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quinta-feira, 28 de maio de 2020

O que a Bíblia nos diz sobre Maria mãe de Jesus?



Maria recebeu a visita do porta-voz de Deus, o anjo Gabriel que lhe disse:
“Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”

Maria visitou Isabel, sua prima, como revela o primeiro capítulo do evangelho de Lucas. As palavras de Isabel dirigidas à Maria são belíssimas:
“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?”

Maria glorificou a Deus dizendo:
“Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo”...

E também:

Maria deu à luz na cidade de Belém. Precisou fugir para o Egito junto com José e o menino Jesus, para protege-Lo da tirania de Herodes.

Maria esteve com Jesus nas Bodas de Caná, onde Ele revelou-Se publicamente, quando realizou o seu primeiro milagre, transformando água em vinho. Maria esteve com Jesus aos pés da Cruz. Maria esteve junto com os discípulos no dia de Pentecostes, quanto todos ficaram cheios do Espirito Santo.

Maria nunca foi uma simples mulher.
Maria é a mulher mais importante de toda a história do cristianismo.
É claro que diante de Deus ela é muito pequena, mas diante dos homens é mais importante de todas as criaturas.

Jeandré C. Castelon
Advogado e teólogo.


Imagem: https://url.gratis/6p1BU

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Martinho Lutero e a Theotókos: Mãe de Deus


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Foi Martinho Lutero que em 1517 deu início à Reforma Protestante, rompendo seus laços com a Igreja Católica. É fato que antes dele aconteceram outras divisões dentro da Igreja que até hoje permanecem, contudo, muito mais ligadas a questões de etnia - especificidade sociocultural, refletida principalmente na língua e nos costumes -,  como por exemplo a que deu origem à Igreja Maronita no Líbano (com a instituição do Patriarcado próximo do ano 700 d.C.), assim como outras Igrejas de rito oriental, em plena comunhão com a Sé Apostólica, reconhecendo a autoridade do Papa, o líder da Igreja Católica Apostólica Romana. Os protestantes, embora respeitem o Papa como uma importante figura pública, não estão sujeitos à sua autoridade.

Talvez a maior divergência doutrinal existente entre católicos e protestantes diz respeito à interseção e veneração dos santos, que não tem nada a ver com adoração, sendo essa reservada somente à Deus. Outra grande divergência diz respeito ao dogma de “Maria Mãe de Deus”, a Theotókos, solenemente proclamado no Concílio de Éfeso realizado em 431; foram refutados os argumentos de Nestório que defendia ser Maria apenas a mãe do Jesus humano. Nestório tinha dificuldade de compreender que Jesus possui duas naturezas, a divina e a humana, que não se confundem, mas estão unidas na única pessoa do Filho de Deus, conforme nos ensina o Catecismo da Igreja Católica (CIC) resumidamente nos parágrafos de 479 a 483.

Também, segundo a tradição, foi durante o Concílio de Éfeso que surgiu a segunda parte da oração da Ave-Maria: “santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte”.  Embora haja aqueles que defendem que a segunda parte da Saudação Angélica somente teria sido agregada após o Concílio de Trento (1545-1563). Particularmente, gosto mais da primeira versão.

Embora os protestantes professem que Maria seria somente a mãe de Jesus enquanto homem, o próprio Lutero, pai do protestantismo, reconheceu que Maria é a mãe de Deus, em sintonia com o que ensina a Igreja Católica. Vejamos o que diz, respectivamente, os parágrafos 479 e 495 do Catecismo da Igreja Católica:

“No tempo estabelecido por Deus, o Filho Unigénito do Pai, a Palavra eterna, isto é, o Verbo e imagem substancial do Pai, encarnou. Sem perder a natureza divina, assumiu a natureza humana”.


“Denominada nos Evangelhos "a Mãe de Jesus" (João 2,1;19,25), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito, desde antes do nascimento de seu Filho, como "a Mãe de meu Senhor" (Lc 1,43). Com efeito, Aquele que ela concebeu Espírito Santo como homem e que se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne não é outro que o Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (Theotókos)”.

Para aqueles que possam ter dúvidas, cito apenas um dos trechos do livro “Magnificat – O louvor de Maria” escrito por Martinho Lutero em 1522 e disponível para compra no Brasil, onde ele identifica Maria, inúmeras vezes, como a “Mãe de Deus”:

Portanto, a santa mãe de Deus quer dizer o seguinte com essas palavras: nada de todas essas coisas e grandes bens é meu. Aquele que é o único que faz todas as coisas e cujo poder exclusivo atua em tudo fez essas grandes coisas. ... (p. 49).

Portanto, Lutero acreditava e professava que Maria é a Theotókos, ou seja, a Mãe de Deus. Em algum momento da história, provavelmente fruto da divisão existente entre as centenas de milhares de denominações protestantes, penso eu, passaram a professar que Maria, mãe de Jesus – verdadeiro homem e verdadeiro Deus – somente seria mãe do Verbo encarnado, enquanto homem, separando a indivisível unidade de suas duas naturezas, humana e divina, separação que nunca foi aceita pela Igreja Católica e pelo ex-monge agostiniano devoto de Nossa Senhora.

Jeandré C. Castelon

Advogado, pós-graduado em Cultura Teológica e membro da Pastoral Familiar



Capa e trecho do Livro "Magnificat - O Louvor de Maria" escrito por Martinho Lutero


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