segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Explicando a Salve Rainha



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É possível que você já conheça esta oração. Mas você já prestou atenção em suas palavras? A salve-rainha é uma prece a Nossa Senhora cheia de frases bonitas. É como se estivéssemos enunciando as muitas qualidades da mãe de Deus. A salve-rainha é mais do que uma oração, é uma homenagem que prestamos a Maria, rainha do céu e rainha da humanidade.



Salve, rainha, mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa! Salve! 


Na oração encontramos a palavra “salve”, que expressa uma saudação a Maria, seguida pela palavra “rainha”. Esta palavra não quer dizer que Nossa Senhora é uma autoridade, alguém que está em posição elevada, mais distante, como as rainhas da terra. Maria é vida, é doçura, é esperança. Maria é aquela mãe a quem podemos procurar em todos os momentos de nossa vida, que sempre nos socorrerá com amor, com misericórdia. Cheios de confiança e certeza nós saudamos novamente.



A vós bradamos, os degredados filhos de Eva



Com essa frase você pede que Maria o auxilie. “Bradar” quer dizer pedir socorro, suplicar; e “degredados” são aqueles que não têm liberdade, que vivem afastados de sua gente, de seu país, que são oprimidos. Maria, a mãe que a trindade nos entregou. Maria que disse “sim” a Deus.Eva, como você já deve saber, foi a mulher de Adão. Os dois formaram o primeiro casal humano criado por Deus. Como Eva deu origem a toda a humanidade, nós também, indiretamente, somos filhos dela.



A vós suspiramos, gemendo e chorando, neste vale de lágrimas.



Continuando sua prece a Maria, você diz que deseja muito o seu auxílio (suspiramos por ele). Como na Terra não estamos tão bem quanto estaríamos se estivéssemos definitivamente junto a Deus, falamos palavras tristes como “gemer”, “chorar” e “vale de lágrimas”. São asdificuldades, as dores, as tentações, que muitas vezes temos de enfrentar em nossa vida.



Eia, pois, advogada nossa,



“Eia” é uma palavra que serve para animar, para estimular, assim como quando dizemos “vamos em frente”. Maria sempre pode nos ajudar, então ela é para nós uma advogada, que nos defenderá e nos recomendará a Deus. Basta orar sempre, pedindo sua proteção.



Esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei!


Você pede, com esta frase, que Maria volte para você seus olhos cheios de piedade, graça e perdão. “Voltar (ou volver) os olhos” significa ajudar, auxiliar. Ela nos guarda e protege.



E depois deste desterro,



“Desterro” quer dizer solidão, lugar longe da pátria, isolamento. Isso significa que, aqui na Terra, ainda não conseguimos construir nossa verdadeira pátria. Assim, “depois deste desterro” é depois de vivermos aqui de forma a merecer a vida eterna; isto é, após nossa passagem da Terra para o Céu.



mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre,



Nesta frase continua nosso pedido a Nossa Senhora: que ela nos mostre e nos mantenha firmes e corajosos, seguindo sempre os ensinamentos de seu filho, Jesus.



Ó clemente, ó piedosa, ó doce, sempre Virgem Maria!



Você, ao dizer estas palavras, está se referindo às qualidades de Maria, piedosa, doce, clemente, isto é, que tem piedade, doçura e bondade.



Rogai por nós, santa mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.



É a oração da salve-rainha com um último pedido a Maria: que ela nos recomende ao seu Filho, Jesus. Só assim poderemos receber o que Deus nos prometeu: um lugar no seu Reino. “Amém”, palavra que aparece no final de todas as orações, significa “assim seja. 


Se você prestou bastante atenção nas palavras da salve-rainha, deve ter percebido que esta é uma oração de súplica à Nossa Senhora e usa muitas expressões figurativas, manifestando a dor, a solidão das pessoas que muitas vezes estão sofrendo. A princípio, parece um tanto difícil, porque algumas de suas expressões não são empregadas com frequência na nossa linguagem comum. A oração da salve-rainha é muito antiga. A frase que diz "ó clemente, ó piedosa, ó doce, sempre Virgem Maria!" foi escrita por são Bernardo, no século XII.

Autor desconhecido.


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Coparticipantes da criação




Uma criança não deveria ser gerada de qualquer jeito, com qualquer pessoa, sem amor. A Igreja é sábia em sua doutrina, ensina a verdade e cada um com suas inerentes limitações e capacidades tenta viver esta verdade, nem sempre de forma plena, tropeça, cai, levanta e deve seguir em frente.

Meninas de doze anos grávidas sem saber quem é o pai do bebê; crianças abandonadas nas ruas; meninos e meninas criados em ambientes degradantes, onde as chances dos mesmos erros se repetirem são gigantescas; crianças sem perspectiva de futuro, entregues à violência e aos vícios; tudo isso pode ser evitado pelo verdadeiro amor entre um homem e uma mulher, quando maduros e conscientes de suas escolhas optam por viverem juntos pelo resto de suas vidas. E como fruto desse amor, filhos são gerados, verdadeiras testemunhas da sacralidade da união de seus pais. Um filho deveria ser sempre fruto do amor conjugal de seus pais.

No parágrafo 81 da Exortação Apostólica Amoris Laetitia - A alegria do amor -, o Papa Francisco não só destaca a importância do amor conjugal para a transmissão da vida humana, mas também exalta a generosidade divina que permitiu ao homem e à mulher participarem da obra da criação. Diz também que o filho não deve ser encarado com uma dívida, mas sim com uma dádiva, presente Deus. “... o Criador tornou participantes da obra da sua criação o homem e a mulher e, ao mesmo tempo, fê-los instrumentos do seu amor, confiando à sua responsabilidade o futuro da humanidade através da transmissão da vida humana” (AL 81).

Todo ser humano é dotado de corpo e alma. A alma é a parte divina que compõe cada pessoa. Essa alma que vem de Deus retornará para junto do criador, quando, em razão da morte, é separada do corpo. É fundamental nunca esquecer que toda a vida humana possui a centelha divina, possui uma alma. Por mais lastimável que esteja a situação de alguém, ela fora criada à imagem e semelhança de Deus.

A criatura participa da obra da criação ao trazer à luz uma nova vida e preparar-se bem para exercer o papel confiado por Deus de manter viva a espécie humana sobre a Terra é de extrema importância. Se acaso uma nova vida surgir de maneira inesperada, nem por isso deixará de ser um grande presente, uma dádiva, que precisa ser protegida e amada. O ideal seria cada filho vir ao mundo no seio de uma família bem estruturada onde reine o amor entre seus pais, contudo, nem sempre o ideal é alcançado. Para todos os casos o amor não pode faltar, pois somente o amor é capaz de preencher todas as lacunas.

Jeandré C. Castelon

Advogado, pós-graduado em Cultura Teológica.




terça-feira, 1 de novembro de 2016

Momento oportuno



Vez ou outra, lembro-me da passagem bíblica em Lucas, onde Jesus está na cruz entre dois malfeitores, um deles zomba de Jesus dizendo: “ Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!”; enquanto o outro reconhece no último minuto, o Messias, isento de qualquer pecado, e pede para que se lembre dele quando estiver no seu Reino. Jesus respondeu-lhe: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso”.

Muitas pessoas têm o costume de denominar o malfeitor arrependido de ‘bom ladrão’. Fora da Bíblia, em outros escritos, o ‘bom ladrão’ é chamado de Dimas. Conta-nos uma narrativa de cunho popular do primeiro século d.C., que Dimas também teria vindo da Galileia, teria conhecido Jesus desde a infância, sua mãe se chamava Dina e era colega de Maria, mãe de Jesus. Porém, Dimas escolheu a violência, refugiou-se nas montanhas quase como um guerrilheiro e batalhou em vão, junto com outros adeptos, contra a dominação romana.

Nos instantes finais de sua vida Dimas se arrependeu e foi acolhido no Céu. Todas as suas faltas pregressas foram apagadas pela misericórdia divina. Mesmo prestes a morrer, humilhado e já crucificado, certo que o melhor momento de sua vida foi quando esteve ao lado de Jesus, quando teve garantida a salvação eterna. Assim, constata-se que o kairós (momento oportuno, tempo de Deus) na vida de Dimas aconteceu pouco antes dele falecer.

No instante final de nossas vidas talvez não tenhamos o mesmo momento oportuno, assim como teve Dimas, talvez no último instante de nossas vidas não tenhamos a chance de nos convertermos. Então, por via das dúvidas, é melhor que iniciemos ou sigamos agora mesmo com o nosso processo de conversão, buscando o Senhor, já que ele se deixa encontrar, invocando-o, já que está perto (Isaías 55,6). É hoje o nosso momento oportuno! Todo dia é dia de conversão! Não sabemos quanto tempo nos resta, é sensato agirmos agora, voltemo-nos para Deus neste instante.

Reúna-se em família, entre amigos; reze; espiritualize-se; faça o bem e quando errar peça perdão - provavelmente teremos de fazer isso muitas vezes; participe da vida de sua comunidade; congregue na Igreja; aprecie aquilo que Deus nos criou para que nos entretivéssemos enquanto aqui na terra; o momento oportuno é agora; comece hoje; pode ser que amanhã nosso tempo se esgote.

Jeandré C. Castelon
Advogado e teólogo, pós-graduado em Cultura Teológica.



quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A vida em doze semanas: diga não ao aborto!




Com doze semanas de gestação, o coração do bebê bate forte dentro do útero materno.  O bebê é capaz de mexer os bracinhos e os dedinhos das mãos e dos pés, já movimenta a boca e pode piscar os olhos.

Com doze semanas de gestação, o cérebro continua a desenvolver-se; os dedos das mãos e dos pés estão separados; os cabelos e as unhas começam a crescer; os ossos, cada vez mais rígidos; desenvolvem-se as cordas vocais; os genitais externos começam a diferenciar-se; o aparelho digestivo já é capaz de absorver nutrientes; o coração está formado e funciona, bombeando sangue para todas as partes do corpo; a partir da 10ª semana, por meio de um exame de sangue, é possível saber o sexo do bebê, e com o ultrassom, à partir da 18ª semana.

Com doze semanas de gestação, o bebê está formado, a partir de agora o risco de um aborto espontâneo é drasticamente reduzido.

Com doze semanas de gestação, os pais já estão preocupados com as roupinhas, as fraudas, a banheira, o carinho para transportar o bebê, e tantas outras coisas que implicam na chegada de um filho. A expectativa é grande. Os pais derramam sobre o ventre materno todo o seu amor e até, com é muito salutar, conversam com o feto.

Lamentavelmente, existem aqueles que desejam no Brasil, descartar esta nova vida. Existe um projeto de Lei que pretende descriminalizar o aborto dentro das doze primeiras semanas de gestação, e que o aborto seja realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ou seja, que o dinheiro público financie o mórbido procedimento.

Madre Tereza de Calcutá, canonizada no dia 4 de setembro de 2016, certa vez disse que o aborto é “ um assassinato direto da criança inocente, assassinato pela própria mãe”, disse também que “o aborto pode ser combatido mediante a adoção”. Quem não quiser as crianças que vão nascer que as entregue à adoção. Falou ainda: “Eis porque o aborto é um pecado tão grave. Não somente se mata a vida, mas nos colocamos mais alto do que Deus; os homens decidem quem deve viver e quem deve morrer”.

Jeandré C. Caselon

Advogado, pós-graduado em Cultura Teológica, membro da Pastoral Familiar




terça-feira, 13 de setembro de 2016

Hospitalidade




O capítulo 12 do Evangelho segundo João (1-11) narra o retorno de Jesus a Betânia. Seis dias antes da Páscoa, quando visita novamente alguns de seus amigos (Lázaro, Marta e Maria), só que desta feita, pela última vez. O destino final é Jerusalém onde tudo se fará novo, por sua paixão, morte e ressurreição.

Era costume da hospitalidade do Oriente honrar um hóspede ilustre com água perfumada depois dele se lavar. Maria tomou um frasco de alabastro que continha um perfume muito caro, de puro nardo (planta de onde se extrai um óleo perfumado). Ela não permaneceu inerte, aproximou-se de Jesus e após ungir seus pés, secou-os com os cabelos. Eram os pés do Messias, que em breve seriam cravados na cruz. Maria ungiu o corpo santíssimo de Cristo.

O nardo era um perfume raríssimo, de grande valor, que ordinariamente se guardava em pequenos vasos de boca pequena e apertada. Quebrar um vaso de perfume e derramar o conteúdo sobre a cabeça de alguém, era, entre os amigos, sinal de grande honra e distinção (Mc 14,3 e Mt 26,7). 

Judas Iscariotes presenciou o referido episódio, mas estava com o coração fechado, preocupado com o dinheiro. O perfume era caro, custava 300 denários (um denário, moeda romana de prata, era quanto um operário recebia por um dia de trabalho).

Maria não estava preocupada, sabia escolher a melhor parte, que era estar perto de Jesus, aos seus pés, livre das aflições do mundo.

Assim como fizeram os bons anfitriões em Betânia, recebendo o Senhor com alegria e amor, abramos também as portas dos nossos lares, dos nossos locais de trabalho, dos nossos corações..., e recebamos Jesus. Ofereçamos a Deus aquilo que temos de melhor e mais precioso: nossas vidas, nossas famílias, nossas ocupações, nossos afazeres na Igreja; ou seja, tudo o que temos e tudo o que somos.

Fomos feitos por Deus, a ele pertencemos, e no final de nossa peregrinação retornaremos a ele. Em quanto aqui esperamos, até o dia em que alcançaremos a morada celeste, sejamos hospitaleiros, permitamos que Jesus entre em nossas casas, tenho certeza, ele quer nos visitar.


Jeandré C. Castelon
Advogado e teólogo, pós-graduado em Cultura Teológica.


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Setembro é o mês da Bíblia





O Livro do Deuteronômio é o livro indicado para o "Mês da Bíblia" de 2020.  

Lema: “Abre a tua mão para teu irmão”.

Vejamos mais:


No mês de setembro, a Igreja Católica celebra o mês da Bíblia. 30 de setembro é dia de São Jerônimo. Ele foi um grande estudioso da bíblia e a traduziu para linguagem mais simples para que o povo pudesse refletir e entender as escrituras.


Frei Gilvander Luis Moreira, que é assessor da CPT e do CEBI, foi até Unaí no noroeste de Minas Gerais e entrevistou Frei Carlos Mesters, referência na leitura popular da Bíblia. No início do bate-papo , Carlos lembrou que o mês da Bíblia foi uma iniciativa da Arquidiocese de BH que depois se espalhou para todo o Brasil. Para o ano de 2020 a CNBB escolheu o livro do Deuteronômio para leitura, estudo e reflexão. Mesters, em parceria com Francisco Orofino, escreveu um livro com o título; “Revelar o amor de Deus” que será publicado pelo CEBI. Ele lembra a importância deste livro que faz parte do Pentateuco (cinco primeiros livros da bíblia). “O deuteronômio é o livro mais citado no Novo Testamento”, diz Carlos Mesters. Após o fim do Reino do Norte, que foi invadido e destruído pela Assíria, um grupo de pessoas escapou das garras do Rei Assírio e foi para o Reino do Sul na Judeia. Lá eles começaram a pensar e refletir sobre o porquê daquela situação que estavam vivendo, e perceberam que eles deveriam observar melhor a lei de Deus para que o Reino do Sul não caminhasse também para sua destruição. Desta reflexão nasce o livro do Deuteronômio, que etimologicamente significa Segunda Lei.

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A própria Bíblia nos aconselha a conhecer, meditar e viver a Palavra de Deus, que é útil para todas as situações de nossa vida.


Josué 1, 8:

Traze sempre na boca (as palavras) deste livro da lei; medita-o dia e noite, cuidando de fazer tudo o que nele está escrito; assim prosperarás em teus caminhos e serás bem-sucedido.


Lucas 4, 4:

Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra de Deus (Dt 8,3).


2 Timóteo 3, 15-17:

E desde a infância conheces as Sagradas Escrituras e sabes que elas têm o condão de te proporcionar a sabedoria que conduz à salvação, pela fé em Jesus Cristo.
Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. 
Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra.


Hebreus 4, 12

Porque a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração.


Salmo 118, 105

A vossa Palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos.




“Ler a Sagrada Escritura significa pedir o conselho de Cristo”. 
São Francisco de Assis



terça-feira, 23 de agosto de 2016

“100% JESUS”


Não é a primeira vez que Neymar usa uma faixa na testa com o nome de Jesus. Basta pesquisar na internet e constatar que já quando do título da Copa Libertadores em 2011, Neymar comemorou a conquista com uma faixa que dizia “100% JESUS”.

Novamente o camisa 10 da seleção brasileira de futebol demonstrou muita coragem ao expressar sua fé em Jesus ao mundo todo, ao usar uma faixa idêntica à que usou em outras conquistas, depois da equipe brasileira de futebol consagrar-se campeã olímpica.

Sem demora, passei a deparar-me com várias críticas contra o atleta depois da conquista da inédita medalha de ouro na Olimpíada do Brasil, no que se refere à conduta do jogador, querem que o mesmo se comporte de maneira mais humilde.

Pois é, as pessoas de uma forma geral têm a péssima tendência de exigirem dos outros um comportamento que nem elas são capazes de alcançar. Possuem a mania de exigir um comportamento irrepreensível de quem se declara cristão.

Todos somos pecadores, todos temos nossos defeitos, todos nós precisamos de humildade. A diferença é que a maioria de nós, inclusive eu, não tem a coragem que Neymar teve, expondo-se de tal maneira.

Também ouvi dizeres do tipo: "é pelas reações que se conhece uma pessoa"; referindo-se a uma atitude mais enérgica por parte do jogador após a vitória contra a Alemanha no Maracanã. Sobre isso, lembrei-me da reação de Pedro quando o soldado chegou para prender Jesus: “Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita” (João 18,10). Pedro teve uma reação equivocada, sendo prontamente repreendido por Jesus, e guardou a sua espada. Também nós, muitas vezes erramos e voltaremos a erra muitas vezes. “Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão” (Mateus 7, 5). Não é justo exigir dos outros comportamentos e virtudes, que nós muitas vezes não conseguimos reproduzir.

Quisera eu ter a coragem de propagar o nome de Jesus em todos os lugares da Terra.

Resta-me um questionamento: será que toda essa polêmica teria surgido se o nome de Jesus não tivesse no cerne desta discussão? Atrevo-me a responder: acredito que não!

Jeandré C. Castelon


Imagem: http://migre.me/uKlbm

Palavra de Deus para os cristãos




São Paulo, quando escreve a segunda Carta a Timóteo (3, 15-17), deixa evidente a importância da leitura e reflexão dos escritos bíblicos: “E desde a infância conheces as Sagradas Escrituras e sabes que elas têm o condão de te proporcionar a sabedoria que conduz à salvação, pela fé em Jesus Cristo. Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça.  Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra”.

A diferença entre a “Bíblia católica” quando comparada com a “Bíblia protestante” está no número de livros que compõe o Antigo Testamento, bem como, adições em Ester e Daniel. A Bíblia protestante tem 7 livros à menos no Antigo Testamento e textos suprimidos em Ester e Daniel.

Gostaria de dividir uma experiência particular. Comprei uma Bíblia em uma livraria evangélica. Ela foi publicada pela “Sociedades Bíblicas Unidas” – que tem natureza interconfessional cooperando com diversas confissões cristãs: católica, protestante e ortodoxa – da qual é integrante a Sociedade Bíblica do Brasil, amplamente conhecida no meio protestante. Referida Bíblia é diferente das demais Bíblias protestantes, pois, contém exatamente todos os mesmos livros que integram a Bíblia católica. São os denominados livros “deuterocanômicos”, que no meio protestante comumente são mencionados como “apócrifos” (1º Macabeus, 2º Macabeus, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Tobias e Baruc). Acrescento que, o texto completo desta edição da Bíblia é aprovado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Acredito que muita gente não sabe da existência desta edição da Bíblia, eu mesmo demorei a saber.

O porquê de escrever sobre referida experiência?


Respondo: para que católicos e evangélicos encontrem cada vez mais pontos comuns. Para que discussões tolas e sem fundamentos deixem de existir. Para mostrar a relevância dos livros deuterocanônicos, que infelizmente muitos não têm acesso. Porque acredito que não deveria haver distinção entre “Bíblia católica” e “Bíblia protestante”.


Jeandré C. Castelon




segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Bíblia: Judaica, Católica e Protestante



Por muito tempo eu pensei que “Torá” era o nome da Bíblica Judaica, quando na verdade, trata-se apenas dos cinco primeiros livros da Bíblia – Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio –, ou seja, o Pentateuco.  A Bíblia Judaica é a Tanak, que reúne três grupos de livros denominados de Torá (Pentateuco), Neviim (Profetas) e Ketuvim (Escritos).

A Bíblia Protestante abarca os mesmos livros contidos na Bíblia Judaica, no texto do Antigo Testamento (39 livros). O Novo Testamento traz o mesmo número de livros (27) tanto para católicos, como para protestantes. A diferença é que para os católicos o Antigo Testamento desde os primeiros séculos do cristianismo é composto por 46 livros. Após a reforma protestante do século XVI, que teve como seu maior expoente Martinho Lutero, os reformadores resolveram permanecer com o cânon do Novo Testamento igual ao dos católicos e o cânon do Antigo Testamento igual ao dos judeus. Por mais de mil anos os cristãos tiveram na Bíblia a mesma quantidade de livros.

Assim sendo, a diferença existente entre a Bíblia Católica e a Protestante está na quantidade de livros que compõem o Antigo Testamento, 46 e 39 respectivamente. Os 7 livros distintos são: 1º Macabeus, 2º Macabeus, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Tobias e Baruc. A Bíblia protestante também não tem algumas partes do livro de Daniel: cap. 3, 24-90 e caps. 13 e 14; e partes do livro de Ester: cap. 10, 4 até o cap. 16.

Em resumo: a Bíblia Judaica contém 39 livros (somente do Antigo Testamento); a Bíblia Católica contém 73 livros (46 do Antigo Testamente e 27 do Novo Testamento); a Bíblia Protestante possui 66 livros (39 do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento). À exceção dos citados 7 livros e dos trechos de Ester e Daniel, protestantes e católicos compartilham os mesmos textos da Sagrada Escritura.

Embora católico e defensor da canonicidade dos 73 livros, verdadeiramente inspirados por Deus, entendo que maior do que as divergências de conteúdo, deve ser o interesse por conhecer, saborear e pôr em prática as exortações que ao longo dos séculos vêm transformando a vida de seus leitores. “... Lembrem-se, porém, que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada de oração para que seja possível o diálogo entre Deus e o homem; porque «a Ele falamos, quando rezamos, a Ele ouvimos, quando lemos os divinos oráculos»” (Dei Verbum - 25).

Jeandré C. Castelon

Advogado, pós-graduado em Cultura Teológica.




sexta-feira, 1 de julho de 2016

“Como eu era antes de você” e o suicídio assistido




Não. Eu não gostei do final do filme. No final o mocinho morre, não de forma heroica ou natural, mas porque assim decidiu, sem nenhum propósito altruísta, simplesmente pelo desejo pessoal, digo até egoísta, de apagar da face da Terra a sua existência. O protagonista viaja para a Suíça com o objetivo de ser ajudado a realizar livremente os procedimentos para a sua morte.

Fora das telas do cinema, na Suíça é permitindo que entidades ofereçam estrutura para a realização do mórbido procedimento, tornando o país famoso no mundo pelo “turismo da morte”. Pessoas de diferentes países viajam para a Suíça com o fim último de ceifarem a própria vida. Obviamente que o processo é oneroso e os pacientes desembolsam altas somas para poderem ter acesso ao procedimento fúnebre.

No desenrolar do enredo tem-se a impressão que o ator principal, preso a uma cadeira de rodas, tetraplégico, encontra em um novo amor forças para continuar lutando pela vida e a esperança de dias melhores. Mas não é o que ocorre. A família sofre com a decisão, a mãe não aprova, está entre aqueles que não apoiam tal atitude, contudo, há os que defendem que a livre vontade de pôr termo à vida deva ser acatada.

Entendo que a vida deve ser respeitada em toda e qualquer situação, desde a concepção até a morte natural. A defesa da vida, além de tudo, também é um princípio cristão. É claro que pessoas doentes ou com alguma deficiência precisam e merecem tratamento digno. Devem ser amparadas para que possam ter uma vida com a qualidade tão normal quanto for possível. “Descartá-las”, como se fossem um objeto qualquer que não serve para nada, não é a solução.

A vida é uma dádiva. Permitir a eutanásia (quando outra pessoa realizada os procedimentos necessários para a morte do paciente) ou o suicídio assistido (quando o paciente por si só livremente realizada o procedimento, na presença de outras pessoas) é nocivo à humanidade.

Alguns podem questionar: mas você não está passando pelas mesmas dores de quem padece um grave sofrimento? Sim, isso é verdade, não estou. Mas digo que pelo amor que sinto por minha família, não desejo que ninguém encurte seus dias de forma não natural. Quero aproveitar cada momento possível próximo daqueles que, por força de laços familiares ou de amizade, são imprescindíveis.

E você, se pudesse escolher prolongar seus dias sobre a Terra, ficar ao lado das pessoas que ama por mais alguns instantes, não se agarraria a toda e qualquer centelha de vida? A vida é uma dádiva, e não devemos interrompe-la voluntariamente.

Jeandré C. Castelon

Advogado e Membro da Pastoral Familiar


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