram a partir do século XVI d.C.

 

Jeandré C. Castelon
Advogado e Teólogo






quinta-feira, 28 de maio de 2020

O que a Bíblia nos diz sobre Maria mãe de Jesus?



Maria recebeu a visita do porta-voz de Deus, o anjo Gabriel que lhe disse:
“Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”

Maria visitou Isabel, sua prima, como revela o primeiro capítulo do evangelho de Lucas. As palavras de Isabel dirigidas à Maria são belíssimas:
“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?”

Maria glorificou a Deus dizendo:
“Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo”...

E também:

Maria deu à luz na cidade de Belém. Precisou fugir para o Egito junto com José e o menino Jesus, para protege-Lo da tirania de Herodes.

Maria esteve com Jesus nas Bodas de Caná, onde Ele revelou-Se publicamente, quando realizou o seu primeiro milagre, transformando água em vinho. Maria esteve com Jesus aos pés da Cruz. Maria esteve junto com os discípulos no dia de Pentecostes, quanto todos ficaram cheios do Espirito Santo.

Maria nunca foi uma simples mulher.
Maria é a mulher mais importante de toda a história do cristianismo.
É claro que diante de Deus ela é muito pequena, mas diante dos homens é mais importante de todas as criaturas.

Jeandré C. Castelon
Advogado e teólogo.


Imagem: https://url.gratis/6p1BU

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Crônica dos “quarenta”



Sempre achei interessante o significado bíblico do número quarenta: tempo suficiente para que algo aconteça. Tenho certeza que mesmo que você não se recorde imediatamente, já ouviu o número quarenta ser pronunciado ao longo da história do povo de Israel em diversos momentos.

Já escrevi noutra oportunidade que, na Bíblia: durante o dilúvio, a chuva caiu por quarenta dias e quarenta noites; Moisés permaneceu com o Senhor, durante quarenta dias e quarenta noites, antes de receber os Dez Mandamentos; o profeta Elias caminhou por quarenta dias e quarenta noites, antes de chegar ao Monte Horeb, a montanha de Deus; quarenta anos o povo hebreu permaneceu no deserto até chegar à Terra Prometida; os ninivitas tiveram quarenta dias para se converterem a Deus, quando do anúncio proferido pelo profeta Jonas; Jesus, após o batismo, permaneceu por quarenta dias no deserto. Estes são apenas alguns exemplos.

Pois é, agora é comigo, cheguei aos quarenta. Sim, quarenta anos de idade, embora tenha a completa convicção de que ainda não alcancei o meu “tempo suficiente”, espero que os meus “quarenta” em sentido bíblico só aconteça após eu superar os cem anos de vida.

Antigamente quem superava os trinta anos já era considerado ancião. Em 1900 a expectativa de vida do brasileiro era de apenas espantosos 33,7 anos, viver além disso era lucro. Popularmente, a letra da divertida e controvertida canção interpretada por Sergio Reis intitulada “Panela Velha”, descreve que a pessoa com mais de trinta anos “é madura” e “estão falando que ela é muito coroa”, porém, corrige-se a composição ao afirmar sabiamente que “a nossa vida começa aos quarenta anos”.

Percebo que já não sou mais como era ates. Olhando no espelho noto uma desagradável assimetria causada pelas inevitáveis linhas do tempo que começam a marcar meu rosto. Sobre os cabelos, prefiro abster-me de comentar este assunto.

Quando mais jovem achava interessante o adágio que diz: “não me arrependo de nada que fiz, só daquelas coisas que deixei de fazer”. Quanta bobagem. Se pudesse teria feito muitas coisas de forma diferente, principalmente quando as minhas escolhas afetaram negativamente outras pessoas. Para tanto, ainda bem que existem: arrependimento e reconciliação.

Tenho fé que cheguei até aqui porque Deus assim permitiu, creio que ele deseja algo de mim que ainda eu não descobri exatamente o que é (de forma alguma quero ser pretensioso, acredito que Deus tem planos especiais para cada um de nós). Penso que ainda falta muito para eu completar a minha missão aqui na terra. Se ao Céu eu fosse chamado neste momento, chegaria lá um tanto quanto contrariado, ainda não chegou a minha hora (por outro lado agradecido de não ter sido enviado para a “repartição inferior”, você sabe à qual me refiro, aquela sob os cuidados do inimigo).

Tenho esposa, filhos, família, amigos. Sou grato por isso. Sei que nem sempre sou a melhor companhia, embora inesgotáveis esforços. Talvez a partir de hoje, somados mais quarenta anos, consiga a extraordinária façanha de gastar o tempo apenas com as coisas que realmente são importantes na vida. Seguirei meu caminho diante de acertos e tropeços, mas sempre com a vontade inequívoca de não cometer antigos erros.

Jeandré C. Castelon




segunda-feira, 6 de abril de 2020

“Dai-lhes vós mesmos de comer”




A primeira multiplicação dos pães é o único milagre realizado por Jesus que é mencionado pelos quatro evangelistas (Lc 9, 10-17 = Mt 14, 13-21 = Mc 6, 30-44 = Jo 6, 1-15). Obviamente há outros sinais operados pelo Messias, mas como dito, apenas a primeira multiplicação dos pães é referida por Mateus, Marcos, Lucas e João. A ressureição de Lázaro, por exemplo, é exclusiva no Evangelho escrito por João, enquanto que há outros milagres que são comuns entre os evangelistas, aludidos de forma mais evidente nos Evangelhos sinóticos – Mateus, Marcos e Lucas –, como a cura da filha de Jairo, chefe da sinagoga (provavelmente de Cafarnaum) e a cura da mulher que padecia havia doze anos dum fluxo de sangue.

Nunca havia pensado nisso antes, mas talvez seja a multiplicação dos pães o milagre mais importante feito por Jesus, e certamente o único que o ser humano é capaz de reproduzir, não do modo extraordinario como realizado por Cristo (que alimentou a multidão com cinco pães e dois peixes, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos cheios), no entanto, de um jeito mais simples, apenas repartindo o pão. Afinal, ele mesmo disse “dai-lhes vós mesmos de comer”, quando replicou aos apóstolos, de que maneira eles haveriam de alimentar a multidão que o seguia.

Normalmente não somos desprendidos ao partilhar os bens e os dons que Deus nos concede.  É comum dividirmos entre os irmãos, e ainda muito mal, somente aquilo que nos sobra. Como é difícil partilhar com justiça! Como é difícil partilhar com equidade! Seja pelo sentimento de egoísmo, seja pelo medo de que nos venha a fazer falta, ou pela ausência de fé em Deus em prover o sustendo dos homens.

Se aquele que possui, dividir com alguém que nada tem, nenhum dos dois passará fome, ambos terão o que comer.


Assim como um Santo não nasce pronto, mas é forjado ao longo da vida, peçamos a Deus a graça de pouco a pouco, tornarmo-nos melhores “partilhadores”, confiantes em sua bondade, tendo fé de que nunca nos há de faltar o necessário para a nossa existência, e que “o repartir do pão” seja um dos caminhos a percorrer na busca da conversão à santidade. 

Jeandré C. Castelon
Advogado e Teólogo, membro da Pastoral Familiar 







terça-feira, 3 de março de 2020

Alguns momentos do Rosário ao longo da história




O Rosário aparece em muitos momentos na história da vida da Igreja.

Em 12 de Outubro de 1717 foi retirada do rio Paraíba uma imagem de Nossa Senhora com um terço ao pescoço por três humildes pescadores, Domingos Martins Garcia, João Alves e Felipe Pedroso, em Guaratinguetá, São Paulo. Nossa Senhora da Conceição Aparecida, foi declarada em 1929 Rainha e Padroeira do Brasil.

No afresco do Juízo Final, pintado por Michelangelo (1475-1564) na Capela Sistina do Vaticano de 1536 a 1541, está a figura de duas almas sendo puxadas para o céu por um terço. São as almas de um africano e de um asiático, mostrando a universalidade missionária da oração.

Outro grande momento da divulgação do terço é, sem dúvida, em Fátima. Em todas as suas aparições, Nossa Senhora pedia para “rezar o terço todos os dias”, daí se conclui a urgência e importância de rezar o terço e divulgar esta devoção. Também em Fátima, Nossa Senhora ensinou aos Pastorinhos a jaculatória (pequena oração) que se reza entre cada mistério do terço: “Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu, e socorrei principalmente as que mais precisarem”.

No Rosário contemplamos os mistérios da encarnação, vida, paixão, e glorias de Nosso Senhor Jesus Cristo. O “terço” corresponde a um dos quatro mistérios que compõem o Rosário (gozosos, dolorosos, gloriosos e luminosos). Em 16 de outubro de 2002 o papa João Paulo II propôs a inclusão de uma nova categoria de mistérios: os mistérios da luz, que se referem aos aspectos da vida pública de Jesus (até então, o Rosário contava com apenas três mistérios, por isso a fração foi denominada de “terço”, e assim permanece).

São João Paulo II dizia que o Rosário era a sua oração predileta: “Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade."

“No rosário nós dirigimo-nos à Virgem Maria para que nos guia rumo a uma união cada vez mais íntima com o seu Filho Jesus, para nos conformarmos com Ele, para termos os seus sentimentos e para agirmos como Ele” (Papa Francisco na sua mensagem aos jovens na Lituânia, junho de 2013).

“Felizes as pessoas que rezam bem o Santo Rosário, porque Maria Santíssima lhe obterá graças na vida, graças na hora da morte e glória no Céu” (Santo Antônio Maria Claret).


“O Santo Rosário é a arma daqueles que querem vencer todas as batalhas” (São Padre Pio de Pietrelcina). 


Imagem: https://bit.ly/2TLWZ8D


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Bíblia: alimento diário (sugestões para a leitura)




A Igreja aconselha com insistência, que todos os fiéis leiam a Bíblia.

A Sagrada Escritura é sustento para a alma. Assim como diariamente se ingere alimentos para a manutenção do corpo, também diariamente a Palavra de Deus deve ser alimento para o fiel, auxiliando-o a vencer as dificuldades desta vida, e ensinando o caminho que se deve trilhar para alçar a salvação.

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que:

104. Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra continuamente o seu alimento e a sua força, porque nela não recebe apenas uma palavra humana, mas o que ela é na realidade: a Palavra de Deus. «Nos livros sagrados, com efeito, o Pai que está nos Céus vem amorosamente ao encontro dos seus filhos, a conversar com eles» 

133. A Igreja «exorta com ardor e insistência todos os fiéis [...] a que aprendam "a sublime ciência de Jesus Cristo" (Fl. 3, 8) na leitura freqüente da Sagrada Escritura. Porque "a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo"»

141. «A Igreja sempre venerou as Divinas Escrituras, tal como o próprio Corpo do Senhor» ambos alimentam e regem toda a vida cristã. «A vossa Palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos» (Sl 119, 105)


A própria Bíblia nos exorta a conhecer, meditar e viver a Palavra de Deus, que é útil para todas as situações de nossa vida.


Josué 1, 8

Traze sempre na boca (as palavras) deste livro da lei; medita-o dia e noite, cuidando de fazer tudo o que nele está escrito; assim prosperarás em teus caminhos e serás bem-sucedido.


Lucas 4, 4

Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra de Deus (Dt 8,3).


2 Timóteo 3, 15-17

E desde a infância conheces as Sagradas Escrituras e sabes que elas têm o condão de te proporcionar a sabedoria que conduz à salvação, pela fé em Jesus Cristo.

Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça.

Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra.



Mas, como ler a Bíblia?

As pessoas em geral, por infelizes e inúmeras circunstâncias, não possuem o hábito da leitura. Muitas pessoas não têm o costume de ler. Tem gente que não lê absolutamente nada. Por isso, incentivar a leitura da Bíblia não é tarefa fácil, já que em muitos trechos a palavra é de difícil compreensão.

Contudo, a leitura da Bíblia deve ser constante, mesmo que não se entenda determinada palavra ou trecho da Escritura. É sempre bom lembrar que, ao fiel é aconselhada a participação em estudos bíblicos, que normalmente são promovidos pela Igreja. Bem como, é possível consultar o Padre da paróquia para que auxilie a esclarecer as dúvidas sobre fé e doutrina.

Como tudo da vida, para alcançarmos um determinado objetivo é preciso pelo menos algum esforço. Desta forma, sugiro alguns métodos para começar a ler e conhecer a Palavra de Deus:

- LITURGIA DIÁRIA – A Igreja separou para cada dia da semana, por um período de 3 anos (anos litúrgicos “A”, “B” ou “C” – ou seja, a cada três anos inicia-se um novo ano litúrgico, repetido de forma sucessiva), as principais partes da Bíblia, para serem lidas durante as Missas (normalmente tem-se 1 ou 2 leituras iniciais, 1 Salmo e 1 trecho de um dos Evangelhos).
Em casa, para acompanhar as leituras de cada dia, é possível adquirir em livrarias um “livreto”, com a indicação da leitura de cada dia do ano. Também na internet encontra-se a indicação da leitura correspondente a cada dia.
Esclarece-se que mesmo que se leia toda as leituras, durante 3 anos litúrgicos, a Bíblia não será completamente lida, já que, como dito, apenas as partes mais importantes são escolhidas.

- EVANGELHO DIÁRIO – Caso não se tenha disposição para a leitura de toda a liturgia, recomenda-se pelo menos a leitura do trecho do Evangelho escolhido para dia. 
Também se pode iniciar a leitura de cada Evangelho a partir do primeiro capítulo até o final do livro. Por exemplo, o Evangelho de Marcos, que é o menor dos 4, tem 16 capítulos, então, se lido um capítulo por dia, em 16 dias, a leitura de todo o Evangelho escrito por São Marcos, será concluída. 

- 15 MINUTOS POR DIA - Dedicar 15 minutos diários para a leitura da Bíblia, seja a partir de textos previamente escolhidos, ou então iniciar a partir do livro do Gênesis até chegar no final do livro do Apocalipse (para conhecer toda a Palavra de Deus).

- 1 CAPÍTULO POR DIA – A Bíblia católica tem 1334 capítulos. Lendo-se 1 capítulo por dia, com mesmos de 4 anos é possível ler toda a Bíblia (1334 capítulos divididos por 365 dias = 3,65 anos).


Nenhum destes métodos consome mais de 15 minutos diários.

Destaca-se que os métodos acima são apenas uma sugestão. Importante é ler a Bíblia todos os dias, independentemente do método a ser adotado.

Alimente-se diariamente da Palavra de Deus.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Proteger e valorizar a vida




A vida humana está constantemente sob ameaça. O aborto é uma triste realidade que mata a vida nascente, não só, a vida vem sendo desprezada em todos os seus estágios. Há projetos que têm por objetivo permitir a eutanásia e o suicídio assistido, garantindo o que chamam de direito de antecipação da morte. Fatores sociais também contribuem para desfavorecer a promoção da vida, tais como: desemprego, abandono de incapazes – tanto de crianças como de idosos –, violência no trânsito, omissão do Estado, conflitos armados, degradação da natureza, entre outros fatores. Não podemos ser indiferentes.

Fortalecer a família é a resposta, não apenas para as questões relacionadas à defesa da vida, mas ao mesmo tempo é a resposta para a solução de tantas outras mazelas sociais. A promoção, respeito e valorização da vida deve começar na família. Se cultivados o cuidado, o carinho, a solidariedade, o respeito entre os membros de uma família, entre amigos, na comunidade, certo que se formará um ambiente mais propício ao cuidado com a vida, que será protegida em todas as suas fazes, sob qualquer circunstância. Quem aprende a amar, ama, cuida de si mesmo e igualmente cuida dos outros.

É necessário romper a barreira da indiferença e voltar o nosso olhar para o irmão que sofre, mesmo sem vínculo de parentesco ou amizade, gastar o nosso tempo com quem precisa de atenção. É necessário respeitar, defender e promover a vida, de forma que todos a tenham, e a tenham em abundancia (João 10,10). Sigamos o exemplo do bom samaritano (Lucas 10, 25-37) que não desviou o seu caminho, aproximou-se e movido pela compaixão cuidou do seu próximo.


Jeandré C. Castelon
Advogado e teólogo

Imagem: https://bit.ly/2uh5Cz2

Compromisso com a vida, caminho para a santidade




A Campanha da Fraternidade 2020 promovida pela Igreja Católica no Brasil tem como tema "Fraternidade e Vida: dom e compromisso" e o lema "Viu, sentiu compaixão e cuidou dele".


Especialmente inspirada na figura do bom samaritano, personagem anônimo retratado no Evangelho escrito por Lucas (10, 25-37) que não se omitiu, viu, sentiu compaixão e cuidou do seu próximo. Também é proposto como modelo, Santa Irmã Dulce dos Pobres, brasileira canonizada em 13 de outubro de 2019, conhecida como “o anjo bom da Bahia”, dado às suas ações em prol dos desfavorecidos.

Não só durante a campanha da fraternidade, durante todo o ano de 2020, digo até, durante todo o caminho de conversão, o tema e o lema da Campanha da Fraternidade 2020 inspiram o compromisso com a promoção, respeito e defesa da vida. Sugere rompermos com a indiferença e nos compadecermos com a dor do próximo, com a vida em todos os seus estágios, para que todos tenham vida e a tenham com abundância.

Um árduo caminho para a santidade, que me parece por vezes, dado às limitações humanas, difícil de ser alcançado. Mas no caminho da fé não se pode ficar atado às limitações, "não há limites para a misericórdia de Deus", que certamente se alegra ao observar o esforço daquele que se oferece ao cuidado do próximo, ainda que aquele que se propõe a cuidar necessite de semelhante atenção.


Jeandré C. Castelon
Advogado e teólogo






Santa Dulce dos Pobres / O Bom Samaritano


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