domingo, 14 de março de 2021

Quem é Jesus para os judeus?


Para os judeus, Jesus foi um grande homem, um grande mestre que pregou ensinamentos universais (muitos acreditam que ele foi um profeta, assim como João Batista).

 

Os judeus não acreditam que Jesus é o Messias (o ungido de Deus), o Salvador dos homens. Também não o reconhecem como “filho de Deus”, bem como não creem que Jesus é Deus (não reconhecem sua natureza divina), com o Pai e o Espírito Santo.

 

Os judeus não rejeitam os ensinamentos de Jesus sobre Deus.

 

É importante frisar que Jesus era judeu, nascido de mãe judia. Era chamado de "rabino" (mestre), ensinava nas Sinagogas e frequentou o Templo de Jerusalém.


Por outro lado, muitos judeus creram que Jesus é o Messias, e se converteram, e daí já não foram mais reconhecidos como judeus, mas sim como cristãos. Sem sombra de dúvidas, o maior exemplo é o de Paulo, que de maior perseguidor dos cristãos passou a ser o maior propagador do cristianismo.

 

Na Bíblia a palavra “cristão” aparece apenas 3 vezes:

 - Atos 11,26, quando pela primeira vez os membros da Igreja primitiva foram chamados “cristãos” em Antioquia.

 

- Atos 26, 28; e

 

- 1 Pedro 4, 16.




segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

O amor jamais acabará

 


O verdadeiro amor dura para sempre. Se alguém diz que o amor acabou é porque nunca amou de verdade, ou desafortunadamente o amor foi mal interpretado. Tanto em um como em outo caso o desfecho acaba sendo o divórcio, remédio que é tomado muitas vezes por casais que se perderam durante a jornada.

 

É importante unir-se em matrimônio com a pessoa certa, fruto de uma decisão madura que envolve uma boa preparação pré-matrimonial oferecida pela Igreja. Neste mister destaca-se a Pastoral Familiar, que dentre outras atribuições, acompanha os casais oferecendo “catequese matrimonial” para aqueles que podem e buscam receber o Sacramento do Matrimônio.

 

Acredito que muitas uniões estão fadadas ao fracasso por estarem submersas no oceano profundo das fragilidades humanas, mas principalmente acredito que a maioria absoluta das separações podem e devem ser evitadas.

 

A Bíblia celebra o amor e fala de família de seu início ao fim. Relata também muitos episódios onde o ser humano se afasta do projeto de Deus, comete erros, mas nunca fica sozinho, nunca é abandonado, ainda que cego envolto em neblina, Deus está presente.

 

 A célebre frase ressoada em celebrações de casamento, retirada do Livro do Gênesis (2,24), onde diz: “Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne.”, repete-se pelo menos em mais 4 outros livros do Novo Testamento, com pequenas variações, mas sem perder o seu espírito, citada por Mateus, Marcos e Paulo (Mateus 19,5; Marcos 10,7-8, Efésios 5,31; I Coríntios 6,16). Desta forma a Sagrada Escritura deixa evidente a vocação preponderante e irrevogável conferida por Deus à criatura humana: o casamento.

 

O Eclesiastes (9,9) destaca a importância dos casais em disfrutar das alegrias da vida ao lado da pessoa amada: “Desfruta da vida com a mulher que amas, durante todos os dias da fugitiva e vã existência que Deus te concede debaixo do sol. Esta é tua parte na vida, o prêmio do labor a que te entregas debaixo do sol.”

 

Recordo-me ainda do que disse Jesus aos fariseus que buscavam pô-lo à prova, e perguntaram-lhe se era permitido a um homem rejeitar a sua mulher por um motivo qualquer, e Jesus responde: “...não separe o homem o que Deus uniu”

 

Acredito sinceramente que a maioria absoluta das separações podem e devem ser evitadas. É preciso dialogar, respeitar diferenças, desejar estar junto, ter objetivos em comum, ser um para o outro verdadeiro porto-seguro, farol que ilumina durante a tempestade, ser realmente uma só carne, ser casal, ser marido e mulher. Não é nada extraordinário, basta viver com retidão a vocação escolhida, é mais fácil do que se imagina. E não se esqueça: “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não tem inveja. O amor não é orgulhoso. Não é arrogante. Nem escandaloso. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acabará (I Cor 13, 4-8).

 

Jeandré C. Castelon

Advogado e teólogo, membro da Pastoral Familiar.


Imagem: https://simplesmentecristao.files.wordpress.com/2014/10/casal-no-campo-i.jpg
 - Acesso em 07.12.20


terça-feira, 29 de setembro de 2020

Semana Nacional da Vida: é preciso combater a indiferença e promover a “cultura da vida”


Todos os anos a Igreja celebra na primeira semana de outubro a Semana Nacional da Vida (1º a 7 de outubro) e o dia do Nascituro (08 de outubro). Em 2020 o tema proposto para reflexão é o mesmo abordado pela Campanha da Fraternidade deste mesmo ano: “Vida: dom e compromisso”. Destaca-se a figura do Bom Samaritano, que se deparou com um homem que havia caído nas mãos de assaltantes e deixado quase morto, sentiu compaixão e cuidou dele; bem como destaca-se o exemplo de Santa Dulce dos Pobres, o “anjo bom da Bahia”, que dedicou sua vida ao cuidado dos doentes e dos menos favorecidos.

 

A Semana Nacional da Vida nos convida a refletir sobre vários temas ligados à existência humana, desde o seu surgimento dentro do ventre materno, verdadeiro santuário da vida, até o seu fim natural, percorrendo o caminho da juventude, direcionando um olhar todo especial para as pessoas idosas,  para os doentes e para os profissionais da área da saúde que dedicam sua própria vida em prol de outras vidas.

 

Tanto o Bom Samaritano quanto Santa Dulce dos Pobres rompem a barreira da indiferença, que faz tanto mal para humanidade. Quando somos indiferentes não nos importamos com a dor do outro, vamos nos desumanizando.

 

Se não enxergamos o próximo ele não tem valor para nós. “Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que a fez tão importante”. É preciso gastar tempo com as pessoas, dar-lhes a devida importância. Foi isso que Jesus fez!

 

A indiferença é perigosíssima. Nega a vida presente no ventre materno. Descarta a pessoa idosa ou debilitada. Abandona os que sofrem à sua própria sorte. É causadora da miséria. Nada sentimos quando alguém morre por falta da cuidados médicos, por falta de comida. A indiferença leva à morte.

 

No mundo grego, os que nasciam com alguma deficiência física na cidade de Esparta, por exemplo, eram eliminados.

 

Antes do Cristianismo no Império Romano se divulgava a teoria utilitarista da vida. Um ditado romano antigo resume essa mentalidade: mors tua vita mea. – A tua morte é condição para a minha vida. Vidas poderiam ser descartadas de acordo com os interesses dos poderosos.

 

Inspiradas por Jesus Cristo e no ministério assumido pelos apóstolos, nascem as comunidades cristãs, lugares de acolhida e de proteção da vida. A partir de então são semeadas as primeiras sementes que florescerão e darão origem aos primeiros hospitais, orfanatos, leprosários, escolas, e ao amor ao trabalho. A vida é valorizada sem deixar de lado os mais frágeis.


Neste contexto de valorização da vida, São João Paulo II nos ensina que:

  

"Este horizonte de luzes e sombras deve tornar-nos, a todos, plenamente conscientes de que nos encontramos perante um combate gigantesco e dramático entre o mal e o bem, a morte e a vida, a ‘cultura da morte’ e a ‘cultura da vida’. Encontramo-nos não só ‘diante’, mas necessariamente ‘no meio’ de tal conflito: todos estamos implicados e tomamos parte nele, com a responsabilidade iniludível de decidir incondicionalmente a favor da vida” (Evangelium Vitae § 28).


Sem sombra de dúvidas, o cristianismo é o maior promotor da “cultura da vida” e por isso é importante que lutemos para nos tornarmos a cada dia melhores cristãos.


Jeandré C. Castelon

Advogado, teólogo e membro da Pastoral Familiar.


Imagem: http://cnbbn2.com.br/site/wp-content/uploads/2020/09/hora-da-vida-2020-capa-para-site.png



domingo, 27 de setembro de 2020

Versículos da Bíblia para casais apaixonados

 A Bíblia celebra o amor e fala de família de seu início ao fim, até mesmo relata episódios onde o ser humano se afasta do projeto de Deus.

Mas, desejo dar destaque à alegria de vida de um casal. Por isso é importante unir-se em matrimônio com a pessoa certa, fruto de uma decisão madura que envolve uma boa preparação pré-matrimonial oferecida pela Igreja.


Vejamos o que a Bíblia diz para os casais apaixonados:

 

Genesis 2, 24

Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne.

Texto citado em Mateus 19,5; Marcos 10,7-8, Efésios 5,31; I Coríntios 6,16.

 

Eclesiastes 9,9

Desfruta da vida com a mulher que amas, durante todos os dias da fugitiva e vã existência que Deus te concede debaixo do sol. Esta é tua parte na vida, o prêmio do labor a que te entregas debaixo do sol.

 

Cântico dos Cânticos 7, 7-14

- Como és bela e graciosa, ó meu amor, ó minhas delícias!

Teu porte assemelha-se ao da palmeira, de que teus dois seios são os cachos. Vou subir à palmeira, disse eu comigo mesmo, e colherei os seus frutos.

Sejam-me os teus seios como cachos da vinha. E o perfume de tua boca como o odor das maçãs; teus beijos são como um vinho delicioso que corre para o bem-amado, umedecendo-lhe os lábios na hora do sono.


Eu sou para o meu amado o objeto de seus desejos. Vem, meu bem-amado, saiamos ao campo, passemos a noite nos pomares; pela manhã iremos às vinhas, para ver se a vinha lançou rebentos, se as suas flores se abrem, se as romãzeiras estão em flor. Ali te darei as minhas carícias.

As mandrágoras exalam o seu perfume; temos à nossa porta frutos excelentes, novos e velhos que guardei para ti, meu bem-amado.

 

I Coríntios 7, 14a e 11, 11-12

Porque o marido que não tem a fé é santificado por sua mulher; assim como a mulher que não tem a fé é santificada pelo marido que recebeu a fé. 


Com tudo isso, aos olhos do Senhor, nem o homem existe sem a mulher, nem a mulher sem o homem. Pois a mulher foi tirada do homem, porém o homem nasce da mulher, e ambos vêm de Deus.

 


Imagem: https://encurtador.com.br/afit2

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Mês da Bíblia 2020 - Setembro mês da Bíblia

 

A Bíblia aparece cheia de famílias, gerações, histórias de amor e de crises familiares, desde as primeiras páginas onde entra em cena a família de Adão e Eva, como seu peso de violência, mas também com a força da vida que continua (cf. Gn 4), até às últimas páginas onde aparecem as núpcias da Esposa e do Cordeiro (cf. Ap21, 2.9)”... é assim que o Papa Francisco inicia o Capítulo Primeiro, que é todo dedicado às Sagradas Escrituras, da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, sobre a “Alegria do Amor”.

 

Setembro é o mês em que a Igreja celebra a Palavra de Deus: é o mês da Bíblia. E em 2020 o livro especialmente escolhido para estudo é o livro do Deuteronômio, com o lema “Abre tua mão para teu irmão” (Dt 15,11).

 

Segundo o Frei e ilustríssimo teólogo Carlos Mesters as passagens constantes no Livro do Deuteronômio são citadas 200 vezes no Novo Testamento, é, a toda evidência, o livro veterotestamentário mais mencionado na Bíblia pelos hagiógrafos neotestamentários.

 

De fato, há passagem bíblicas mais edificantes que outras, há textos que são mais prazerosos de serem lidos do que outros, de todos os modos relacionar-se com a Palavra de Deus é fundamental para o cristão.

 

A Bíblia relata os acontecimentos que vão desde o surgimento da humanidade (de forma catequética),  percorre o caminho dos patriarcas (Abraão, Isaac e Jacó), passa pelo período das tribos, dos juízes, pelos reinados de Saul, Davi e Salomão, pela divisão do reino (Reino do Norte: Israel – Reino do Sul: Judá), pelas deportações, primeiro do Reino do Norte para a Assíria e depois do Reino do Sul para a Babilônia; conta-nos ainda sobre o retorno do povo à terra prometida, sobre a  reconstrução do Templo e dos muros da cidade de Jerusalém, bem como fala da vida e glória de Jesus Cristo, e do desenvolvimento das primeiras comunidades cristãs. Os livros sapienciais são importantes para a reflexão e o fortalecimento da fé (Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e Eclesiástico).

 

Concluo trazendo a lume um pequeno trecho inspirador contido no parágrafo 25 da Constituição Dogmática Dei Verbum, que trata da Revelação Divina, onde diz: ... Debrucem-se, pois, gostosamente sobre o texto sagrado, quer através da sagrada Liturgia, rica de palavras divinas, quer pela leitura espiritual, quer por outros meios que se vão espalhando tão louvavelmente por toda a parte, com a aprovação e estímulo dos pastores da Igreja. Lembrem-se, porém, que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada de oração para que seja possível o diálogo entre Deus e o homem; porque “a Ele falamos, quando rezamos, a Ele ouvimos, quando lemos os divinos oráculos” (Santo Agostinho).


Jeandré C. Castelon

Advogado, teólogo e membro da Pastoral Familiar.

 

 


 

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Lições sobre a eleição de Matias


(que ocupou o lugar que era de Judas Iscariotes dentro do grupo dos 12 Apóstolos)


Texto Bíblico: Atos do Apóstolos 1, 21-26

Convém que destes homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, a começar do batismo de João até o dia em que do nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco testemunha de sua Ressurreição. Propuseram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome Justo, e Matias.

E oraram nestes termos: Ó Senhor, que conheces os corações de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste para tomar neste ministério e apostolado o lugar de Judas que se transviou, para ir para o seu próprio lugar.

Deitaram sorte e caiu a sorte em Matias, que foi incorporado aos onze apóstolos.

 

 Lições:

A assembleia escolheu dois dentre outros bons homens (sob a luz do Espírito Santo), e depois oraram a Deus pedindo auxílio para tomarem a melhor decisão. A escolha definitiva veio pela sorte (acredito que a “sorte” foi lançada porque qualquer um dos dois desempenharia um excelente trabalho – e mesmo que José “o Justo” não tenha sido o escolhido, creio que ele não abandonou sua missão junto à Igreja, pelo contrário, continuou ao serviço do Reino de Deus).

 

Nem sempre seremos escolhidos para os cargos de maior prestígio, mais isso não nos impede de realizar as obras de Deus, de sermos justos, de sermos bons cristãos. Deus te abençoe. Um grande abraço.


Jeandré C. Castelon - advogado e teólogo




sábado, 13 de junho de 2020

A Bíblia: pequeno relato histórico


A Bíblia é um conjunto de muitos livros escritos durante vários séculos. Foi João Crisóstomo, no século IV d.C, quem usou pela primeira vez a palavra Bíblia para se referir às Sagradas Escrituras.

 

A Bíblia relata os acontecimentos que vão desde o surgimento da humanidade, passa pelos patriarcas (Abraão, Isaac e Jacó), pelas tribos, pelo período dos juízes, pelos reinados de Saul, Davi e Salomão, pela divisão do reino (Reino do Norte: Israel – Reino do Sul: Judá), pelas deportações, primeiro do Reino do Norte para a Assíria e depois do Reino do Sul para a Babilônia; nos conta ainda sobre o retorno do povo à terra prometida, sobre a  reconstrução do Templo e dos muros da cidade de Jerusalém, bem como fala da vida e gloria de Jesus Cristo, e segue até a perseguição dos primeiros cristãos. São mais de 2000 anos de história. Os livros sapienciais são importantes para a reflexão e o fortalecimento da fé (Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e Eclesiástico).

 

É o livro mais vendido no mundo, já foi traduzido para mais de 1685 idiomas. Foi escrita originalmente em hebraico e grego (pequenos trechos em aramaico). Entre o final do século IV, início no século V d.C. a Bíblia foi traduzida para o latim. As primeiras traduções para línguas modernas somente ocorreram a partir do século XVI d.C.

 

Jeandré C. Castelon
Advogado e Teólogo






quinta-feira, 28 de maio de 2020

O que a Bíblia nos diz sobre Maria mãe de Jesus?



Maria recebeu a visita do porta-voz de Deus, o anjo Gabriel que lhe disse:
“Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”

Maria visitou Isabel, sua prima, como revela o primeiro capítulo do evangelho de Lucas. As palavras de Isabel dirigidas à Maria são belíssimas:
“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?”

Maria glorificou a Deus dizendo:
“Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo”...

E também:

Maria deu à luz na cidade de Belém. Precisou fugir para o Egito junto com José e o menino Jesus, para protege-Lo da tirania de Herodes.

Maria esteve com Jesus nas Bodas de Caná, onde Ele revelou-Se publicamente, quando realizou o seu primeiro milagre, transformando água em vinho. Maria esteve com Jesus aos pés da Cruz. Maria esteve junto com os discípulos no dia de Pentecostes, quanto todos ficaram cheios do Espirito Santo.

Maria nunca foi uma simples mulher.
Maria é a mulher mais importante de toda a história do cristianismo.
É claro que diante de Deus ela é muito pequena, mas diante dos homens é mais importante de todas as criaturas.

Jeandré C. Castelon
Advogado e teólogo.


Imagem: https://url.gratis/6p1BU

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Crônica dos “quarenta”



Sempre achei interessante o significado bíblico do número quarenta: tempo suficiente para que algo aconteça. Tenho certeza que mesmo que você não se recorde imediatamente, já ouviu o número quarenta ser pronunciado ao longo da história do povo de Israel em diversos momentos.

Já escrevi noutra oportunidade que, na Bíblia: durante o dilúvio, a chuva caiu por quarenta dias e quarenta noites; Moisés permaneceu com o Senhor, durante quarenta dias e quarenta noites, antes de receber os Dez Mandamentos; o profeta Elias caminhou por quarenta dias e quarenta noites, antes de chegar ao Monte Horeb, a montanha de Deus; quarenta anos o povo hebreu permaneceu no deserto até chegar à Terra Prometida; os ninivitas tiveram quarenta dias para se converterem a Deus, quando do anúncio proferido pelo profeta Jonas; Jesus, após o batismo, permaneceu por quarenta dias no deserto. Estes são apenas alguns exemplos.

Pois é, agora é comigo, cheguei aos quarenta. Sim, quarenta anos de idade, embora tenha a completa convicção de que ainda não alcancei o meu “tempo suficiente”, espero que os meus “quarenta” em sentido bíblico só aconteça após eu superar os cem anos de vida.

Antigamente quem superava os trinta anos já era considerado ancião. Em 1900 a expectativa de vida do brasileiro era de apenas espantosos 33,7 anos, viver além disso era lucro. Popularmente, a letra da divertida e controvertida canção interpretada por Sergio Reis intitulada “Panela Velha”, descreve que a pessoa com mais de trinta anos “é madura” e “estão falando que ela é muito coroa”, porém, corrige-se a composição ao afirmar sabiamente que “a nossa vida começa aos quarenta anos”.

Percebo que já não sou mais como era ates. Olhando no espelho noto uma desagradável assimetria causada pelas inevitáveis linhas do tempo que começam a marcar meu rosto. Sobre os cabelos, prefiro abster-me de comentar este assunto.

Quando mais jovem achava interessante o adágio que diz: “não me arrependo de nada que fiz, só daquelas coisas que deixei de fazer”. Quanta bobagem. Se pudesse teria feito muitas coisas de forma diferente, principalmente quando as minhas escolhas afetaram negativamente outras pessoas. Para tanto, ainda bem que existem: arrependimento e reconciliação.

Tenho fé que cheguei até aqui porque Deus assim permitiu, creio que ele deseja algo de mim que ainda eu não descobri exatamente o que é (de forma alguma quero ser pretensioso, acredito que Deus tem planos especiais para cada um de nós). Penso que ainda falta muito para eu completar a minha missão aqui na terra. Se ao Céu eu fosse chamado neste momento, chegaria lá um tanto quanto contrariado, ainda não chegou a minha hora (por outro lado agradecido de não ter sido enviado para a “repartição inferior”, você sabe à qual me refiro, aquela sob os cuidados do inimigo).

Tenho esposa, filhos, família, amigos. Sou grato por isso. Sei que nem sempre sou a melhor companhia, embora inesgotáveis esforços. Talvez a partir de hoje, somados mais quarenta anos, consiga a extraordinária façanha de gastar o tempo apenas com as coisas que realmente são importantes na vida. Seguirei meu caminho diante de acertos e tropeços, mas sempre com a vontade inequívoca de não cometer antigos erros.

Jeandré C. Castelon




segunda-feira, 6 de abril de 2020

“Dai-lhes vós mesmos de comer”




A primeira multiplicação dos pães é o único milagre realizado por Jesus que é mencionado pelos quatro evangelistas (Lc 9, 10-17 = Mt 14, 13-21 = Mc 6, 30-44 = Jo 6, 1-15). Obviamente há outros sinais operados pelo Messias, mas como dito, apenas a primeira multiplicação dos pães é referida por Mateus, Marcos, Lucas e João. A ressureição de Lázaro, por exemplo, é exclusiva no Evangelho escrito por João, enquanto que há outros milagres que são comuns entre os evangelistas, aludidos de forma mais evidente nos Evangelhos sinóticos – Mateus, Marcos e Lucas –, como a cura da filha de Jairo, chefe da sinagoga (provavelmente de Cafarnaum) e a cura da mulher que padecia havia doze anos dum fluxo de sangue.

Nunca havia pensado nisso antes, mas talvez seja a multiplicação dos pães o milagre mais importante feito por Jesus, e certamente o único que o ser humano é capaz de reproduzir, não do modo extraordinario como realizado por Cristo (que alimentou a multidão com cinco pães e dois peixes, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos cheios), no entanto, de um jeito mais simples, apenas repartindo o pão. Afinal, ele mesmo disse “dai-lhes vós mesmos de comer”, quando replicou aos apóstolos, de que maneira eles haveriam de alimentar a multidão que o seguia.

Normalmente não somos desprendidos ao partilhar os bens e os dons que Deus nos concede.  É comum dividirmos entre os irmãos, e ainda muito mal, somente aquilo que nos sobra. Como é difícil partilhar com justiça! Como é difícil partilhar com equidade! Seja pelo sentimento de egoísmo, seja pelo medo de que nos venha a fazer falta, ou pela ausência de fé em Deus em prover o sustendo dos homens.

Se aquele que possui, dividir com alguém que nada tem, nenhum dos dois passará fome, ambos terão o que comer.


Assim como um Santo não nasce pronto, mas é forjado ao longo da vida, peçamos a Deus a graça de pouco a pouco, tornarmo-nos melhores “partilhadores”, confiantes em sua bondade, tendo fé de que nunca nos há de faltar o necessário para a nossa existência, e que “o repartir do pão” seja um dos caminhos a percorrer na busca da conversão à santidade. 

Jeandré C. Castelon
Advogado e Teólogo, membro da Pastoral Familiar 







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