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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Tempo de reflexão, penitência e conversão


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Todos os anos os católicos encontram no período da Quaresma uma nova oportunidade de se achegarem ainda mais perto do colo de Deus, que sempre está de braços abertos à espera da aproximação dos seus filhos. Deus ama e acolhe todas as pessoas, independentemente do estado em que se encontram. Sempre há misericórdia.

Evocativos ao tempo em que Jesus jejuou no deserto, a Quaresma dura 40 dias, a partir da Quarta-Feira de Cinzas até o Sábado de Aleluia, véspera da Páscoa, onde muito mais do que trocar chocolates, celebra-se a ressurreição de Cristo. É importante destacar que durante o período quaresmal não são contados os domingos para o cômputo dos 40 dias. Excluem-se da contagem seis domingos. Domingo sempre é o dia do Senhor, dia de estar com a família, dia de encontros e alegria, não se jejua no domingo.

Na Quarta-Feira de Cinzas os católicos recebem durante a Missa as cinzas obtidas da queima dos ramos abençoados no ano anterior, na celebração do Domingo de Ramos. Traça-se o sinal da cruz na testa do fiel com as cinzas umidificadas com água benta, ou derrama-se uma pequena porção sobre a cabeça, proferindo-se uma das seguintes locuções: “lembra-te que és pó e que ao pó voltarás” ou “convertei-vos e crede no evangelho”.

Recordo-me quando adolescente, em uma Missa de Quarta-Feira de Cinzas, onde o celebrante, Monsenhor José Dantas, na Paróquia, hoje Santuário, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Umuarama-PR, convidava toda a assembleia a ler o Livro de Jó, refletindo os acontecimentos ocorridos com o protagonista. Chegando em casa, folheando a Bíblia constatei que o livro tem 42 capítulos, o que naquela época me desmotivou, bastava ter sido um pouco mais organizado e ter lido um capítulo por dia, que mesmo antes de findar a Quaresma teria concluído a leitura, afinal, matematicamente da Quarta-Feira de Cinzas ao Sábado de Aleluia são 46 dias. O livro foi lido por mim muito tempo depois.  

Jó é o maior exemplo de resistência ante às dificuldades que poderão ser enfrentadas durante a vida. Jó, mesmo na imensa dor, permaneceu fiel a Deus, e Deus sempre esteve ao seu lado. Deus não manda sofrimento à humanidade, mas porque Ele permite que soframos é um grande mistério.

Além de abster-se de comer carne vermelha (mais precisamente, carne de qualquer animal de sangue quente) na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa, aproveitemos essa nova oportunidade para reflexão e um novo encontro com Deus, para tanto, como fez o Padre Dantas naquela Missa, convido-os a lerem e meditarem a mensagem contida no Livro de Jó. 

Jeandré C. Castelon
Advogado, pós-graduado em Cultura Teológica e membro da Pastoral Familiar


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Quarta-Feira de Cinzas e a Quaresma


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A Quarta-Feira de Cinzas, dia seguinte ao Carnaval, marca o início da Quaresma. Esse período de 40 dias antes da Páscoa (sem contar os domingos) é tempo de reflexão e penitência. A cada ano varia o seu posicionamento no calendário, dependendo da data da Páscoa.

Na Quarta-Feira de Cinzas os católicos participam da Missa com a imposição das cinzas que são obtidas pela queima dos ramos abençoados no ano anterior, que foram guardados desde a celebração do Domingo de Ramos (O Domingo de Ramos marca o início Semana Santa, relembra e celebra a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, poucos dias antes de sua Paixão, Morte e Ressurreição).

Durante a Missa, o Sacerdote e os Ministros da Eucaristia traçam um sinal da cruz na testa do fiel com as cinzas umidificadas por água benta, ou derrama-se uma pequena porção sobre sua cabeça, proferindo-se uma das frases seguintes: “LEMBRA-TE QUE ÉS PÓ E QUE AO PÓ VOLTARÁS” ou “CONVERTEI-VOS E CREDE NO EVANGELHO”.

Para os antigos judeus cobrir-se com cinzas, já significava penitência, arrependimento dos pecados, um rito que levava à reconciliação com Deus. Assim, as cinzas bentas colocadas sobre a cabeça, ou na testa, servem para lembrar que um dia morreremos e que somos pó e que ao pó voltaremos.

Na Bíblia Católica, o Livro de Judite, uma das dezesseis obras classificadas como históricas, conta-nos que o general Holofernes, com um grande exército, marchou contra a cidade de Betúlia. O povo da cidade, tomado pelo medo e terror, reuniu-se para rezar a Deus com o propósito de que o livrasse do terrível e iminente flagelo. E os moradores da cidade cobriram de cinzas as suas cabeças, pedindo o perdão e a misericórdia de Deus, que os salvou pelas mãos de Judite.

Reitera e agrega-se, que a Quaresma é tempo de reflexão e de penitência, mas também, tempo de abstinência, de silêncio, de conversão, de reconciliação, de jejum e de oração.

A Igreja Católica recomenda que todas as sextas-feiras do ano sejam dias destinados a penitência (salvo se coincidir com o dia de alguma solenidade). No Brasil, os católicos tradicionalmente não comem carne vermelha na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa, entretanto, muitos igualmente deixam de consumi-la em todas as quartas e sextas-feiras do período quaresmal.

Cumpre esclarecer que o jejum é uma forma de penitência, pela privação de alimentos de forma geral. Enquanto que a abstinência, por sua vez, consiste na escolha de uma alimentação mais simples, privando-se de ingerir determinados alimentos. É muito comum também durante a Quaresma, que pessoas passem os mais de 40 dias sem comerem doces, ou sem tomarem refrigerante, ou ainda, deixando de ingerir determinados alimentos que lhes são aprazíveis.

Há um detalhe importante, não é sacrifício algum, deixar de ingerir carne vermelha na Sexta-Feira Santa e deliciar-se comendo bacalhau ou outras iguarias.


Aproveitemos esse tempo de penitência, reflexão e conversão, para aproximarmo-nos de Deus e dos nossos irmãos, enquanto aguardamos para celebrar a Festa da Ressurreição de Cristo, nossa Páscoa.

Jeandré C. Castelon



Nos jornais: O Paraná / Jornal Hoje / Umuarama Ilustrado / Gazeta de Toledo

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