terça-feira, 3 de março de 2020

Alguns momentos do Rosário ao longo da história




O Rosário aparece em muitos momentos na história da vida da Igreja.

Em 12 de Outubro de 1717 foi retirada do rio Paraíba uma imagem de Nossa Senhora com um terço ao pescoço por três humildes pescadores, Domingos Martins Garcia, João Alves e Felipe Pedroso, em Guaratinguetá, São Paulo. Nossa Senhora da Conceição Aparecida, foi declarada em 1929 Rainha e Padroeira do Brasil.

No afresco do Juízo Final, pintado por Michelangelo (1475-1564) na Capela Sistina do Vaticano de 1536 a 1541, está a figura de duas almas sendo puxadas para o céu por um terço. São as almas de um africano e de um asiático, mostrando a universalidade missionária da oração.

Outro grande momento da divulgação do terço é, sem dúvida, em Fátima. Em todas as suas aparições, Nossa Senhora pedia para “rezar o terço todos os dias”, daí se conclui a urgência e importância de rezar o terço e divulgar esta devoção. Também em Fátima, Nossa Senhora ensinou aos Pastorinhos a jaculatória (pequena oração) que se reza entre cada mistério do terço: “Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu, e socorrei principalmente as que mais precisarem”.

No Rosário contemplamos os mistérios da encarnação, vida, paixão, e glorias de Nosso Senhor Jesus Cristo. O “terço” corresponde a um dos quatro mistérios que compõem o Rosário (gozosos, dolorosos, gloriosos e luminosos). Em 16 de outubro de 2002 o papa João Paulo II propôs a inclusão de uma nova categoria de mistérios: os mistérios da luz, que se referem aos aspectos da vida pública de Jesus (até então, o Rosário contava com apenas três mistérios, por isso a fração foi denominada de “terço”, e assim permanece).

São João Paulo II dizia que o Rosário era a sua oração predileta: “Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade."

“No rosário nós dirigimo-nos à Virgem Maria para que nos guia rumo a uma união cada vez mais íntima com o seu Filho Jesus, para nos conformarmos com Ele, para termos os seus sentimentos e para agirmos como Ele” (Papa Francisco na sua mensagem aos jovens na Lituânia, junho de 2013).

“Felizes as pessoas que rezam bem o Santo Rosário, porque Maria Santíssima lhe obterá graças na vida, graças na hora da morte e glória no Céu” (Santo Antônio Maria Claret).


“O Santo Rosário é a arma daqueles que querem vencer todas as batalhas” (São Padre Pio de Pietrelcina). 


Imagem: https://bit.ly/2TLWZ8D


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Bíblia: alimento diário (sugestões para a leitura)




A Igreja aconselha com insistência, que todos os fiéis leiam a Bíblia.

A Sagrada Escritura é sustento para a alma. Assim como diariamente se ingere alimentos para a manutenção do corpo, também diariamente a Palavra de Deus deve ser alimento para o fiel, auxiliando-o a vencer as dificuldades desta vida, e ensinando o caminho que se deve trilhar para alçar a salvação.

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que:

104. Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra continuamente o seu alimento e a sua força, porque nela não recebe apenas uma palavra humana, mas o que ela é na realidade: a Palavra de Deus. «Nos livros sagrados, com efeito, o Pai que está nos Céus vem amorosamente ao encontro dos seus filhos, a conversar com eles» 

133. A Igreja «exorta com ardor e insistência todos os fiéis [...] a que aprendam "a sublime ciência de Jesus Cristo" (Fl. 3, 8) na leitura freqüente da Sagrada Escritura. Porque "a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo"»

141. «A Igreja sempre venerou as Divinas Escrituras, tal como o próprio Corpo do Senhor» ambos alimentam e regem toda a vida cristã. «A vossa Palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos» (Sl 119, 105)


A própria Bíblia nos exorta a conhecer, meditar e viver a Palavra de Deus, que é útil para todas as situações de nossa vida.


Josué 1, 8

Traze sempre na boca (as palavras) deste livro da lei; medita-o dia e noite, cuidando de fazer tudo o que nele está escrito; assim prosperarás em teus caminhos e serás bem-sucedido.


Lucas 4, 4

Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra de Deus (Dt 8,3).


2 Timóteo 3, 15-17

E desde a infância conheces as Sagradas Escrituras e sabes que elas têm o condão de te proporcionar a sabedoria que conduz à salvação, pela fé em Jesus Cristo.

Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça.

Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra.



Mas, como ler a Bíblia?

As pessoas em geral, por infelizes e inúmeras circunstâncias, não possuem o hábito da leitura. Muitas pessoas não têm o costume de ler. Tem gente que não lê absolutamente nada. Por isso, incentivar a leitura da Bíblia não é tarefa fácil, já que em muitos trechos a palavra é de difícil compreensão.

Contudo, a leitura da Bíblia deve ser constante, mesmo que não se entenda determinada palavra ou trecho da Escritura. É sempre bom lembrar que, ao fiel é aconselhada a participação em estudos bíblicos, que normalmente são promovidos pela Igreja. Bem como, é possível consultar o Padre da paróquia para que auxilie a esclarecer as dúvidas sobre fé e doutrina.

Como tudo da vida, para alcançarmos um determinado objetivo é preciso pelo menos algum esforço. Desta forma, sugiro alguns métodos para começar a ler e conhecer a Palavra de Deus:

- LITURGIA DIÁRIA – A Igreja separou para cada dia da semana, por um período de 3 anos (anos litúrgicos “A”, “B” ou “C” – ou seja, a cada três anos inicia-se um novo ano litúrgico, repetido de forma sucessiva), as principais partes da Bíblia, para serem lidas durante as Missas (normalmente tem-se 1 ou 2 leituras iniciais, 1 Salmo e 1 trecho de um dos Evangelhos).
Em casa, para acompanhar as leituras de cada dia, é possível adquirir em livrarias um “livreto”, com a indicação da leitura de cada dia do ano. Também na internet encontra-se a indicação da leitura correspondente a cada dia.
Esclarece-se que mesmo que se leia toda as leituras, durante 3 anos litúrgicos, a Bíblia não será completamente lida, já que, como dito, apenas as partes mais importantes são escolhidas.

- EVANGELHO DIÁRIO – Caso não se tenha disposição para a leitura de toda a liturgia, recomenda-se pelo menos a leitura do trecho do Evangelho escolhido para dia. 
Também se pode iniciar a leitura de cada Evangelho a partir do primeiro capítulo até o final do livro. Por exemplo, o Evangelho de Marcos, que é o menor dos 4, tem 16 capítulos, então, se lido um capítulo por dia, em 16 dias, a leitura de todo o Evangelho escrito por São Marcos, será concluída. 

- 15 MINUTOS POR DIA - Dedicar 15 minutos diários para a leitura da Bíblia, seja a partir de textos previamente escolhidos, ou então iniciar a partir do livro do Gênesis até chegar no final do livro do Apocalipse (para conhecer toda a Palavra de Deus).

- 1 CAPÍTULO POR DIA – A Bíblia católica tem 1334 capítulos. Lendo-se 1 capítulo por dia, com mesmos de 4 anos é possível ler toda a Bíblia (1334 capítulos divididos por 365 dias = 3,65 anos).


Nenhum destes métodos consome mais de 15 minutos diários.

Destaca-se que os métodos acima são apenas uma sugestão. Importante é ler a Bíblia todos os dias, independentemente do método a ser adotado.

Alimente-se diariamente da Palavra de Deus.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Proteger e valorizar a vida




A vida humana está constantemente sob ameaça. O aborto é uma triste realidade que mata a vida nascente, não só, a vida vem sendo desprezada em todos os seus estágios. Há projetos que têm por objetivo permitir a eutanásia e o suicídio assistido, garantindo o que chamam de direito de antecipação da morte. Fatores sociais também contribuem para desfavorecer a promoção da vida, tais como: desemprego, abandono de incapazes – tanto de crianças como de idosos –, violência no trânsito, omissão do Estado, conflitos armados, degradação da natureza, entre outros fatores. Não podemos ser indiferentes.

Fortalecer a família é a resposta, não apenas para as questões relacionadas à defesa da vida, mas ao mesmo tempo é a resposta para a solução de tantas outras mazelas sociais. A promoção, respeito e valorização da vida deve começar na família. Se cultivados o cuidado, o carinho, a solidariedade, o respeito entre os membros de uma família, entre amigos, na comunidade, certo que se formará um ambiente mais propício ao cuidado com a vida, que será protegida em todas as suas fazes, sob qualquer circunstância. Quem aprende a amar, ama, cuida de si mesmo e igualmente cuida dos outros.

É necessário romper a barreira da indiferença e voltar o nosso olhar para o irmão que sofre, mesmo sem vínculo de parentesco ou amizade, gastar o nosso tempo com quem precisa de atenção. É necessário respeitar, defender e promover a vida, de forma que todos a tenham, e a tenham em abundancia (João 10,10). Sigamos o exemplo do bom samaritano (Lucas 10, 25-37) que não desviou o seu caminho, aproximou-se e movido pela compaixão cuidou do seu próximo.


Jeandré C. Castelon
Advogado e teólogo

Imagem: https://bit.ly/2uh5Cz2

Compromisso com a vida, caminho para a santidade




A Campanha da Fraternidade 2020 promovida pela Igreja Católica no Brasil tem como tema "Fraternidade e Vida: dom e compromisso" e o lema "Viu, sentiu compaixão e cuidou dele".


Especialmente inspirada na figura do bom samaritano, personagem anônimo retratado no Evangelho escrito por Lucas (10, 25-37) que não se omitiu, viu, sentiu compaixão e cuidou do seu próximo. Também é proposto como modelo, Santa Irmã Dulce dos Pobres, brasileira canonizada em 13 de outubro de 2019, conhecida como “o anjo bom da Bahia”, dado às suas ações em prol dos desfavorecidos.

Não só durante a campanha da fraternidade, durante todo o ano de 2020, digo até, durante todo o caminho de conversão, o tema e o lema da Campanha da Fraternidade 2020 inspiram o compromisso com a promoção, respeito e defesa da vida. Sugere rompermos com a indiferença e nos compadecermos com a dor do próximo, com a vida em todos os seus estágios, para que todos tenham vida e a tenham com abundância.

Um árduo caminho para a santidade, que me parece por vezes, dado às limitações humanas, difícil de ser alcançado. Mas no caminho da fé não se pode ficar atado às limitações, "não há limites para a misericórdia de Deus", que certamente se alegra ao observar o esforço daquele que se oferece ao cuidado do próximo, ainda que aquele que se propõe a cuidar necessite de semelhante atenção.


Jeandré C. Castelon
Advogado e teólogo






Santa Dulce dos Pobres / O Bom Samaritano


quinta-feira, 14 de junho de 2018

A questão do aborto nas mãos do Judiciário




Tramita do Supremo Tribunal Federal uma Ação de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 442), requerendo que os Ministros declarem a não recepção parcial dos artigos 124 e 126 do Código Penal pela Constituição da República. Trocando em miúdos, tal medida visa “descriminalizar” o aborto no Brasil através de decisão do STF.


A Constituição Brasileira vigente, foi promulgada no dia 05 de outubro de 1988, em 2018 completa 30 anos, e somente quase 30 anos após viger é que o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) ajuizou referida Ação.

Como os defensores da descriminalização do aborto no Brasil sabem que a população é majoritariamente favorável à vida, e que pelas vias legislativas o aborto dificilmente seria legalizado, buscam via Poder Judiciário, “empurrarem goela abaixo” a liberação da prática do aborto no território Nacional.

Medidas favoráveis à vida estão sendo tomadas em todo o Brasil. Instituições pró-vida reforçam que a matéria deve ser discutida pelo Poder Legislativo, e pede que a ADPF 442 seja totalmente rejeitada.

Sejamos todos a favor da vida! Que a vida humana seja respeitada e protegida, desde a sua concepção até a seu fim natural.

Jeandré C. Castelon
Advogado, pós-graduado em Cultura Teológica e membro da Pastoral Familiar



segunda-feira, 11 de junho de 2018

Poesia do amor



O que seriam de meus dias sem o amor?


O amor é a razão
vivida pelo sentimento.
O amor é a alegria
que supera a dor a qualquer momento.

O amor é o sonho
vivido por poucos.
O amor é mais que tudo
para nós..., pobres loucos.

Se não nos amássemos não sei o que seria,
se não houvesse amor,
indubitavelmente tudo pereceria.

O que seriam de meus dias sem o amor?
O que seriam meus dias sem essa magia?
Certamente um reflexo da mais triste e singela dor.


Jeandré C. Castelon 
(escrito em 1999)



sexta-feira, 8 de junho de 2018

Jesus e a mulher



Na Bíblia muitas são as mulheres que se sobressaem ao logo da história. Profetizas, rainhas, trabalhadoras do campo, esposas donas de casa, ou seja, inúmeras mulheres se destacaram em diferentes ambientes e contextos.

Os Evangelhos relatam que muitas mulheres desde o anúncio do nascimento do Messias até a sua gloriosa ressurreição protagonizaram episódios que marcam a plenitude da revelação divina consolidada em Jesus Cristo.

Lucas certamente é o evangelista que apresenta maior quantidade de episódios cuja presença feminina é enaltecida, como por exemplo, na Anunciação do Arcanjo Gabriel à Maria, quando da visita de Maria a sua prima Isabel, na ressureição do filho da viúva de Naim, na Parábola da Moeda Perdida, bem como no episódio da ressurreição da filha do chefe da Sinagoga e a mulher que padecia de fluxo de sangue, entre outras passagens.

Embora o Evangelho escrito por Lucas, como dito, cite uma gama de situações onde a mulher protagoniza a cena, gostaria de destacar três outros episódios narrados pelo evangelista João onde também o protagonismo da mulher é evidenciado: quando do início da vida pública de Jesus nas Bodas de Caná; no encontro com a mulher samaritana; e, na crucificação de Jesus.

Maria, mãe de Jesus, no evangelho de João aparece apenas duas vezes. A primeira vez, quando a pedido de sua mãe, Cristo realiza seu primeiro milagre transformando água em vinho e salvando a festa de um casamento, revelando-se publicamente; a segunda vez, quando da crucificação, Maria junto com o discípulo amando e mais outras duas mulheres acompanhavam tudo de perto.

No encontro com a samaritana, mulher que havia se casado 5 vezes e o homem com quem ela vivia naquele momento não era seu marido, mulher que estava no sexto relacionamento fracassado (lembrando que na Bíblia o número 6 representa imperfeição). Ao ser encontrada pelo Messias se lhe é aberto um novo horizonte. Jesus, por ser judeu, não seria bem recebido na Samaria (samaritanos e judeus, embora formassem um mesmo povo, a partir da morte de Davi no século X a.C. e do reinado de Salomão, passaram a ter muitas desavenças que se perpetuavam até então). Jesus quis precisar daquela samaritana, revelou-se a ela, para que a mesma, pudesse assumir sua missão e propagar a boa nova na Samaria. Também tal fato nos ensina sobre a universalidade da salvação, pois Jesus veio para redimir todas as pessoas.

As mulheres sempre tiveram participação ativa ao longo da história, e não foi diferente durante todo o processo em que Deus se revela aos seres humanos. No ápice da revelação em Jesus Cristo, as mulheres de forma ainda mais proeminente e participativa (tal como os varões), despontam como instrumentos queridos e úteis a Deus, porque assim ele desejou, contribuindo para a salvação da humanidade.

Jeandré C. Castelon
Advogado, pós-graduado em Cultura Teológica.



sexta-feira, 20 de abril de 2018

Cuidemos da “Casa Comum”



No versículo 15 do capítulo 2 do livro do Gênesis, Deus, quando coloca o homem no jardim do Éden lhe dá a incumbência de cultiva-lo e guarda-lo. Ou seja, cabe ao ser humano o cuidado de retirar da terra o seu sustento de forma sustentável, mantendo-a em condições adequadas para que as futuras gerações também possam usufruir das maravilhas da natureza.

É possível contribuir para a manutenção do meio ambiente a partir de dentro do próprio lar, como por exemplo, com o armazenamento do óleo de cozinha usado, que poderá ser reciclado e empregado na fabricação de sabão. Apenas 1 litro de óleo de frituras jogado fora de maneira inadequada, como pelo ralo da pia da cozinha, é capaz de contaminar cerca de 1 milhão de litros de água. Portanto o descarte apropriado do óleo de cozinha é de extrema importância.

Igualmente o reaproveitamento da água da chuva ou mesmo a separação de materiais recicláveis, são medidas simples, fáceis de serem realizadas. Importante também é incentivar medidas que visem diminuir o uso dos recursos naturais, principalmente evitando o desperdício.

Todos nós podemos colaborar, fazendo cada um a sua parte e incentivando outras pessoas a adotarem posturas que contribuam com a preservação do meio ambiente.

Jeandré C. Castelon


Imagem: goo.gl/hXrquA

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Pequenas centelhas do Reino de Deus



A plenitude do Reino de Deus será contemplada quando chegarmos ao Céu. Jesus nos apresenta que ainda no mundo já podemos vivenciar, mesmo que de forma imperfeita, alguns aspectos do Reino. Um Reino de justiça e paz, onde todos os homens em espirito, separados da carne corrompida pelo pecado, contemplarão o seu Criador.

Nas parábolas da semente de mostarda e na do fermento, Jesus destaca que o Reino de Deus é como algo pequeno e que com o tempo de amadurecimento, torna-se evidente para todos. As coisas pequenas, mesmo que talvez sem darmos a devida importância, têm seu valor. O Reino de Deus já está entre nós, ainda que de forma pouco perceptível.

A salvação para todas as almas é designo de Deus.

O tempo de Deus também é um grande mistério. Muitos já habitam na alegria de sua presença no Céu, outros ainda no mundo trabalham à serviço do Reino. Alguns talvez, somente terão garantida a entrada para o Paraíso nos últimos instantes de sua caminhada aqui na Terra.

Enquanto não nos encontramos face a face com Cristo, podemos melhorar nossa convivência como irmãos, sermos mais justos e fraternos. E assim procedendo, experimentaremos cada vez mais pequenas centelhas do Reino de Deus.

Jeandré C. Castelon



sexta-feira, 2 de março de 2018

O que Paulo escreveu sobre si mesmo?



Sou Israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. (Rm 11,1)
  



«Faço-vos saber, irmãos, que o Evangelho por mim anunciado, não o conheci à maneira humana; pois eu não o recebi nem aprendi de homem algum, mas por uma revelação de Jesus Cristo. Ouvistes falar do meu procedimento outrora no judaísmo: com que excesso perseguia a igreja de Deus e procurava devastá-la; e no judaísmo ultrapassava a muitos dos compatriotas da minha idade, tão zeloso eu era das tradições dos meus pais.
Mas, quando aprouve a Deus – que me escolheu desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça – revelar o seu Filho em mim, para que o anuncie como Evangelho entre os gentios, não fui logo consultar criatura humana alguma, nem subi a Jerusalém para ir ter com os que se tornaram Apóstolos antes de mim. Parti, sim, para a Arábia e voltei outra vez a Damasco.
A seguir, passados três anos, subi a Jerusalém, para conhecer a Cefas, e fiquei com ele durante quinze dias. Mas não vi nenhum outro Apóstolo, a não ser Tiago, o irmão do Senhor. O que vos escrevo, digo-o diante de Deus: não estou a mentir.
Seguidamente, fui para as regiões da Síria e da Cilícia. Mas não era pessoalmente conhecido das igrejas de Cristo que estão na Judeia. Apenas tinham ouvido dizer: «Aquele que nos perseguia outrora, anuncia agora, como Evangelho, a fé que então devastava.» E, por causa de mim, glorificavam a Deus» (Gl 1,11-23).



«São hebreus? Também eu. São israelitas? Também eu. São descendentes de Abraão? Também eu. São ministros de Cristo? – Falo a delirar – eu ainda mais: muito mais pelos trabalhos, muito mais pelas prisões, imensamente mais pelos açoites, muitas vezes em perigo de morte.
Cinco vezes recebi dos Judeus os quarenta açoites menos um. Três vezes fui flagelado com vergastadas, uma vez apedrejado, três vezes naufraguei, e passei uma noite e um dia no alto mar. Viagens a pé sem conta, perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte dos meus irmãos de raça, perigos da parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos da parte dos falsos irmãos! Trabalhos e duras fadigas, muitas noites sem dormir, fome e sede, frequentes jejuns, frio e nudez!
Além de outras coisas, a minha preocupação quotidiana, a solicitude por todas as igrejas! Quem é fraco, sem que eu o seja também? Quem tropeça, sem que eu me sinta queimar de dor? Se é mesmo preciso gloriar-se, é da minha fraqueza que me gloriarei. O Deus e Pai do Senhor Jesus, que é bendito para sempre, sabe que não minto» (2 Cor 11,22-31).

Imagem: http://www.a12.com/source/files/originals/paulo.jpg


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