terça-feira, 19 de maio de 2015

A súplica de Maria


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Tempo atrás, uma determinada senhora foi notícia nos jornais porque estava nua tomando banho numa praça.

Mesmo já passado algum tempo, gostaria de falar um pouco sobre essa mulher. O nome dela é Maria (igual, ao nome da mãe de Jesus, igual ao nome da pecadora arrependida, e também de tantas outras mulheres).

Uma vez a encontrei na Igreja perto daquela praça onde ela tomava banho. Eu havia entrado para fazer uma pequena oração. Cheguei meio sem saber o que dizer ao Senhor e me aproximei do Sacrário, quando de súbito comecei a ouvir uma mulher a recitar a oração do Pai-Nosso em voz alta. De vez em quando, uma frase era trocada por outra, de forma desconexa, mais ainda assim era o Pai-Nosso. Da mesma forma foi rezada uma Ave-Maria.

Quando olhei para trás, vi essa senhora de joelhos, orando. Ela começou pedindo perdão a Deus. Entre as frases que pronunciava, assim dizia: “cuida das minhas crianças”; “cuida da minha mãe, do meu pai, dos meus irmãos”; “obrigado pelo pão de cada dia”; “obrigado pelos remédios”; “Jesus pagou pelos nossos pecados na Cruz”; “desculpa por eu não saber rezar direito”; “Nossa Senhora Aparecida cuida de nós”.

Ela disse ainda, para Deus cuidar do seu corpo, que era templo do Espírito Santo. Ela rezou para Jesus e pediu a intercessão da Virgem Maria. Ela pedia para Deus enxugar suas lágrimas. Não obstante, em nenhum momento ela reclamou da vida, em nenhum momento ela se queixou. Pelo contrário, muito agradecia.

Havia descoberto que seu nome é Maria. Provavelmente é moradora de rua, e segundo informações, também se prostitui. Ela se alimentava algumas vezes numa fraternidade chamada “O Caminho”, onde irmãos Franciscanos servem diariamente de 60 a 70 refeições para pessoas carentes.

O nome dela é Maria. Poderia ter sido minha mãe, minha Irmã, minha amiga. E ela, naquele dia, ensinou-me a rezar. E ela, naquele dia, trouxe para mim a presença de Deus que a muito não sentia com tanta intensidade.

Tudo foi “se encaixando” para que eu escutasse a oração de Maria, para que eu a visse de perto, e soubesse seu nome, e para que ela me ensinasse uma importante lição.

Na Igreja me senti como o fariseu que se vangloriava diante de Deus. E Maria na pessoa do publicano, que “batia no peito”, que “nem ousava olhar para o céu” e reconhecia suas faltas, e que saiu do Templo justificado diante de Deus (Lucas 18, 9-14).

Naquele dia tudo foi “por acaso”. Por acaso entrei na igreja. Por acaso Maria depois de mim, também entrou e fez suas preces. Por acaso encontrei na rua um irmão franciscano da referida fraternidade. Por acaso ela passou próximo de nós, e assim soubemos o seu nome.

E depois daquele dia, não mais a vi, não a encontrei na Igreja de novo. Por onde ela anda? Que Deus te proteja Maria, e proteja também tantas outras pessoas que sofrem e precisam de amparo. Agradeço ao Senhor por ter colocado Maria no meu caminho.


Jeandré C. Castelon

Essa é a Maria:
Maria conversando com um irmão franciscano. Ao fundo tomando banho na praça.

Igreja Santa e Pecadora



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Que pena que nem todos os Cristãos conhecem a verdadeira Igreja Católica. Tem muita gente que conhece apenas a história de alguns “maus” componentes da igreja, que dá muito mais importância ao mal do que ao bem, que não enfatiza os bons exemplos.

Infelizmente é comum que todas as famílias tenham alguns membros ruins. Mas ainda assim, são membros da família. Na Igreja isso não é diferente, a Igreja é Santa, mas seus membros são pecadores.

Quando se conta a história de uma família, é comum guardarmos as boas lembranças. Ninguém transmite a história familiar de pai para filho contanto somente as desgraças, os maus momentos vividos pelos parentes. Normalmente é ressaltado aquilo que é bom.

Assim também é na Igreja. Com certeza houve (e ainda há) maus membros, como existem na maioria das famílias. Não se deve seguir o exemplo dos maus. Tampouco depositar a confiança em "pessoas", indubitavelmente haverá desapontamentos. Depositar a confiança em Deus, entregar em Suas mãos a nossa caminhada, essa é a melhor decisão.

Quando acontece algo ruim cometido por um membro do Clero, é bastante freqüente que muitos fiéis, com raízes superficiais, afastem-se da Igreja. Esses colocaram sua confiança no homem, e por isso a decepção. Quem tem a fé firme em Jesus Cristo não se abala em razão dos pecados cometidos por seus irmãos. Sem lugar a dúvidas, caso um membro da Igreja comete um crime, deve ser julgado e punido pelo ato ilícito que praticou.

De fato os membros da Igreja cometeram muitos erros durante a história, mas, os acertos foram muito maiores. Em outra época, mesmo tendo Papas indicados pelos interesses políticos, antes dos Conclaves, nunca um Sumo Pontífice contradisse outro em relação aos dogmas e à fé. Mesmo nesses momentos a Igreja permaneceu velada por Deus.

Que a fé seja firme em Jesus Cristo, para que quando um irmão pecador falhar, não se abata o Cristão.

Aproveito para citar algumas, das boas obras da Igreja:

- Instituiu o sistema Universitário, e até hoje as Universidades católicas estão entre as mais respeitadas do mundo. Igualmente, inúmeras são as escolas fundadas e mantidas pela Igreja.

- É a maior instituição caritativa do mundo. Ninguém no planeta faz mais pelos necessitados.

- Os católicos atuam em inúmeras missões humanitárias, em todos os continentes.

- Diversos hospitais pelo mundo são mantidos pela Igreja.

- Os Bispos católicos compilaram e preservaram os livros da Bíblia que são utilizados por todos os Cristãos.

- Há unidade na liturgia, celebrada em todos os lugares do planeta. Em qualquer momento do dia existem incontáveis Celebrações Eucarísticas.

- Celebra-se a memória dos Santos, modelo de pessoas, que consumiram suas vidas por Cristo.

- Somente a Igreja Católica tem um Catecismo (documento da fé, que mostra aquilo que acredita e defende).

 A Igreja Católica é tudo isso e muito mais, mesmo sendo formada por pessoas comuns e pecadoras. Que bom seria se todo o Católico conhecesse a sua Igreja.

Jeandré C. Castelon






terça-feira, 12 de maio de 2015

A Bíblia foi escrita para todos nós



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A Sagrada Escritura é sustento para a alma. Assim como diariamente se ingere alimentos para a manutenção do corpo, também diariamente a Palavra de Deus é alimento para o fiel, auxiliando-o a vencer as dificuldades da vida, e ensinando o caminho que se deve trilhar para alçar a salvação.

A própria Bíblia nos exorta a conhecer, meditar e viver a Palavra de Deus, que é útil para todas as situações de nossa vida.

“Traze sempre na boca (as palavras) deste livro da lei; medita-o dia e noite, cuidando de fazer tudo o que nele está escrito; assim prosperarás em teus caminhos e serás bem-sucedido” (Josué 1, 8). 

“Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra de Deus (Dt 8,3)” (Lucas 4, 4).

“E desde a infância conheces as Sagradas Escrituras e sabes que elas têm o condão de te proporcionar a sabedoria que conduz à salvação, pela fé em Jesus Cristo.Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça.Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra” (2 Timóteo 3, 15-17).

As pessoas geralmente, por infelizes e inúmeras circunstâncias, não possuem o hábito da leitura. Muitas pessoas não têm o costume de ler. Tem gente que não lê absolutamente nada. Por isso, incentivar a leitura da Bíblia não é tarefa fácil, já que em muitos trechos a palavra é de difícil compreensão.

Contudo, a leitura da Bíblia deve ser constante, mesmo que não se entenda determinada palavra ou trecho da Escritura. É sempre bom lembrar que, ao fiel é aconselhada a participação em estudos bíblicos, que normalmente são promovidos pelas Igrejas. Bem como, é possível consultar o Padre ou o Pastor, para que auxilie a esclarecer as dúvidas sobre fé e doutrina.

Como tudo na vida, para alcançarmos um determinado objetivo é preciso pelo menos algum esforço.

Como sugestão, proponho a leitura de 1 capítulo por dia. A Bíblia católica tem 1334 capítulos. Lendo-se 1 capítulo por dia, com mesmos de 4 anos é possível ler toda a Bíblia. Talvez pareça muito tempo (mas não é). É muito comum as pessoas terem 20, 30, 40, 50 anos de idade, e nunca terem lido toda a Palavra de Deus.

Há pessoas que preferem ter o contato com a Sagrada Escritura durante alguns minutos por dia, de forma livre. Há quem prefira acompanhar a liturgia diária.

Mesmo que não se leia a Bíblia toda, é importante a leitura de pelo menos uma passagem do Evangelho diariamente. Mesmo que seja somente por 10 minutos, ao invés de ver novela ou ouvir conversas do vizinho, como destacou o Papa Francisco, durante uma das Missas celebradas na capela da Casa Santa Marta, no Vaticano.

Independentemente do método de leitura, importante é ter contato com a Sagrada Escritura todos os dias, alimentando-se constantemente da Palavra de Deus.

Jeandré C. Castelon
Imagem: http://www.rumoaoalvo.com/wp-content/uploads/2012/04/A-B%C3%ADblia-n%C3%A3o-%C3%A9-chata-600x366.jpg - acesso em 12.05.15.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Estimados professores


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Lamento muitíssimo pela forma como o nosso país vem tratando os professores. Categoria pouco valorizada e mal paga. Professor deveria ganhar bem, a carreira deveria ser disputadíssima, assim somente os bons profissionais permaneceriam em atividade. Obviamente que há bons e maus docentes. Conheço a fama de alguns apáticos que nunca deveriam ter entrado numa sala de aula. Mas não é desse tipo que gostaria de falar. A grande maioria é dedicada, batalhadora, em muitas oportunidades até mesmo cumprem um papel que não é seu, que deveria ser restrito aos pais ou responsáveis.

Já “estive” como professor, mas nunca tive medo de ser agredido (talvez porque ministrava aulas numa instituição particular afastada dos bairros estatisticamente mais violentos), sempre recebi o salário em dia, as escolas dispunham de boa estrutura física, nunca precisei enfrentar pais inábeis na educação dos filhos, descarregando a culpa pelo fracasso familiar sobre o já tão mal tratado professor. Também nunca precisei ficar afastado de minhas funções em razão de stress, da depressão ou de outro transtorno, como comumente tem acontecido principalmente com os professores da rede pública.  Tive muita sorte enquanto professor. Nem todo professor é vítima, entretanto, a maioria padece.

Lembro-me de alguns personagens que fizeram parte da minha vida acadêmica. Pessoas excelentes, que além de ensinar os conteúdos obrigatórios de sala de aula, deixaram marcas eternas, verdadeiras lições de vida. Mostraram o caminho a seguir, foram protetores, incentivadores, inspiradores, solidários, apostaram e sempre acreditaram no futuro. Não citarei nenhum nome, não quero correr o risco de parecer ingrato, esquecendo-me de alguém. Mas tenham certeza, estimados professores, jamais me esquecerei de vocês, pois sou grato por terem me tirado da escuridão intelectual, revelando-me as opções e caminhos que poderia percorrer.

Estimados professores, peço desculpas por todas as dificuldades que têm passado: a fragilidade salarial; o desrespeito; o desprezo; a falta de valorização da carreira; o medo de serem fisicamente agredidos; e tantos outros embaraços. Pobre de quem não valoriza seu professor. Rogo-lhes que não desistam, sei que provavelmente nunca lhes tenha sido dito, mas nosso país depende e precisa muito de vocês. O futuro de nossa nação passa por suas mãos.

Advogados, médicos, prefeitos, juízes, enfermeiros, pedreiros, jornalistas, agrônomos, veterinários, educadores, comerciantes, padeiros, entre outros, foram inspirados e formados por grandes homens e mulheres, que se dedicaram à nobre arte de ensinar.

Temo que nunca nossos estimados mentores recebam as honras que lhe são devidas e sejam dignamente reconhecidos. Se servir de consolo, acolham as congratulações de um ex-colega de profissão e eterno aluno, que sonha com um país melhor, que somente chegará ao futuro almejado, pela contribuição fundamental dos professores. 

Jeandré C. Castelon


Imagem: https://brsresults.files.wordpress.com/2013/07/classroom-shot.jpg - acesso em 04.05.15.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Estão faltando abraços e mais 4 doses de carinho para um casamento feliz


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Tenho ouvido inúmeros casais narrarem problemas em seus relacionamentos. Pessoas com e sem filhos, com pouco ou com bastante tempo de matrimônio. O que está acontecendo? O que está faltando para que possam ter um relacionamento de complementaridade e serem felizes.

Dos relatos que tomo conhecimento, percebo que na maioria absoluta dos casos está faltando carinho, afeto e diálogo. Os casais não se abraçam, não estão mais trocando carícias e beijos. Permanecem por meses em se tocarem, sem se relacionarem intimamente. Está faltando sentir o cheiro um do outro. Também é preciso conversar, compartilhar as experiências, sejam boas ou ruins. O casamento é muito mais que um simples contrato de partilha de bens e divisão de despesas. É entrega-se para fazer o outro feliz.

Isso mesmo, casar é pelejar pela felicidade do companheiro (e vice-versa). Se alguém se une a seu cônjuge buscando a própria felicidade, já começa com o pé esquerdo. Pois, como dito, o segredo está em fazer o outro feliz. E assim, cada um buscando a felicidade do parceiro, funcionará o casamento.

Muito importante é querer estar junto. Se isso é um problema é imprescindível batalhar para superá-lo. 

Obviamente que problemas do dia a dia podem influenciar negativamente as relações, principalmente os financeiros. Perverso é o modelo consumista em que vivemos, onde se impõe gastos de altas somas até mesmo antes de celebrada a união conjugal. É vestido, terno, buffet, flores, músicos, decoração e tantas outras convenções sociais, que não raras vezes deixam o mais importante em segundo plano: a felicidade do casal. Muito comum é começarem a vida a dois perdendo o sono e a paz pelo ensejo das dívidas geradas em razão de gastos desmedidos.

Permitam-me quatro sugestões para ajudar o relacionamento, quatro pequenas pílulas para que cada um deseje estar cada vez mais perto um do outro:

Primeira: sempre, sempre mesmo, quando se encontrarem no decorrer do dia beijem-se, e claro, tem que ser beijo na boca. Não importa se se encontram repetidas vezes ao longo do dia, o beijo deve ser trocado em todas as ocasiões.

Segunda: nunca, nunca mesmo passem um dia sequer sem trocarem um abraço, bem apertado, bem gostoso, e que dure ao menos alguns segundos, para dar saudade e vontade de repeti-lo o mais breve possível. Tantos problemas poderiam ser evitados com simples abraços. 

Terceira: elogiem-se. Diga o quanto ela é lida; como ele é importante para você; quão feliz você é quando estão juntos; como é grande o amor que sente; que é feliz por estarem juntos; e o “eu te amo” não pode faltar. 

Quarta: não se esqueçam de cheirar o companheiro, aquela bela e profunda cheirada de cangote, como é bom.

Essas quatro pequenas atitudes transcendem o casamento e também são importantes na relação entre pais e filhos. Beijo, abraço, elogio e "cheirinho", acompanhados de diálogo, são pequenas doses de carinho, capazes de evitar e curar feridas.

Afirmo com toda convicção estão faltando abraços. Se os casais se abraçassem e se abrasassem mais, muitas separações teriam sido evitadas. Então, sem perder tempo, deixando para trás eventuais resquícios de orgulho e mágoa, comessem já. Sem medo algum, sejam de fato apenas um e se amem mais.


Jeandré C. Castelon

Imagem: http://favim.com/image/340777/  - Acesso: 28.04.2015.


sábado, 25 de abril de 2015

É permitido comungar mais de uma vez no mesmo dia?


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Antes de tudo, vejamos quais são os cinco preceitos da Igreja:

1.    Participar na Missa, aos domingos e festas de guarda.

2.     Confessar os pecados ao menos uma vez cada ano.

3.     Comungar o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa.

4.     Guardar a abstinência e jejuar nos dias determinados pela Igreja.

5.    Contribuir para as necessidades materiais da Igreja, segundo as possibilidades.

Observando-se os “mandamentos da Igreja”, verifica-se que pouquíssimo  é exigido dos fieis. O católico somente estaria obrigado a comungar, caso não haja impedimento, uma vez por ano. Então, não há pecado algum em ir à Missa semanalmente e não receber a Eucaristia. Enquanto que, faltar à Missa dominical e nos dias de guarda é considerado pela Igreja pecado grave (quando há plena consciência e anuência livre ao erro).

Também, o fiel não é obrigado a frequentar mais que 1 Missa aos domingos (ou na noite do sábado precedente), e pode, por opção pessoal, comungar em apenas 1 Celebração Eucarística, caso decida por participar de várias celebrações durante o mesmo dia. Neste, comunga-se uma vez em espécie (pão e/ou vinho) e as outras vezes de forma “espiritual”.

O Código de Direito Canônico, no cânon 917 estabelece que:

Cân. 917 — Quem tiver recebido a santíssima Eucaristia pode voltar a recebê-la de novo no mesmo dia, mas somente dentro da celebração eucarística em que participe, salvo o prescrito no cân. 921, § 2.

O Cânon 921, § 2, trata de situação de “perigo de morte”, quando neste caso, mesmo que o fiel já tenha comungado na Missa, recomenda-se que comungue de novo. 

O Código de Direito Canônico nos ensina que é permitido comungar 2 vezes por dia, desde que, durante a participação da Missa. Uma 3ª vez, somente seria recomendada no caso de perigo de morte (Cânon 921, § 2).

Antes de promulgação do atual Código de Direito Canônico em 25.01.1983,  era restrito ao fiel comungar apenas 1 vez por dia.


Apenas o sacerdote é obrigado a receber a Santa Comunhão em cada Missa que celebra.




quarta-feira, 22 de abril de 2015

Abraão, o pai de três religiões: Shalom! Salamaleico! Paz!



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Tenho um colega, que depois de uma longa, mas não enfadonha conversa, tornou-se meu amigo. Falamos sobre Jesus, e sobre a Bíblia. Eu sou católico e ele é evangélico. Em nenhum momento da conversa falamos de nossas diferenças, em nenhum momento da conversa tentamos atrair um ao outro para a igreja onde congregamos.

Durante todo o tempo só falamos daquilo que nos une. Sem ofensas. Sem proselitismo. E assim deveria ser sempre, como todas as pessoas de diferentes denominações religiosas.

No mundo todo, mais de oito em cada dez pessoas declaram pertencer a algum grupo religioso (84% da população mundial). Isso é resultado de um levantamento demográfico global em mais de 230 países e territórios realizado pelo Fórum do Centro de Pesquisas Pew sobre Religião e Vida Pública. Segundo esta pesquisa, no mundo, existem 2,2 bilhões de cristãos, 1,6 bilhões de muçulmanos, 1 bilhão de hindus, quase 500 milhões de budistas e 14 milhões de judeus (e, aproximadamente 460 milhões de pessoas praticam outras religiões).

Embora os judeus sejam menos de 1% da população mundial, junto com os cristãos e muçulmanos, compõem as três maiores religiões monoteístas do mundo, somando mais da metade da população mundial.

Interessante é que, tanto o cristianismo, islamismo e judaísmo têm o mesmo Patriarca: Abraão. Os judeus e também os cristãos descendem de Isaque, filho de Abraão. Os muçulmanos são descendentes de Ismael, também filho de Abraão.  

Outro dado interessante é que as pessoas que pertencem a estas três religiões, pelo menos nos ambientes de celebração, cumprimentam-se desejando “paz”. Os judeus dizem “Shalom”, os muçulmanos “salamaleico”.

Como dito, a maioria absoluta da população mundial possui uma mesma veia religiosa, tem o mesmo pai, e todos desejam a paz. Entretanto, qual é o motivo para que todos não vivam em harmonia?

Certamente que a maior limosidade religiosa paira sobre os muçulmanos e judeus, entre Palestinos e Israelitas. Os cristãos por várias partes do mundo também sofrem perseguições.

Católicos e protestantes têm muito mais semelhanças que diferenças, todos são cristãos. Ambos crêem em Deus Pai, em Jesus e no Espírito Santo.

Talvez seja a mais absurda das utopias, mas, gostaria que no mundo todo, as pessoas pudessem viver de forma digna, em absoluta paz, sem que ninguém fosse perseguido por causa de diferenças, sem que ninguém fosse incomodado por causa de sua fé.  Que um ser humano tratasse verdadeiramente o seu próximo como um irmão. Que mais pessoas, como eu e meu amigo protestante, pudessem dialogar em paz, e estreitar os laços de amizade. Afinal, viemos todos de um mesmo lugar, e quando terminar nossa peregrinação na Terra, também todos passaremos pela mesma experiência. Não existe maior igualdade possível entre os homens, do que no nascimento e na morte, então não há motivos para nos tratarmos com indiferença e desigualdade. Paz!


Jeandré C. Castelon


No jornal:
http://www.gazetatoledo.com.br/NOTICIA/15583/SHALOM_SALAMALEICO_PAZ#.VTjgPCFViko

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Em perfeita companhia


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Numa noite dessas, minha esposa e eu lemos o trecho da Bíblia que descreve a criação da mulher (Gênesis 2,18-24). Não há, obviamente, como determinar se o relato da criação tenha sido literalmente da maneira como ali escrito. A Bíblia não é um livro comum de história como com os quais estudamos na escola, é um livro de religião. E o mais importante, é a mensagem e a forma como nosso coração reage quando é tocado pela transformadora Palavra.

O Texto Sagrado conta que primeiro Deus fez o homem e após todas as outras criaturas. Mas percebeu que o varão não encontrava companhia adequada, em meio a toda a criação. O homem foi tomado de um profundo sono, mandado por Deus, que, retirou-lhe uma costela, e a partir dela fez a mulher.

Quando o homem vislumbrou a mulher, sem sobra de dúvidas, ficou extremamente feliz, afinal era “osso de seus ossos e a carne de sua carne”. Ou seja, era semelhante a ele, embora repleta de inefáveis diferenças.

Homens e mulheres não são de forma alguma iguais. Eu não seria capaz de asseverar tamanho disparate. Quando na realidade são seres muito diferentes. Exceto perante a sociedade civil, quando devem fruir dos mesmos direitos, oportunidades e obrigações.

Sublime é saber que tudo que o homem não tem é suprido pela mulher, e da mesma forma a mulher se completa com o homem. Não falo só de distinções físicas, mas de toda uma perfeita gama de disparidades tão heterogêneas, que somente pela mão do Criador poderiam ter sido feitas.

No mesmo fragmento do texto, revela-se a instituição do casamento: “Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne.”

Assim, esses dois seres até então incompletos, após a união conjugal, suprem-se um ao outro, preenchendo as carências e debilidades da cada um (ou pelo menos assim deveria ser), pois agora unidos, são intensos e inexcedíveis.

Tenho certeza, se com minha esposa somos apenas um, a minha melhor parte é ela. E, quando terminamos a leitura daqueles parágrafos do Gênesis, agradeci a Deus, por ter-me dado tão irretocável companheira.       

Concluo parafraseando Matthew Henry (1662-1714), relevante escritor, que assim se referiu sobre a criação de Eva: "não foi feita a partir da cabeça do homem, para não ter domínio sobre ele, nem foi feita de seus pés, para que não fosse pisada por ele, mas, do seu lado, para ser de igual valor a ele, debaixo de seus braços, para ser protegida e perto de seu coração, para ser amada".


quarta-feira, 1 de abril de 2015

Menores infratores

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A estatística contraria os argumentos lançados pelos defensores da diminuição da maioridade penal para 16 anos. Dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça revelam que os menores de 16 a 18 anos (faixa etária que seria atingida pela possível redução da maioridade penal) cometem menos de 1% dos crimes praticados no Brasil. Considerando-se apenas os crimes contra a vida, o percentual cai para 0,5%.

Os crimes mais praticados por menores são roubos e furtos. De acordo com informações do Conselho Nacional de Justiça, a maioria dos adolescentes, 47,5%, comete o primeiro crime entre os 15 e os 17 anos. E 9% começam ainda na infância, entre os 7 e os 11 anos de idade. O que mais chama a atenção é que 60% dos menores infratores não estudavam na época que cometeram o primeiro crime, e 75% usavam drogas. 

Pela análise dos dados, chega-se a conclusão de que o governo precisa investir mais em educação, cultura, esporte e lazer, para que as crianças tenham chance de um futuro melhor, livre da violência e principalmente livre das drogas, que escravizam e matam jovens e adultos.

Se a criança passasse mais tempo na escola, inclusive realizando atividades em contraturno, se tiver uma boa estrutura familiar (daí a importância fundamental do resgate de valores familiares), passará menos tempo na rua, e será diminuta a chance de ser vítima do assédio de criminosos, que usurpam sua infância, usando-as como “escudo” para o crime.

Também não se pode olvidar que o sistema penitenciário brasileiro está longe de ser modelo de reabilitação e restauração de pessoas. Pelo contrário, a reincidência criminal no Brasil é de 70%, uma das mais altas do mundo, segundo dados também do Conselho Nacional de Justiça.

Esse imbróglio poderia ser evitado, poderíamos ter menos jovens infratores e natural diminuição do número de criminosos adultos também. O povo brasileiro grita pedindo socorro. Clama por medidas políticas honestas e sensatas, para que o dinheiro público seja bem aplicado e atenda aos interesses e necessidades da nação. As pessoas precisam ter acesso pleno à educação, saúde e emprego. Infelizmente a violência também é mais uma trágica consequência dessa maldita chaga que toma conta do país: a corrupção.

 Jeandré C. Castelon


Dócil e útil criatura




O jumento é um animal que está presente em quase todo o planeta, exceto em lugares mais frios. É famoso por sua grande capacidade de resistência física. É de porte menor, quando comparado com o cavalo, mais baixo, menos imponente. É um animal dócil, inteligente e dotado de grande senso de sobrevivência. 

Animal muito utilizado para o transporte de cargas e para tração, mas que também pode transportar pessoas. Foi e ainda é muito utilizado no Brasil, principalmente pelo povo nordestino. No Nordeste é muito respeitado, ao ponto de Luiz Gonzaga render-lhe homenagens através da canção “Apologia ao Jumento” onde eleva o quadrúpede à condição de irmão: “O jumento é nosso irmão, quer queira, quer não.”

Na história do povo da Bíblia o jumento é várias vezes citado, seja no Antigo, como no Novo Testamento, certamente por sua importância no serviço às pessoas. A palavra jumento aparece 93 vezes em todo o Texto Sagrado, enquanto o diminutivo jumentinho, 14.

De todas essas vezes em que o nome do animal é mencionado, destaco dois episódios. O primeiro, quando Sansão apanhou uma queixada de jumento, e com ela feriu mil homens em batalha (Juízes 15, 15), pouco antes de apaixonar-se por Dalila, que foi a responsável por cortar seus cabelos e entregá-lo aos filisteus. O segundo, quando Jesus entrou triunfante em Jerusalém, conforme relatam os quatro Evangelhos, no Domingo antes de sua Paixão, Morte e Ressurreição. Nos nossos dias, celebramos a memória deste acontecimento na Festa do Domingo de Ramos.

O jumento é o animal símbolo da paz. Certamente se tivesse Jesus ingressado em Jerusalém montado num cavalo, animal utilizado em batalhas, o povo compreenderia como sinal da chegada de um Messias guerreiro, que com o uso da violência libertaria o povo judeu. Quando ao contrário, Jesus foi o servo sofredor, que sobre si tomou toda a nossa culpa (Isaias 53).

Lucas (19, 30-38) relata que sobre o jumentinho montado por Jesus foram colocados mantos, assim como por onde o jumento passava igualmente mantos foram lançados pelo caminho. O povo todo tomado de alegria, louvava a Deus e aclamava por todo o percurso. João (12, 13) acrescenta que a multidão acenava com ramos de palmas.

Era o jumento que caminhava coberto pelo manto. Foi ele que pisou no caminho feito com mantos e ramos (Marcos 11,8). Por onde passava o povo acenava com os galhos. Mas nada disso era para o dócil animal. Tudo era para Jesus.

Assim também nós, revestidos pela graça de Deus, caminhando sustentados por sua fidelidade, não devemos nos esquecer de agir como o jumentinho, que com a cabeça voltada para baixo (num gesto de humildade), transportou Jesus ao encontro de outras pessoas. Sem se apropriar da gloria e da honra que são de Cristo, foi útil ao Senhor. Que bom seria se cada cristão também fosse instrumento capaz de apresentar  Jesus aos seus irmãos.
   

Jeandré C. Castelon


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